
A Prefeitura de Feira de Santana realizou, na tarde deste domingo (6), a abertura oficial da 47ª Exposição Agropecuária de Feira de Santana (Expofeira). O evento aconteceu no auditório da Escola de Zootecnia do Senar, no Parque de Exposição João Martins da Silva.
A programação contou com a presença do prefeito José Ronaldo de Carvalho, secretários municipais, dentre outras autoridades, bem como expositores, empresas, criadores e produtores rurais.
Em entrevista ao portal Acorda Cidade, o prefeito José Ronaldo destacou que nesta edição houve grandes avanços por parte da organização da festa, com a ampliação da quantidade de expositores, mais iluminação, construção de um novo redondel para a apresentação de animais durante os rodeios e campeonatos, dentre outros investimentos que foram feitos para abrilhantar ainda mais o evento agropecuário.

“Vamos continuar investindo em cada Expofeira, fazendo o melhor para esta cidade. É uma festa que o povo de Feira de Santana gosta. E nós estamos aqui vivendo esse momento tão bonito, com tantos expositores, com tanta gente vendendo alimentos. O parque, esse ano, mudou muito o seu layout, a sua planta melhorou muito e isso permitiu que os expositores ficassem em um local muito melhor. Saímos de 54 para 130 expositores. É um número expressivo. Foi mais de 100% de crescimento”, afirmou o prefeito.
Segundo o gestor, outra grande mudança foi a abertura de mais vagas para estacionamento dos participantes.
“Foi um aumento extraordinário no número de vagas para estacionar carro. Claro que, para isso, contamos com a concessão da iniciativa privada, o aluguel do espaço, para que pudéssemos abrir esse novo estacionamento. Isso ajuda a Expofeira, ajuda o parque, para que haja mais comodidade, as pessoas com mais espaço para andar, para circular. Menos animais na pista andando.”

Ele destacou ainda a valorização dos artistas locais na programação, o controle de som no espaço e o transporte gratuito para toda a população que deseja participar da festa.
“Eu acho que isso é significativo, esse apoio do transporte gratuito, os ônibus saindo do Terminal Central, nos oito dias, de domingo a domingo. Então, são mudanças que aconteceram e que vão dar mais vida, mais dinamismo, mais ação à nossa Expofeira.”
Sem recursos do estado
O gestor municipal criticou a falta de investimentos por parte do governo do estado nesta edição, o que segundo pode ser em decorrência do momento político.
“Feira é o segundo maior município da Bahia. É o 33º município do Brasil. É uma exposição de história. Embora seja a 47ª, tem mais de 50 anos de história. Então, eu acho que uma exposição como essa é importante que o Estado participe. Mas, infelizmente, desde o ano passado que não teve esse apoio.”
O prefeito José Ronaldo destacou também o papel de Feira de Santana como polo regional da agropecuária.
“É uma cidade que, por muitas décadas, tem uma história com a pecuária. É muito forte a pecuária em Feira de Santana. É um polo regional, e é uma história que continua acontecendo. A gente continua vivenciando tudo isso. Sem dúvida, a nossa Expofeira tem força, tem tradição.”

A importância do Agro para a Bahia
Presente na abertura da Expofeira, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária e do Conselho Deliberativo do Sebrae, Humberto Miranda, informou, em entrevista ao Acorda Cidade, que 25% do PIB da economia baiana vem do agronegócio, desde o pequeno produtor ao grande produtor rural.
“A Bahia tem um potencial muito grande. É o setor que é responsável por mais de metade das exportações da Bahia, o setor agropecuário, então demonstra essa força e é um grande gerador de emprego. É uma das atividades que mais segura as pessoas no interior do estado, nas pequenas cidades, então por tudo isso é um setor extremamente importante. Essa exposição agropecuária está aqui para reconhecer tudo de bom e de bem feito que acontece no setor agropecuário da Bahia.”

Segundo ele, atualmente os principais desafios enfrentados pelo produtor rural baiano é a questão da insegurança, tanto para a vida das pessoas, como para os negócios, que também atrapalha a produção. A questão da infraestrutura, para ele, também é outro gargalo.
“Nós temos dificuldades de infraestrutura, questão de água para o semiárido, nós estamos aí próximos a um El Niño, que vai ser um dos mais fortes da história, e a gente ainda tem problema de água para dessedentação animal no interior do estado. Foi resolvido o problema de abastecimento humano. Então são ainda questões que precisam ser resolvidas, mas a Bahia é um estado espetacular e a gente vai pouco a pouco resolvendo esses problemas e fazendo que a Bahia continue crescendo.”
Outra preocupação, conforme Humberto Miranda, é a liberação de crédito rural para os produtores.
“Principalmente para aqueles pequenos produtores, o crédito é fundamental para desenvolver os negócios, seja o grande produtor do oeste que toma um recurso para tocar sua lavoura, para comprar as máquinas, para fazer o desenvolvimento, seja um pequeno produtor que toma o recurso para plantar um hectare de milho, de feijão, de alguma coisa da agricultura familiar, para movimentar a renda da sua família, para movimentar as cidades, então a gente defende que o crédito seja cada vez mais desburocratizado.”

Na avaliação do presidente da Federação, a Faeb tem buscado ajudar o pequeno e médio produtor rural, mas é grande o desafio.
“A Bahia tem mais de 700 mil produtores, e a maioria absoluta são pequenos produtores, então é a nossa prioridade. Então a gente tem lá, desde os cursos de formação, de capacitação, que a gente treina quase 200 mil pessoas, entre trabalhadores e produtores por ano. A gente tem os programas de assistência técnica, quando a gente coloca um agrônomo, um veterinário, um técnico agrícola, um zootecnista, para atender os pequenos produtores, levando informação, ensinando ele a produzir. Temos eventos como esse, que nós vamos estar aqui durante uma semana inteira, dando curso, treinamento aqui dentro do parque, para que os produtores tenham algum aprendizado e possam melhorar a sua atividade.”
A tecnologia também é uma grande aliada para o produtor baiano, mas ainda chega ao campo com dificuldade.
“O celular hoje tem sido um agente de facilitar esse conhecimento e esse acesso do pequeno produtor a essas tecnologias. Mas a gente precisa mais. Não é só o produtor conhecer a tecnologia aqui no celular. Ele precisa conhecer no celular, mas ele precisa aprender a colocar na sua propriedade, na sua atividade. E aí é onde entra a questão da assistência técnica e da extensão rural, que é exatamente o complemento do que o produtor vê aqui no celular, na televisão, no globo rural, em qualquer uma outra atividade.”
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade.
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