
Celebrado em 8 de setembro, o Dia Mundial da Alfabetização chama atenção para a importância da leitura e da escrita na vida das pessoas. A data foi criada pela Unesco em 1967 e, no Brasil, o tema ainda representa um desafio. Segundo o Indicador Criança Alfabetizada 2025, 66% das crianças concluíram o 2º ano do ensino fundamental alfabetizadas. O resultado mostra um avanço, mas também revela que cerca de um terço delas ainda não alcançou essa etapa.
Em entrevista ao Acorda Cidade, a professora Carol Vaz, do Colégio Santo Antônio, destacou que a data é um marco importante para toda a sociedade. Segundo ela, alfabetizar vai muito além de ensinar a criança a juntar letras e sílabas, pois o objetivo também é garantir que ela compreenda e participe do mundo no qual está inserida.
“A gente precisa lembrar que alfabetizar é muito mais do que ensinar a criança a juntar letras e sílabas. É trazer essa criança a compreender e participar do mundo que ela está inserida, que é um mundo que tem leitura e que tem escrita em todos os lugares que a gente chega. E para o Brasil e a educação brasileira, essa data convida a gente a refletir sobre o direito de toda criança a uma alfabetização de qualidade.”
Na prática, Karol explicou que para desenvolver os múltiplos letramentos, os alunos em período de alfabetização são apresentados a situações reais e significativas, com produção de convites, receitas, listas, entre outros.
Eles leem história, observam imagem, criam legendas, participam de rodas de conversa. Porque o mais importante para a gente é que a criança compreenda que a leitura e a escrita tem uma função na vida dela.”

De acordo com ela, jogos e brincadeiras ajudam no processo de aprendizagem da leitura e da escrita, especialmente durante a alfabetização.
Mesmo já estando nos anos iniciais, a gente entende que o brincar é uma forma potente de aprendizagem. Então, ele vai desenvolver a criança quando ela entende que ela precisa pensar, tomar decisões, observar regras, argumentar, ouvir o outro e, principalmente, resolver problemas.”
Apoio dos pais e familiares
A professora também chamou atenção para o apoio dos pais no reforço da alfabetização. O principal conselho é ler com as crianças, mas também conversar e saber o que ela entendeu.
“O principal conselho é: ler. Ler com esses meninos, ser modelo de leitura, conversar, o que a criança entendeu, perguntar o que ela imagina que vai acontecer depois, brincar com essa criança dentro dessa leitura. Ler placas, embalagens, fazer lista de supermercado, escrever bilhete, brincar de palavras, brincar de rimas. Tem muitos jogos hoje que ajudam nesse processo de alfabetização de uma forma lúdica e gostosa.”
Questionada sobre os desafios da alfabetização na infância, Karol disse que o principal é tentar trazer a família para junto da escola.
É tentar fazer com que essa família não transforme a sua casa em uma escola, mas que ela possibilite a essa criança exemplos de leitura, de escrita, rodas de conversa, porque a gente sabe que hoje a rotina das famílias é uma rotina diferente de antigamente. Então, a gente tem esse desafio, que temos tentado enfrentar juntos aqui na escola.”
Karol disse que acredita que essa mudança aconteceu após a pandemia do Covid-19, que mudou a rotina de famílias no mundo inteiro.
A gente acredita que tenha mudado. Algumas famílias a gente consegue perceber. Outras a gente ainda precisa trazer mais para perto, precisa conversar, informando a elas a necessidade dessa parceria. Hoje a gente tem famílias muito conscientes desse processo, e dessa parceria, que acabam nos ajudando de uma forma muito legal.”
Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade.
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