8 de September de 2026
Idosos escrevendo - taxa de alfabetização x analfabetismo
Foto: Imagem ilustrativa gerada por meio de IA

Saber ler e escrever é uma habilidade básica no convívio em sociedade e um direito humano fundamental. Apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, milhões de pessoas no Brasil ainda não têm acesso a essa condição. Na Bahia, o desafio também permanece: em 2025, 1,145 milhão de pessoas não eram alfabetizadas.

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado em alusão ao Dia Mundial da Alfabetização, comemorado nesta terça-feira (8), mostram, ao mesmo tempo, uma redução contínua do analfabetismo no estado e as desigualdades que ainda marcam o acesso à alfabetização.

Em Feira de Santana, a segunda maior cidade do estado em número de habitantes, o cenário é melhor do que a média estadual. No Censo Demográfico 2022, Feira de Santana registrou taxa de analfabetismo de 6,6% entre a população de 15 anos ou mais. O índice colocou o município na 8ª posição entre as menores taxas de analfabetismo da Bahia.

Feira foi também um dos dois municípios fora da Região Metropolitana de Salvador entre os dez com menores taxas de analfabetismo no estado. O outro foi Luís Eduardo Magalhães, que registrou índice de 4,7% e ocupa a quarta posição.

Municípios baianos com as MENORES taxas de analfabetismo:

1) Salvador (3,5%)
2) Lauro de Freitas (3,7%)
3) Madre de Deus (4,4%)
4) Luís Eduardo Magalhães (4,7%)
5) Camaçari (5,4%)
6) Simões Filho (5,6%)
7) Dias d’Ávila (6,5%)
8) Feira de Santana (6,6%)
9) Candeias (7,2%)
10) Itaparica (7,5%)

Municípios baianos com as maiores taxas de analfabetismo

1) Pedro Alexandre (31,9%)
2) Coronel João Sá (31,7%)
3) Ribeira do Amparo (30,7%)
4) Itapicuru (28,8%)
5) Quijingue (28,8%)
6) Santa Brígida (28,3%)
7) Sítio do Quinto (28,2%)
8) Adustina (27,9%)
9) Monte Santo (27,7%)
10) Guaratinga (27,6%)

Bahia reduziu analfabetismo nas últimas décadas

A evolução dos dados divulgados pelo IBGE evidencia uma queda expressiva do analfabetismo na Bahia. Em 1991, 35,3% da população baiana de 15 anos ou mais não era alfabetizada. O percentual caiu para 23,1% em 2000, 16,6% em 2010 e 12,6% em 2022.

Em 2025, o índice chegou a 9,5%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC).

Apesar da redução, a Bahia ainda apresentava um dos maiores desafios do país. Em 2025, o estado tinha 1,145 milhão de pessoas analfabetas, o maior número absoluto entre os estados brasileiros.

No Brasil, eram 8,384 milhões de pessoas analfabetas, correspondendo a uma taxa de 4,9%, bem abaixo dos 9,5% registrados na Bahia.

O desempenho de Feira de Santana se destaca quando os municípios baianos são comparados.

Em 2022, a taxa de analfabetismo do município foi de 6,6%, ficando atrás apenas de sete municípios no ranking das menores taxas do estado.

Analfabetismo ainda está espalhado pela Bahia

Apesar dos bons indicadores de alguns municípios, o desafio da alfabetização continua disseminado pelo estado. Segundo o Censo Demográfico 2022, 356 dos 417 municípios baianos, o equivalente a 85,4%, tinham taxas de analfabetismo superiores à média estadual de 12,6%.

As maiores taxas foram registradas em municípios do semiárido do Nordeste baiano.

Pedro Alexandre apresentou a maior taxa, com 31,9%, seguido por Coronel João Sá, com 31,7%, e Ribeira do Amparo, com 30,7%.

Idosos representam a maior parte da população não alfabetizada

O perfil das pessoas que ainda não sabem ler e escrever também ajuda a dimensionar o desafio.

Em 2025, 62,7% das pessoas não alfabetizadas na Bahia tinham 60 anos ou mais. Eram aproximadamente 718 mil idosos.

A taxa de analfabetismo entre os idosos baianos chegava a 28,5%, o que significa que aproximadamente três em cada dez pessoas nessa faixa etária não sabiam ler nem escrever um bilhete simples.

Homens são maioria entre as pessoas não alfabetizadas

Embora representassem 47,5% da população baiana de 15 anos ou mais, os homens eram maioria entre as pessoas não alfabetizadas.

Em 2025, eles correspondiam a 51,4% da população não alfabetizada, ou aproximadamente 588 mil pessoas.

A taxa de analfabetismo também era maior entre os homens: 10,3%, contra 8,8% entre as mulheres.

Taxa de analfabetismo é maior entre pretos e pardos

Os dados da PNADC também apontam diferença de acordo com a cor ou raça.

Na Bahia, em 2025, a taxa de analfabetismo entre pessoas pretas ou pardas era de 9,8%, enquanto entre as pessoas brancas o índice era de 8,3%.

Os números mostram que, embora a Bahia tenha avançado na redução do analfabetismo, o acesso à alfabetização ainda apresenta diferenças importantes de acordo com idade, sexo, cor ou raça e município de residência.

Analfabetismo na Bahia em números

  • 1991: 35,3%
  • 2000: 23,1%
  • 2010: 16,6%
  • 2022: 12,6%
  • 2025: 9,5%
  • Pessoas analfabetas em 2025: 1,145 milhão
  • Taxa brasileira em 2025: 4,9%
  • Feira de Santana em 2022: 6,6%
  • Idosos entre os analfabetos na Bahia: 62,7%
  • Homens entre os analfabetos: 51,4%
  • Taxa entre pretos e pardos: 9,8%
  • Taxa entre brancos: 8,3%

O Dia Mundial da Alfabetização foi criado em 1967 pela Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Conforme ressaltou o IBGE, a data busca reforçar, junto a governos e sociedade, a necessidade de garantir o direito fundamental à leitura e à escrita como base para a cidadania.

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