
Os bancários da Caixa Econômica Federal (CEF) e do Banco do Brasil entraram em greve, por tempo indeterminado, a partir desta quinta-feira (10). O principal motivo da mobilização, que ocorre em diversas unidades do estado, é a mudança no modelo de coparticipação no plano de saúde da categoria, mas também há outros itens na pauta de reivindicações.
Em entrevista ao portal Acorda Cidade, o secretário de comunicação do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana, Edmilson Cerqueira, enfatizou que antes da deflagração da greve, as bases sindicais tentaram um acordo favorável junto à classe patronal, porém não houve avanços na mesa de negociação.

“Desde o início de julho que nós estamos negociando. Várias pendências em vários itens que ficaram da campanha passada. Inclusive, o problema crucial dos funcionários da Caixa: o plano de saúde Caixa. Os funcionários têm tirado quase a metade ou mais da metade do seu salário depois que houve uma mudança do governo anterior com relação ao plano de saúde das estatais. Então, negociamos, foram mais de 14 rodadas, fizemos paralisação de advertência. Infelizmente, os banqueiros não propuseram, não avançaram”, explicou Edmilson Cerqueira.
Por conta da paralisação, os clientes dos bancos só poderão utilizar os serviços dos caixas eletrônicos e dos correspondentes bancários. “Nas assembleias foram 98%, 99% de aprovação (da greve) e a gente acha que os bancários só voltarão se realmente tiver uma chamada que resolva o problema.”

De acordo com o representante sindical, os bancários estão pedindo 4% referente ao índice da inflação, mais 5% de ganho real sobre o salários dos trabalhadores.
“A gente não faz uma greve contra o cliente e nem contra ninguém. A gente, na verdade, nem greve queria fazer. Agora, é o último instrumento que o trabalhador tem depois de você negociar e não ter nada, não atender pelo menos parte do que a gente está pedindo. Nós estamos pedindo só 4% mais 5%, estamos pedindo que volte o plano de saúde anterior, que, na verdade, os bancários da Caixa tinham esse direito, mas com o governo passado, que criou plano de saúde de estatais, acabou envolvendo também a Caixa e desrespeitando o plano que nós tínhamos.”
O presidente do Sindicato dos Bancários, Eritan Carvalho, esclareceu que além da valorização salarial, os trabalhadores pedem a abertura de mais agências e a contratação de mais funcionários para atender a população.
“Pedimos condições de trabalho mais dignas para esses trabalhadores, o fim do adoecimento provocado pela cobrança das metas abusivas e do assédio moral. Então, é uma pauta vasta, que vai desde as cláusulas econômicas até mesmo às condições de trabalho nas agências.”

Abertura de novas agências
Eritan Carvalho informou que atualmente Feira de Santana possui um contingente de 980 bancários, mas esse número já chegou a 5 mil em décadas anteriores.
“Com o fechamento de alguns bancos e de algumas agências bancárias aqui na cidade, nós tivemos esse quadro reduzido, o que não significa que não deva ser aumentado. Quando você vai a qualquer agência bancária, seja da Caixa, Banco do Brasil ou até mesmo dos bancos privados, sempre encontra uma longa fila para um atendimento. Então, se abrissem mais agências e contratassem mais bancários, o cliente não sofreria tanto.”
Durante a greve dos bancos públicos, as agências dos bancos privados continuam funcionando normalmente. “O Banco do Nordeste foi o único banco que não entrou em greve porque aceitou o acordo que foi apresentado pela direção”, acrescentou.
Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade.
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