
A distância entre as cidade de Mairi, na Bahia, e Caruaru, em Pernambuco, pode ser percorrida em cerca de 4 horas, se feita de carro. No entanto, esse não é o caso de Angela Patricia Rios Cerqueira, 48 anos, conhecida como Paty, e Lene Albuquerque. As duas mulheres saíram do Agreste pernambucano no último dia 3 de setembro, e estão percorrendo aproximadamente 750 quilômetros de bicicleta, com destino a Bacia do Jacuípe.
Na bagagem, elas levam a mensagem do Projeto Casulo, uma iniciativa voltada ao incentivo à atividade física como aliada da saúde física e mental.
Na última quarta-feira (9), Paty e Lene completaram sete dias na estrada, e chegaram a cidade de Conceição do Coité, onde passaram a noite. Segundo informações do Calila Notícias, parceiro do Acorda Cidade, a dupla começa a jornada diariamente às 5h e estabeleceu como meta percorrer, em média, entre 100 e 110 quilômetros por dia.
O primeiro pernoite aconteceu em Garanhuns, ainda em Pernambuco, após pedalarem aproximadamente 110 km.
No segundo dia de viagem, elas chegaram a Ouro Branco, em Alagoas. Depois, as mulheres seguiram para Paulo Afonso, no norte da Bahia, onde passaram a terceira noite.
Em seguida, Paty e Lene passaram o quarto pernoite em Jeremoabo, o quinto em Ribeira do Pombal e o sexto em Araci.
Até chegarem em Conceição do Coité, a dupla passou por Teofilândia, Barrocas e pelo distrito Bandiaçu, na quarta. Nesta quinta-feira (10), as duas voltaram à estrada, também às 5h. Restam aproximadamente 140 quilômetros até Mairi.
Apesar da distância ultrapassar a meta, as duas não descartam aumentar um pouco o esforço e completar a viagem ainda nesta quinta. Porém, elas também consideram pedalar cerca de 100 quilômetros até Capim Grosso, onde devem passar mais uma noite, e terminar o trajeto de 40 km no dia seguinte, nesta sexta-feira (11).
Vendo a dimensão do desafio, o choque vem ao saber que as mulheres na verdade tem pouca experiência no ciclismo: Paty aprendeu a andar de bicicleta há menos de três anos, já depois dos 45 anos, e Lene começou a pedalar somente em janeiro deste ano, após conhecer a proposta da viagem.
Sobre o Projeto Casulo
A ideia da viagem da dupla ajudou a dar origem ao Projeto Casulo. Inicialmente, a proposta estava relacionada à aventura entre Caruaru e Mairi, mas ganhou uma proporção maior durante os preparativos.
O objetivo do desafio passou a ser incentivar pessoas a cuidarem da saúde física e mental através da prática de atividades físicas. A viagem de bicicleta se tornou uma das ações do projeto, que deverá desenvolver outras atividades no futuro.
Além disso, a iniciativa chama atenção para o Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio, um tópico que tem relação direta com uma experiência dolorosa vivida por Paty: em 2017, sua irmã cometeu suicídio. A ciclista contou que enfrentou um período de forte ansiedade e encontrou na atividade física uma importante ferramenta para mudar sua rotina.
Apesar do foco no Setembro Amarelo, a dupla defende que o cuidado com a saúde mental aconteça durante todo o ano.
“Cuidar da saúde é todos os dias, não é só um mês”, afirmou Paty.
Depois de conhecer a história de Paty e o desejo de transformar a experiência em uma mensagem de prevenção e cuidado com a saúde mental, tanto a própria quanto do outro, Lene abraçou o projeto e decidiu acompanhá-la na longa viagem.

Sobre a viagem
De acordo com Lene, o percurso entre Caruaru e Mairi tem um significado, pois foi o caminho feito pela família de Paty para o sepultamento de sua irmã, em Mairi, cidade onde Paty nasceu. Anos depois, ela decidiu refazer a rota, criando um novo significado.
“Quando a irmã dela faleceu, a família fez esse trajeto com o corpo para sepultá-la. Foi um trajeto de dor. E ela queria transformar esse trajeto de dor em um trajeto de informação, para que as pessoas e as famílias possam até evitar passar pelo que ela passou. Quando ela me apresentou o projeto dessa forma, achei muito bonito”, disse Lene.
Natural de Mairi, Paty deixou o município há 29 anos para morar em Caruaru. Já Lene é natural de Tupanatinga, também em Pernambuco, e moradora de Caruaru há 33 anos. No entanto, quando criança, Lene morou na Bahia, passando por Ribeira do Pombal e Euclides da Cunha.
Para ajudar a custear a viagem, elas realizaram atividades esportivas e desafios envolvendo corredores, mas também contaram com o apoio de familiares e de outras pessoas que abraçaram a proposta.
Ainda na reta final da aventura, a dupla já conseguiu transformar uma viagem que nasceu de uma experiência dolorosa em uma ação de incentivo à atividade física e cuidado com a saúde mental.
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