
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) iniciou, na última terça-feira (8), o treinamento da equipe de apoio que participará da auditoria da votação eletrônica nas Eleições 2026. A capacitação, ocorrida na Sala de Sessões do Regional, envolveu 152 servidores(as) de órgãos parceiros, como Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT5), Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) e o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). A primeira etapa do treinamento envolve apresentações sobre questões teóricas, como segurança das urnas eletrônicas, autenticidade dos sistemas eleitorais e transporte das urnas, entre outros temas.
A reunião foi aberta pela diretora-geral, Mirella Cunha, que agradeceu a presença das(dos) voluntárias(os) e enfatizou a importância da capacitação. “As eleições representam a razão de existir da Justiça Eleitoral e um momento fundamental para toda a sociedade, por isso é tão importante contar com vocês neste processo”, afirmou. Mirella destacou que a Auditoria da Votação Eletrônica é um dos mecanismos utilizados para demonstrar à população a segurança, a transparência e a confiabilidade das urnas. Segundo ela, os participantes não atuarão apenas no dia da eleição, mas também se tornarão multiplicadores dessas informações na sociedade.
Serão auditadas 43 urnas eletrônicas: 33 no Teste de Integridade e dez no Teste de Autenticidade dos Sistemas Eleitorais. “As urnas são escolhidas por representantes de entidades ou órgãos fiscalizadores ou sorteadas em procedimento público, transportadas com segurança e submetidas a uma simulação de votação controlada e filmada. Ao final, os votos registrados previamente são comparados com o boletim emitido pela urna, permitindo confirmar se o equipamento contabilizou corretamente cada voto”, explicou a presidente da Comissão da Auditoria da Votação Eletrônica, juíza Patrícia Cerqueira. Alguns testes também serão realizados nas seções eleitorais, com biometria e participação voluntária dos eleitores.
A auditoria é pública, transparente e pode ser acompanhada por partidos políticos, entidades fiscalizadoras e qualquer cidadão. “Vocês são os ‘guardiães da democracia’ e serão multiplicadores de informações sobre a segurança, a transparência e a lisura do sistema eletrônico de votação”, disse.
Todos esses procedimentos são auditados por auditores externos contratados, por licitação pública, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A contratação encontra-se em andamento no órgão.
Exercício de cidadania
Pela primeira vez integrando a auditoria das urnas, o servidor do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Tiago de Melo, considerou como um ato de cidadania participar da atividade. “A expectativa é poder contribuir com a lisura de todo o processo das eleições, que é um momento muito importante da democracia no país”, disse.
Outra servidora do TRT, Isacarla Machado, também ressaltou a importância de fazer parte do processo, não só como servidora, mas também como cidadã. “É uma sensação muito boa estar contribuindo para uma eleição realmente transparente, eficaz, e que possa garantir uma eleição justa e digna para o nosso país”, afirmou.
Após a etapa teórica, inicia-se a fase de treinamento prático. No período de 15 a 22 de setembro, as atividades abrangem a votação manual (preenchimento de cédulas eleitorais), a preparação da urna eletrônica para o teste de integridade (emissão de zerésima, documento que comprova a integridade física da urna), uso do SAVP (Sistema de Apoio da Votação Paralela) e finalização dos trabalhos com a emissão do boletim de urnas e relatório do sistema.
Combate à desinformação
O analista judiciário do TRE-BA, Jaime Barreiros, palestrou no evento e pontuou que o procedimento também reforça o combate do Eleitoral baiano à desinformação contra o processo eleitoral. “As auditorias permitem oferecer à sociedade respostas concretas e transparentes sobre o funcionamento das urnas”, pontuou.
Próximos passos
A restrição à participação de servidores(as) da Justiça Eleitoral no procedimento de auditoria da votação cumpre determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O processo de auditoria interno inclui ainda reuniões com entidades fiscalizadoras (partidos políticos, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ministério Público do Estado (MP-BA), tribunais de contas, Defensoria Pública do estado da Bahia (DPE-BA), escolha ou sorteio das seções cujas urnas eletrônicas serão submetidas aos testes de integridade e de autenticidade, preenchimento das cédulas eleitorais e realização dos testes de integridade e de autenticidade no dia da eleição.
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