
Uma força-tarefa envolvendo as polícias Civil e Militar, o Departamento de Polícia Técnica (DPT), a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a Superintendência Municipal de Trânsito (SMT) e o Detran-BA identificou 60 veículos roubados e adulterados em Feira de Santana.
A ação, que ocorreu na manhã desta quarta-feira (16), faz parte da Operação Ressonância, que busca justamente identificar, dentre os veículos apreendidos, quais são fruto de furto ou roubo e estão aptos a serem devolvidos aos verdadeiros proprietários.

Para a reportagem do Acorda Cidade, José Marcos, titular da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), disse que os 60 veículos foram identificados nos pátios de Feira de Santana e tiveram requisições encaminhadas ao DPT para a realização de perícias.
Desse total, 40 foram regularizados e liberados para restituição. Nesta primeira etapa, 17 veículos foram entregues aos proprietários, enquanto os demais serão devolvidos nas fases seguintes da operação.

“A Polícia Civil promove restrição de veículos diariamente, que são produto de furto e roubo que foi recuperado. Isso continua acontecendo normalmente. Essa força-tarefa foi para ver aqueles veículos antigos, aqueles veículos que o dono não apareceu, esses veículos que estão ocupando espaço nos pátios e podem ser devolvidos”, disse o delegado José Marcos.
Para a reportagem do Acorda Cidade, o delegado explicou que os 20 veículos que não foram identificados pela perícia neste primeiro momento durante a Operação Ressonância serão encaminhados para leilão.
“Quero ressaltar o trabalho do DPT, que foi o trabalho talvez o mais extenuante. Foram muitos veículos periciados e, no final, ficou esse lote com 60. Então, o trabalho do DPT merece ser ressaltado, um trabalho muito importante que eles já realizam no dia a dia, mas nessa força-tarefa foi ainda mais importante para nós”, disse o delegado.
O papel do DPT
O perito criminal e coordenador macrorregional do DPT, Laíson Lopes, explicou que o órgão atua principalmente nos casos em que veículos roubados ou furtados têm a numeração do chassi adulterada para esconder a origem e permitir a clonagem do automóvel.
O coordenador também explicou que, quando há suspeita durante fiscalizações ou blitzes, as polícias Militar ou Civil encaminham o veículo ao DPT. Os peritos realizam exames químico-metalográficos, utilizando reagentes específicos e maçaricos sobre a superfície metálica para recuperar a numeração original.

“Para a gente conseguir identificar a numeração, precisamos usar realmente os equipamentos, precisa de instrumentos, de reagentes químicos. A gente faz um ataque químico na superfície metálica que às vezes dura três ou quatro horas para ficar pronto, às vezes de dois a três dias, até a gente conseguir revelar”, disse Lopes.
Laíson disse que, na região atendida pela coordenação do DPT sediada em Feira de Santana, que abrange cerca de 90 municípios divididos em seis coordenadorias regionais, ao todo 37 veículos já foram devolvidos aos proprietários durante as ações relacionadas à identificação veicular.

“Para nós é uma alegria participar dessa operação porque, além da gente contribuir para a produção da prova pericial para dar continuidade à persecução penal, a gente tem essa função social de ajudar a restituir o bem ao proprietário”, disse o coordenador.
Só alegria
Entre os proprietários que receberam o veículo de volta flagrados pela reportagem do Acorda Cidade durante a entrega desta quarta (16) está o motorista Antônio Felício. A motocicleta Honda PCX dele foi roubada em 15 de dezembro de 2021, quando ele saía do trabalho e passava próximo a um atacadão às margens da BR.
Antônio contou que foi abordado por dois homens armados a pé. Além da motocicleta, os criminosos levaram o celular, a carteira e o dinheiro. Depois de registrar a ocorrência, ele passou quase cinco anos sem ter notícias do veículo.

“Depois do roubo eu fui na delegacia prestar queixa, tudo certinho, mas, na realidade, eu não tinha nem mais esperança de encontrar essa moto de novo, porque geralmente moto é difícil até de encontrar, mas, graças a Deus, mesmo ela tendo sido roubada há quase 5 anos atrás, fui abençoado”, disse o condutor.
Como precisou comprar outro veículo para continuar se deslocando ao trabalho após o roubo, Antônio disse para a reportagem do Acorda Cidade que pretende consertar a PCX e colocá-la à venda.
“Eles trocaram até a placa, mas agora eu vou ajeitar ela e vender, porque eu já tenho outra. Agora é consertar, vender e guardar o dinheiro. Eu acredito que deve dar um valor de uns R$ 12 mil”, disse o sorridente Antônio.
Segurança
O diretor da Ciretran em Feira de Santana, Joelton Vieira, explicou que veículos apreendidos pela Polícia Militar ou pela SMT e apresentados com placas clonadas precisam passar pela perícia do DPT para que seja determinada a propriedade real antes da destinação.

“Nós recomendamos que o motorista ou condutor faça uma vistoria eletrônica para não cair em fraudes durante a negociação de compra de um veículo. A vistoria é muito eficaz e a pessoa deve, antes de pagar o veículo, conversar com o verdadeiro proprietário e fazer essa ação, porque existe, eu como sou investigador da Polícia Civil, eu tratei muitos anos na delegacia de furtos e roubos dos golpes pela internet”, disse Joelton.
Segundo Joelton, durante a fiscalização foram identificados cerca de 50 veículos com divergências entre a placa ostentada e o registro original. Ele explicou ainda que a motocicleta de Antônio deu entrada no pátio recentemente e foi identificada pela perícia antes de atingir o prazo legal de 90 dias para ser encaminhada a leilão.
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade.
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