
O Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca) comemora, nesta quinta-feira (17), o seu aniversário com a realização do Aberto das Artes 2026. Ao longo de 12 horas de programação, o evento conta com mais de 100 atividades, como atrações musicais, espetáculos teatrais, exposições, performances de dança, oficinas artísticas e venda de artesanato e alimentos.
O Aberto é realizado anualmente desde 2007. A entrada no evento é totalmente gratuita e encerra por volta das 22h, no espaço do Cuca, localizado na Rua Conselheiro Franco, próximo à Igreja Matriz.
A artista visual e escritora Kiara Perdiz contou, em entrevista ao Acorda Cidade, que participa pela primeira vez do Aberto do Cuca e contou como a experiência influencia positivamente na sua carreira profissional.
“É um espaço que todo mundo conhece e ajuda o pessoal a também me conhecer, até porque tem a questão de eu, como artista independente, poder buscar mais espaço, reconhecimento, e o Aberto do Cuca é um evento histórico de Feira.”
Ela afirmou que já escreve três livros e está em processo de elaboração de uma nova obra. Uma de suas publicações, o Diário de uma Sonhadora, trata sobre as suas próprias vivências, como uma garota autista e vítima de bullying.
Mãe de Kiara, Elenilda Perdiz revelou que a filha é muito talentosa, mas sofreu muita rejeição por conta do espectro autista.
“Foi todo um processo. Ela sofreu muito bullying, muita rejeição e, por indicação da psicóloga dela, resolver escrever um diário. E desse diário surgiu o livro. Uma coisa que eu acho interessante e vale ressaltar é que, além de escritora, ela é também artista visual, que conseguiu transformar a dor dela em arte. Infelizmente, muitos não conseguem superar, tanto que entram na estatística do Setembro Amarelo. Mas ela superou tudo isso, transformou todas as dores dela em arte, não só na escrita, como também nas pinturas.”
Elenilda destaca que a filha desde muito nova já apresentava talento para o desenho, e no final do ano passado começou a experimentar a pintura feita com tinta a óleo.
“Ela já fez algumas exposições no MAC (Museu de Arte Contemporânea), aqui em Feira. Em relação aos livros, ela já participou de algumas feiras literárias, como o II Encontro de Escritores Baianos em Salvador, e vem participando de algumas dessas feiras, divulgando o livro. O lançamento do livro O Diário de Uma Sonhadora, primeiro foi em Ipiaú e algumas outras cidades. E agora ela vai lançar o segundo livro, acredito que agora em novembro, mas ela já escreveu quatro livros já.”
A confeiteira Joyce Cordeiro, conhecida como ‘Branca’, confecciona doces, salgados, bolos e licores. Pelo segundo ano, ela expôs uma variedade de produtos no evento com a expectativa de boas vendas até o final da programação.
“Hoje trouxemos várias delícias. Temos bolo de cenoura com chocolate, bolinhos no pote para a criançada, pão de queijo, salgados, empada, geladão cremoso para refrescar o calor, tudo com qualidade e um sabor sem igual.”
Ela aproveitou a oportunidade e informou que os interessados em encomendar seus produtos podem acessar sua página nas redes sociais @dabrancaconfeitaria ou enviar mensagens para o WhatsApp é 75 98200-2707.
Laiane Crispim produz bijuterias e apresentou aos visitantes do Aberto das Artes joias e semijoias, como pulseiras, colares, pingentes, brincos, escapulários, braceletes, entre outros itens.
“São produtos unissex, com boa durabilidade, que a pessoa pode tomar banho e não dá alergias. É a primeira que estou participando e estou adorando. Um local muito animado e com uma presença enorme de empreendedoras”, afirmou.
Marinalva Soares é afro empreendedora e levou para a exposição turbantes, sacolas personalizadas no estilo afro, colares feitos à mão. “Tudo é feito com muito carinho, cuidado e amor. Nós vamos a feiras em outros espaços, como a Feira Afro Bahia da Sepromi, então sempre que tem atividades nós participamos dos editais, e sempre que nosso nome é contemplado, nós fazemos parte desses eventos em outras cidades. 99% dos produtos são feitos pelas minhas mãos.”
Espaço democrático
A diretora do Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), Cristiana Oliveira, abordou que o Aberto das Artes é realizado em celebração do aniversário da unidade e tem a proposta de abrir um espaço para a comunidade apresentar suas manifestações artísticas.
“É um dia inteiro de celebração vinculado ao aniversário da unidade, trazendo todas as manifestações artísticas, todas as linguagens que o Cuca realiza nas oficinas durante todo o ano, mas principalmente é uma forma de apresentar para a comunidade, de maneira simultânea, todas as atividades que o Cuca realiza todos os dias, nos três turnos, durante a semana.”
Ela informou que a primeira atração subiu ao palco de arena às 9h, e a previsão é de que as atividades aconteceram até as 22h. À noite, temos o encerramento com o show do Roça Sound, após um dia com mais de 100 atividades ao longo das 12 horas do evento.
“São vários espaços: o palco de arena, o Teatro Universitário do Cuca, o Museu Regional de Arte, a Galeria de Arte Carlo Barbosa, a Sala 9, a Sala 11, corredores, área externa, área verde, onde acontece desde oficinas livres, mostras de artesanato, corredor gastronômico, praça de alimentação e exposição de artesanato. São atividades vinculadas à dança, música, às artes visuais e ao teatro. Então nessa perspectiva são atividades que vão acontecendo simultaneamente nesses espaços que eu mencionei, e que a população pode vir usufruir de forma gratuita durante todo o dia.”
Cristiana Oliveira salientou que o evento promove e dá visibilidade a artistas independentes, iniciantes e democratiza o acesso também daqueles que já são conhecidos do grande público.
“A gente também possibilita, através de inscrições gratuitas, que o artista que canta no bar, o artista que ainda não expôs em um museu de grande porte, ou aquele professor de dança que atua em academias de bairro, o cantor mirim que está iniciando a trajetória artística, tenha acesso ao palco, que é democratizado no sentido de que qualquer pessoa que tenha uma veia artística, algum talento nessas áreas, possa vir apresentar para o público do Cuca, para a comunidade acadêmica e a comunidade externa o seu talento.”
Com informações do repórter Ney Silva do Acorda Cidade.
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