
A praia do Porto da Barra, um dos principais cartões postais de Salvador, foi cenário de um grande simulado aéreo na manhã de quinta-feira (17). A operação, realizada pelo Aeroporto de Salvador, em conjunto com órgãos e instituições das esferas municipal, estadual, federal e privada, teve como objetivo construir, de forma coordenada entre todas as esferas envolvidas, protocolos de emergência integrados e testados na prática, capazes de orientar uma resposta em uma eventual situação real.
Para isso, o simulado reproduziu, em escala real, diferentes etapas de uma ocorrência dessa complexidade, desde o acionamento das equipes e o salvamento das vítimas até o atendimento médico e a coordenação entre os centros de comando.
A megaoperação buscou testar, na prática, como diferentes instituições podem atuar de forma coordenada diante de uma emergência de grandes proporções. Ao todo, mais de 400 pessoas participaram do simulado, entre figurantes, socorristas, profissionais de saúde, segurança, regulação, comunicação e gestores de crise, além de dezenas de veículos, embarcações e aeronaves.

A operação contou com uma integração inédita entre estruturas municipais, estaduais, federais e privadas para a resposta a uma emergência aeronáutica em ambiente aquático. Durante a simulação, foram ativadas simultaneamente as salas de crise do Salvaero/FAB, em Recife; do Centro de Operações Integradas (COI) da Secretaria de Segurança da Bahia; e do Centro de Operações de Emergências do Aeroporto Internacional de Salvador, reproduzindo a articulação necessária para uma ocorrência de grandes proporções.
Participaram da ação a Força Aérea Brasileira, Marinha do Brasil, Corpo de Bombeiros Militar, SAMU, Secretarias de Saúde do Estado e de Salvador, Secretaria da Segurança Pública, Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil, Departamento de Polícia Técnica, grupamentos aéreos, Agência Nacional da Aviação Civil (ANAC), Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), empresas aéreas, Transalvador, Salvamar e rede médico-hospitalar, entre outras instituições.
Outro destaque da operação foi o uso do primeiro Posto de Coordenação Móvel (PCM) com sala de crise desenvolvido para aeroportos brasileiros. A estrutura funciona como um centro de comando móvel, possibilitando a coordenação das equipes e dos recursos diretamente no local da ocorrência.
Construção de protocolo integrado
A próxima etapa é a utilização dos dados coletados durante a realização do simulado para a construção de um protocolo integrado para atendimento de emergências aeronáuticas em cenários aquáticos, com a definição de fluxos de comunicação, atribuições e responsabilidades entre os diferentes órgãos envolvidos. A iniciativa ganha ainda mais relevância diante da realização de grandes eventos no país, como a Copa do Mundo Feminina de 2027, que exigem estruturas de resposta preparadas para situações de alta complexidade.

Julio Ribas, CEO da VINCI Airports no Brasil, reforça a importância da integração entre órgãos de diferentes esferas para situações de emergência como esta. “Realizar um simulado dessa dimensão exige que todos os envolvidos estejam preparados para atuar de forma integrada, e foi justamente isso que buscamos colocar à prova no Porto da Barra. Reunimos instituições municipais, estaduais, federais e privadas em uma mesma operação para entender, na prática, como essa coordenação acontece diante de uma situação de emergência. Esse alinhamento é fundamental para que, em uma ocorrência real, cada órgão saiba o seu papel e todos possam trabalhar de forma coordenada, dando uma resposta mais rápida e eficiente”, afirma Julio Ribas.
“A realização de um exercício simulado como esse mostra a preparação do Aeroporto de Salvador para diferentes cenários, especialmente pela proximidade com o mar. Um eventual incidente em ambiente aquático envolve uma dificuldade de articulação entre diferentes órgãos e recursos. Por isso, temos que considerar, dentro do planejamento, os cenários possíveis para que possamos estar preparados e devidamente treinados. Para nós, no SAMU, é um evento extremamente importante para treinar nossas equipes, interagir com os demais órgãos e participar do planejamento de uma forma mais efetiva”, afirma Ivan Paiva Filho, Gerente Executivo do Samu.

“Mais do que simular uma situação de emergência, a ação nos permite treinar procedimentos, comunicação e tomada de decisão conjunta de forma célere e precisa, o que é essencial para a sobrevida das vítimas. Em uma ocorrência real, cada segundo é fundamental, e a integração entre as equipes pode fazer toda a diferença para preservar vidas. É uma oportunidade muito importante para aperfeiçoarmos a nossa capacidade de resposta diante de uma ocorrência de grande complexidade”, explica o comandante-geral do CBMBA, coronel BM Aloisio Fernandes.
“Exercícios dessa natureza permitem testar, em condições controladas, a integração entre a Marinha do Brasil e os demais órgãos envolvidos na resposta a emergências, contribuindo para o aperfeiçoamento de procedimentos, comunicações e mecanismos de coordenação, fundamentais para uma atuação rápida, segura e eficiente em situações reais”, observa o Capitão de Corveta Gabriel Marques Serrão, encarregado de Adestramento do Comando do 2° Distrito Naval.
“A participação da Salvamar nesse simulado é fundamental. Nossa orla é um dos maiores ativos de Salvador e a instituição está presente diariamente em um trecho extenso, com muitas ocorrências de afogamento. Emergências não avisam quando vão acontecer, por isso precisamos estar permanentemente preparados, treinando protocolos, comunicação e integração com os demais órgãos. Na ocorrência real, cada segundo importa, e estar pronto é o que nos permite agir rápido e preservar vidas”, avalia Kailane Dantas, coordenador do Salvamar.
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