
Identidade, diversidade e pertencimento estão no centro de Ina – Mistura das Cores, livro infantojuvenil da artista e escritora baiana Cecília Barros, que acaba de chegar ao público. A obra acompanha as experiências de Ina e sua convivência com familiares e outras crianças para abordar as diferentes formas de ser, as histórias que atravessam cada pessoa e a importância de reconhecer e valorizar as diferenças desde a infância.
O livro foi lançado durante o Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (Flifs), e agora inicia uma agenda de circulação literária que começou na quinta-feira (17) e segue até 27 de setembro. A programação reúne vivências literárias e artísticas, encontros com diferentes públicos e ações de divulgação da obra em espaços culturais e eventos artísticos de Feira de Santana e no território Payayá, em Utinga, na Chapada Diamantina.
Com uma narrativa acessível, o livro aborda temas como diversidade étnico-racial, representatividade, colorismo, padrões de beleza, ancestralidade e respeito às diferenças. A obra também dialoga com as diretrizes das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que orientam a educação brasileira para o reconhecimento e a valorização das histórias e culturas afro-brasileiras e indígenas.
A ideia de Ina – Mistura das Cores surgiu do desejo de criar uma história em que diferentes crianças pudessem se reconhecer e compreender que não existe uma única maneira de ter uma história, uma aparência ou um lugar de pertencimento. A construção da personagem reúne elementos da trajetória da autora ligados à literatura, educação, arte, memória e território.
“Espero que, quando a obra chegar às mãos das pessoas, aconteça algo mágico: que a criança, ou mesmo o adulto, abra o livro, olhe para aquelas cores e pense: eu também posso misturar as minhas cores. E, se isso acontecer, este livro terá cumprido o seu destino”, afirma Cecília.
A diversidade também é abordada pela autora a partir de sua experiência como pessoa que integra o espectro autista. Embora o livro não tenha como tema central a neurodivergência, Cecília considera que reconhecer diferentes formas de ser, sentir, perceber e estar no mundo faz parte da construção de uma sociedade mais inclusiva.
“Eu também caminho nesse território da neurodivergência. E, quando olho para Ina, vejo uma menina dizendo: eu não preciso escolher uma única cor para existir. E nós também não precisamos. Podemos ser muitas cores, muitas histórias, muitos começos, muitas possibilidades. Porque pertencimento é poder existir sem diminuir quem somos”, destaca.
Uma obra construída de forma independente
A concepção e realização de Ina – Mistura das Cores foi realizada integralmente por Cecília Barros. Da criação da história e escrita à revisão, edição, produção das ilustrações e organização da obra, todo o processo criativo foi realizado de forma independente.
Para a autora, a construção do livro também foi marcada por um período de criação silenciosa, persistência e encontros. Nesse percurso, o Instituto TeaColher aparece na obra como apoio institucional, representando acolhimento, escuta e incentivo em uma etapa da caminhada.
“Criar uma obra independente pode ser um caminho muito solitário. Às vezes, a gente precisa de testemunhas: pessoas e espaços que nos ajudem a lembrar que não estamos sozinhas e que aquilo em que estamos acreditando pode, de fato, existir”, afirma.
Literatura como experiência coletiva
O lançamento do livro também acontece através da Rede de Elos Literários, proposta desenvolvida por Cecília para aproximar literatura, arte, escola, família e comunidade e contribuir na democratização da literatura
A iniciativa prevê vivências literárias e artísticas em escolas a partir da leitura de Ina – Mistura das Cores. As atividades trabalham temas como identidade, pertencimento e diversidade por meio de diferentes linguagens artísticas, incluindo pintura e o uso do espelho como recurso de reconhecimento de si.
A proposta busca transformar o acesso ao livro em uma experiência coletiva. Após a vivência, as crianças podem participar de uma dinâmica de construção de “elos”, mobilizando familiares, amigos e pessoas da comunidade para contribuir com a aquisição da obra. Cada criança recebe uma cartela com dez elos, e cada um corresponde a uma contribuição de R$ 5. A criança apresenta a proposta às pessoas de sua rede, que podem contribuir com um ou mais elos. Ao completar os dez elos, totalizando R$ 50, ela recebe um exemplar de Ina – Mistura das Cores com dedicatória da autora.
Programação de setembro:
17/09 – Cuca | Aberto das Artes – Feira de Santana
Vivência Literária e Artística “As cores que moram em mim”, inspirada em Ina – Mistura das Cores.
18/09 – Casarão Olhos d’Água – Feira de Santana
Pela manhã, Vivência Literária e Artística “As cores que moram em mim”, dentro da programação em comemoração ao aniversário de Feira de Santana.
À noite, participação de Cecília Barros em mesa redonda da exposição “Cidade Velha Boiada”, ao lado de outros artistas.
24 a 27/09 – Território Payayá | Cabeceira do Rio Utinga
Participação em programação no território, com apresentação e exemplares de Ina – Mistura das Cores para a divulgação e circulação
Venda e mais informações: pelo Instagram @travessiascultural
Sobre Cecília Barros
Mulher negra, artista, escritora, historiadora, educadora, advogada e ativista do movimento de mulheres negras. Sua trajetória reúne literatura, educação, arte, memória, identidade e pertencimento. É licenciada em História, bacharel em Direito, possui formação em Turismo e Hotelaria, Magistério e especialização em Africanidades. Atualmente, cursa pós-graduação em Educação Escolar Indígena e Quilombola pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). Em sua produção artística e literária, desenvolve trabalhos voltados à valorização da diversidade, das relações étnico-raciais, das memórias e dos territórios. É autora de Ybirá do Barro (2025), Il Mielograno, publicado na Itália, e Ina – Mistura das Cores.
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