23 de September de 2026
Familiares cobram explicações sobre morte de trabalhador em fábrica de pré-moldados
Foto: Ed Santos/ Acorda Cidade

Como já divulgado pelo Acorda Cidade, um trabalhador de 22 anos, identificado como Marlon Amorim de Souza, morreu no início deste mês após ser esmagado por uma prensa na fábrica de pré-moldados em que trabalhava, instalada na BR-324, no bairro Limoeiro, em Feira de Santana. Na manhã desta quarta-feira (23), familiares da vítima protestaram em frente a empresa, em busca de respostas. 

No dia 10 deste mês, os pais e a esposa de Marlon estiveram na delegacia para registrar um boletim de ocorrência (B.O.) e cobrar esclarecimentos sobre as circunstâncias do acidente que matou o jovem.

Em entrevista ao Acorda Cidade nesta quarta (23), o pai de Marlon, Manoel Pereira de Souza, disse que eles também querem entender como o acidente aconteceu e por quê o corpo da vítima foi retirado do local antes da chegada do Departamento de Polícia Técnica. 

O objetivo é saber respostas e coisas que aconteceram aqui. Como tiraram o corpo do meu filho? Por que tiraram o corpo? Até agora não deram explicação nenhuma porque tiraram o corpo do meu filho. E quem tirou foi o Samu, que não era para ter tirado, quem tiraria era o DPT, sendo que meu filho foi morto com 8 segundos, meu filho já estava morto dentro da empresa e eles chamaram o Samu.”

Manoel Pereira de Souza, pai de Marlon
Manoel Pereira de Souza, pai de Marlon | Foto: Ed Santos/ Acorda Cidade

Segundo Manoel, ele não foi informado que o filho estava morto quando foi levado para o Hospital Geral Clériston Andrade. 

“Chegando no Clériston, eu achei que meu filho estava vivo ainda, não tinha uma pessoa da empresa sequer para poder dar uma informação para os pais. Chegamos lá e ficamos sem saber de nada. É isso que a gente está querendo: justiça por Marlon, justiça e respostas. Estamos sem respostas, até o dia de hoje sem resposta.”

Manoel contou que, ao chegar à fábrica para protestar e tentar conversar com a gerência, foram informados de que havia uma medida judicial que os impede de chegar a menos de 30 metros de distância do portão do local. Além disso, eles não conseguiram ler a medida, que foi colocada no portão. 

A gente está averiguando para ver essa medida, que eu não entendo como que dá uma medida dessa para essas pessoas que não estão se importando com a morte de meu filho”, disse.

Marlon Amorim de Souza
Marlon Amorim de Souza | Foto: Reprodução

Jaciene Amorim, mãe de Marlon, também falou ao Acorda Cidade que tentou pedir uma cópia ou tirar foto do documento, mas a empresa se recusou a entregar a medida. 

“O gerente falou que o problema seria nosso e da advogada, que agora se a gente quiser, a gente briga na Justiça. Estão proibindo a manifestação aqui, foi até bastante grosso até comigo. Ele disse que se a gente continuasse ia chamar a polícia para a gente.”

Apesar disso, Jaciene destacou que o grupo pretende continuar no local, espalhando cartazes, mas respeitando a ordem. 

“A gente quer que eles nos chamem para conversar, esclarecer coisas que não foram esclarecidas, como, por exemplo: meu filho saiu dali em óbito. Por que eles chamaram o Samu para tirar meu menino dali em óbito, se não podia? Quem tinha que fazer o recolhimento dele era o IML. A gente quer que ele nos explique o que realmente aconteceu e ele não quer, ele está se recusando.”

Além dos cartazes e camisas pedindo justiça, a mãe de Marlon levou ao protesto a cruz que deveria estar no túmulo do filho. Segundo ela, a empresa de pré-moldados pagou pelo sepultamento, mas inicialmente não havia autorizado a inclusão da cruz.

Jaciene Amorim, mãe de Marlon
Jaciene Amorim, mãe de Marlon | Foto: Ed Santos/ Acorda Cidade

Após novos contatos com a funerária, o item foi liberado e entregue à família, mas a empresa se recusou a pagar para colocá-lo no local onde Marlon está sepultado. 

“No dia do sepultamento, a cruz não foi. Eu entrei em contato com a funerária e eles me informaram que a empresa não tinha autorizado a cruz. A funerária entrou em contato com a empresa de novo, foi que a empresa autorizou, mas se recusou a pagar para colocar onde meu menino está. Aí a funerária trouxe para a gente aqui hoje.

Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade.

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