23 de September de 2026
Histeroscopia no Hospital da Mulher
Ilustrativa | Foto: Victoria Seixas

Neste mês de setembro, o Grupo Baiano de Oncologia (GBO), em Feira de Santana, passou a oferecer um novo exame ginecológico: a histeroscopia diagnóstica, que tem como objetivo avaliar o interior do útero. Para explicar como o exame funciona, a médica Raíssa Peixoto, do GBO, participou da edição de terça-feira (22) do programa Acorda Cidade. 

Durante a entrevista, a médica disse que o exame investiga situações como sangramentos anormais, sangramento após a menopausa, abortos de repetição, infertilidade, pólipos endometriais, mioma submucoso e outros casos nos quais não é possível visualizar apenas com a ultrassonografia. 

“Eu gosto de comparar com endoscopia, que é tão comum. Então, a endoscopia a gente avalia o estômago por dentro. A colonoscopia a gente avalia o intestino. E a histeroscopia é o exame que me permite avaliar o interior do útero, o interior da cavidade uterina. Por isso que é um exame padrão ouro. Eu consigo adentrar a cavidade por meio de uma câmera, visualizar esse endométrio, que é essa cavidade interna, posso realizar o diagnóstico e também o tratamento de algumas condições, no mesmo momento do exame.”

Aborto repetitivo e sangramento anormal

Segundo ela, em casos de aborto repetitivo, por exemplo, é necessário realizar uma avaliação mais específica, para entender se há um fator estrutural na cavidade uterína que leve aos abortamentos. 

A gente precisa de uma avaliação mais específica e a histeroscopia é sim um dos exames utilizados, porque eu preciso avaliar se tem algum fator estrutural dentro dessa cavidade que leve aos abortamentos; tem algum mioma, tem algum pólipo, tem alguma aderência, uma sinéquia ali dentro, assim como me permite realizar biópsia desse útero por dentro.”

Médica Raíssa Peixoto
Médica Raíssa Peixoto | Foto: Kaio Souza

Raíssa também explicou que, no caso de pacientes com sangramento anormal, a histeroscopia é realizada depois da ultrassom, que é sempre o exame inicial. 

“Se eu tenho pólipo ou mioma submucoso, já é indicado a histeroscopia, porque eu vou avaliar diretamente a cavidade uterina. Eu posso até remover o pólipo no momento do exame. O exame é tanto diagnóstico como pode ser tratamento. Mas eu também posso utilizar para aquelas pacientes com sangramento após a menopausa, que eu preciso afastar a possibilidade de câncer de endométrio. Então é um exame que me permite realizar a biópsia do útero.”

Questionada sobre as principais causas do sangramento uterino anormal, Raíssa afirmou que existem as causas estruturais e não estruturais. As causas estruturais se referem a algumas condições, como pólipo, mioma, adenomiose ou malignidades, tanto no colo do útero como do endométrio, como o câncer de endométrio.

Já as causas não estruturais se tratam de distúrbios da ovulação, inflamação do endométrio, que é endometrite, causas iatrogênicas, desequilíbrio hormonal, uso de terapia hormonal e anticoncepcionais, entre outros. 

“Quando a gente tem um desequilíbrio hormonal, eu posso levar o espessamento da camada interna do útero. É um dos motivos que a gente precisa realizar biópsia, porque quando eu tenho desequilíbrios constantes, eu posso levar um espessamento crônico. Então, é sempre estar levando a hiperproliferação desse endométrio, causando tanto hiperplasia como o câncer de endométrio no futuro.”

Histeroscopia como diagnóstico e tratamento

Apesar de também poder ser usado como tratamento, a médica destacou que depende da lesão, pois caso seja muito extensa, não é possível realizar a nível ambulatorial, mas pode ser realizado a nível cirúrgico, por meio da histeroscopia com uso de anestesia. 

“A histeroscopia vai ver diretamente a cavidade, então a ultrassonografia dá uma sugestão, vê um espessamento no endométrio, pode ser um pólipo. Já aí, eu entro com a histeroscopia, com uma câmera, e vejo a lesão. Então eu consigo identificar o pólipo, consigo ver como é esse pólipo, qual é a sua característica, onde está implantado, se tem uma superfície regular, consistência, e já consigo fazer a remoção.”

Para realizar a histeroscopia, a mulher não pode:

  • Estar gestante;
  • No período menstrual;
  • Em suspeita de quadro infeccioso.

Mais sobre a histeroscopia

Histeroscopia
Ilustrativa | Foto: Reprodução/ Shutterstock

De acordo com a médica, durante a histeroscopia, as pacientes podem sentir um pouco desconforto semelhante a uma cólica menstrual, dependendo de cada caso. Em casos mais complexos, pode ser necessário anestesia, com isso, o procedimento é realizado em centro cirúrgico. 

“Esse exame pode ter um pouquinho de desconforto quando realizado no consultório. Uma cólica mais forte, tipo uma cólica menstrual. Mas a dor é bem variável, vai depender do limite e do colo de cada paciente. Em casos mais complexos, que eu preciso de um tempo operatório maior, pode ser necessária anestesia sim, e aí realizamos no centro cirúrgico.” 

Raíssa reforçou que não existem outros impedimentos para realizar o exame, que também pode ser feito por mulheres virgens. “Na histeroscopia diagnóstica, eu não preciso utilizar aquele espéculo, que é aquele material que utilizamos para o preventivo ginecológico. É uma câmera bem fininha, um calibre de até quatro milímetros, então dá para fazer sim, mesmo em virgens.”

Histeroscopia no GBO

Para realizar as histeroscopias, a médica precisou fazer uma especialização com duração de um ano. Conforme Raíssa, o exame, que é recente na medicina, é considerado minimamente invasivo, sendo realizado em poucos minutos. 

“Eu queria tranquilizar as pacientes. Eu vejo que às vezes tem um receio muito grande quando tem que fazer um exame como esse, mas é super simples. É um exame de baixo risco, minimamente invasivo, em que utilizamos um material que é super específico, bem fininho. Então, a gente consegue fazer bastante coisa. Conseguimos o diagnóstico correto dessas condições e também possibilitamos o tratamento. E essa paciente, logo após, está liberada para o retorno às suas atividades.” 

Por ser recente no GBO, a histeroscopia ainda não está disponível por convênios, e só pode ser realizada apenas no serviço particular. No entanto, a gerente administrativa do GBO, Andréia Tourinho, afirmou que a unidade está em busca dos credenciamentos, para também realizar o exame nos convênios.

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