25 de September de 2026
Projeto escolar de uma menina deu origem a técnica que ajudou a devolver mais de 200 mil corais ao oceano – Imagem: Pixabay

Um projeto escolar da filha do mergulhador Ken Nedimyer, em 2000, deu origem a um dos métodos mais usados hoje para recuperar recifes de coral nos Estados Unidos. 

Nedimyer cultivava peixes tropicais e decidiu usar fragmentos de coral na atividade da menina, ligada ao programa juvenil 4-H nos Florida Keys.

A experiência caseira deu origem a uma fundação e a um sistema de cultivo submerso capaz de multiplicar corais em larga escala. 

Vinte e dois anos depois do primeiro teste, a técnica já havia permitido devolver mais de 200 mil corais ao fundo do mar.

Projeto escolar de uma menina deu origem a técnica que ajudou a devolver mais de 200 mil corais ao oceano

Nedimyer conhecia de perto o problema: acompanhava havia anos a deterioração de espécies como o coral-cervo na costa da Flórida. 

Ao ajudar a filha na atividade escolar, percebeu que pedaços quebrados de coral, que normalmente morreriam no fundo, podiam ser mantidos vivos e multiplicados.

Esses fragmentos, antes descartados, formaram a base de um método de propagação. 

A ideia era simples: em vez de deixar o coral partido se perder, era possível replantá-lo depois de crescer em cativeiro.

Os corais ramificados dos Florida Keys sofreram perdas ao longo do tempo por causa de doenças, temperaturas extremas, tempestades e episódios de branqueamento. 

Em certas áreas, colônias inteiras que sustentavam o ecossistema local minguaram.

A ausência desses corais reduz o abrigo disponível para peixes e outros animais marinhos, além de deixar o recife com menos estrutura física. 

Com menos colônias saudáveis, também cai a chance de reprodução natural e a resistência dos recifes a novos episódios extremos.

A Coral Restoration Foundation, fundação criada por Nedimyer em 2007, desenvolveu em 2011 uma estrutura batizada de Coral Tree. 

Presa ao fundo por um cabo e sustentada por uma boia, ela fica suspensa na coluna de água, longe do sedimento do leito marinho.

Pequenos pedaços de coral ficam pendurados nos braços dessa árvore artificial, expostos à luz e à circulação constante de água e nutrientes. 

Depois de crescer o suficiente, cada fragmento é retirado do viveiro e fixado diretamente em um recife natural.

Por que o cultivo suspenso funciona?

Manter os pedaços de coral longe do fundo evita boa parte dos problemas que aparecem quando eles crescem apoiados no substrato. 

O formato da estrutura também favorece a circulação de água e luz ao redor de cada colônia em desenvolvimento.

O sistema ainda facilita o acompanhamento do crescimento e permite cultivar um volume considerável de fragmentos numa área pequena. 

Quando os corais atingem o tamanho ideal, a retirada para o replantio se torna simples e rápida.

O que era um teste doméstico chamou a atenção de organizações de conservação e ganhou apoio para ampliar o trabalho para além de um único viveiro. 

A Coral Restoration Foundation se tornou referência em técnicas de propagação de corais usadas na recuperação de recifes.

O resultado é o número de corais já devolvidos ao mar: mais de 200 mil fragmentos plantados a partir de um método pensado originalmente para a tarefa escolar de uma criança nos Florida Keys.