26 de September de 2026
Unamuno é conhecido por questionar a vida
Foto: Wikimedia

“A dor é a substância da vida e a raiz da personalidade, pois somente sofrendo se é uma pessoa”. A frase resume o pensamento de Miguel de Unamuno, escritor, poeta e filósofo espanhol nascido em Bilbao em 29 de setembro de 1864.

Ele morreu em Salamanca, na Espanha, no dia 31 de dezembro de 1936, aos 72 anos, deixando uma obra marcada pelo conflito entre fé, razão e existência. Filho de Félix de Unamuno, comerciante, e de Salomé Jugo Unamuno, iniciou seus estudos na cidade natal antes de seguir para Madri.

Formação e primeiros passos na carreira

Na Universidade de Madrid, cursou Filosofia e Letras, formação que moldou o rigor intelectual visível em toda a sua produção literária.

Poeta, romancista, ensaísta, novelista e dramaturgo, Unamuno é apontado como um dos nomes centrais da Geração de 98 da literatura espanhola. Depois, seguiu para a Universidade de Salamanca, onde passou a ocupar a cátedra de grego e, uma década mais tarde, assumiu a reitoria da instituição.

O percurso universitário de Unamuno não se resumiu à graduação em Madri. Ele concluiu o doutorado com a tese “Critica del Problema Sobre el Origen y Prehistoria de la Raza Vasca“, trabalho que revelava seu interesse pelas raízes culturais e linguísticas de sua terra.

Ainda nesse período, passou a lecionar latim e psicologia, ampliando a atuação para além da literatura. A cátedra de grego viria alguns anos depois, consolidando o vínculo definitivo com a Universidade de Salamanca, onde construiria o essencial de sua carreira acadêmica.

A reitoria e o pensamento Trágico

Como reitor da universidade salmantina, Unamuno equilibrou a gestão institucional com uma produção literária intensa e provocativa. Em 1913, publicou “Do Sentimento Trágico da Vida“, uma de suas obras mais discutidas, na qual expôs um pensamento livre, conflituoso e paradoxal sobre a existência humana.

O livro lhe rendeu a condenação do Santo Ofício, mas também consolidou sua reputação como pensador incômodo diante das certezas religiosas e filosóficas de sua época. Suas posições políticas custaram, tempos depois, o afastamento do cargo de reitor.

Exílio, retorno e conflito com o franquismo

Defensor das ideias republicanas, Unamuno dirigiu críticas duras ao rei Afonso XIII e acabou deportado para Fuerteventura, no Arquipélago das Canárias, em 1924. Anistiado, seguiu para a França, onde permaneceu até retornar à Espanha após a queda do general Primo de Rivera.

Com a proclamação da república, reassumiu a reitoria de Salamanca. Mais tarde, chegou a apoiar o golpe do general Francisco Franco, mas as críticas ao general Millán-Astray levaram ao seu afastamento definitivo do cargo. Passou os últimos dias de vida em prisão domiciliar na mesma cidade onde havia construído sua carreira.