
Entre livros, teatro, música, poesia, encontros e narrativas vindas de diferentes territórios da Bahia, Itaetê, na Chapada Diamantina, recebeu, de 22 a 24 de setembro, mais uma edição da Flitê – Feira Literária de Itaetê. Durante três dias, escritores, artistas, educadores, estudantes e leitores ocuparam a praça Ademar Matos, espaços parceiros e a Orla de Itaetê em uma programação dedicada à literatura e às diferentes manifestações culturais.
Entre os participantes esteve a escritora, educadora e editora feirense Dagmar Santana, que integrou diferentes momentos da programação e levou à Flitê três dimensões de sua atuação literária: a formação de leitores, a produção autoral e a participação em coletivos culturais.
Para o público infantil, Dagmar realizou uma contação de histórias de A Corrida Mágica de Belinha, obra que aborda de maneira lúdica as diferenças, a inclusão e as possibilidades de cada criança. O encontro proporcionou aproximação direta entre autora, livro e pequenos leitores, reafirmando a importância das feiras literárias como espaços de estímulo à leitura desde a infância.
Na programação de lançamentos, a escritora apresentou duas obras de sua autoria: Autópsia, romance de caráter psicológico, e Infinitamente Mulher, obra que percorre questões relacionadas à identidade, à condição feminina, à memória, à ancestralidade e à resistência.

A participação de Dagmar se estendeu ainda ao Sarau da Ajeb -BA – Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, coordenadora Bahia e ao Sarau da Flor, iniciativa multicultural idealizada e coordenada pela cantora, escritora, arte-educadora e produtora Chá Rize, que há mais de uma década promove encontros entre poesia, música, performance e diferentes manifestações artísticas.
A edição reuniu ainda nomes como o ator, diretor e poeta Jackson Costa, a atriz Tânia Tôko, as escritoras Gal Pereira, Zé Zé Matos e Glória Terra, os escritores José Sergio e Alefi Pataxo, o dançarino e historiador Toni Silva e o escritor e palestrante Tiago Mochileiro, além de tantos outros nomes não menos importantes, evidenciando a diversidade de linguagens e trajetórias presentes na programação.
É importante ressaltar também a presença de editoras baianas como a Orama Editora, Cogito Editora, Tertúlias Editora, Rei do Livro e Editora Instituto Mulheres Inspiradoras muitos outros expositores.
Feira de Santana também esteve representada por Carla de Jesus e Mano Gavazza, artistas que desenvolvem trabalhos ligados à literatura, à música e à contação de histórias. Entre as apresentações esteve o trabalho em homenagem a “Santa Dulce dos Pobres”, relacionado ao espetáculo musical “A Princesa do Sertão Exalta a Rainha da Bahia”, projeto conduzido por Mano Gavazza e Carla de Jesus que celebram, por meio da arte, a trajetória e o legado humanitário do Anjo Bom da Bahia.

Para Dagmar Santana, um dos aspectos mais marcantes da experiência foi justamente a possibilidade de encontrar autores vindos de diferentes lugares da Bahia e perceber a literatura circulando para além dos grandes centros.
“Foi uma experiência incrível. A Flitê possibilitou encontros que dificilmente aconteceriam fora de um espaço como esse. Havia escritores e artistas de diferentes cidades, linguagens e trajetórias, crianças participando das atividades, pessoas conhecendo livros e autores e uma troca cultural muito verdadeira. Voltei de Itaetê com a sensação de que esses encontros fazem a literatura permanecer viva”, afirma.
A escritora destaca também o trabalho realizado nos bastidores da feira. Em um cenário no qual projetos culturais nem sempre dispõem dos recursos e do apoio necessários, a realização da Flitê evidenciou a importância do trabalho coletivo, da articulação e do comprometimento de quem constrói a programação.
“É preciso reconhecer quem segura um evento cultural quando as condições não são ideais. Vi uma equipe trabalhando, resolvendo problemas e acolhendo escritores e artistas para que a feira acontecesse. Há uma dimensão do trabalho cultural que o público muitas vezes não vê. Por isso, minha admiração e meu agradecimento à curadoria, à produção, aos colaboradores e à comunidade de Itaetê”, ressalta Dagmar.

A trajetória da própria Flitê está vinculada ao fortalecimento de uma rede de iniciativas literárias na Chapada Diamantina. A curadora geral Lísias Azevedo, junto com sua equipe fizeram um ato de resistência e amor a Itaetê ao fazer a Flitê acontecer mostrando a importância das feiras realizadas no interior da Bahia para a democratização do acesso ao livro, formação de novos leitores, circulação de escritores, fortalecimento da economia criativa e valorização da produção cultural dos territórios.
Ao reunir autores, artistas e público em Itaetê, a feira reafirma uma ideia simples, mas fundamental: a literatura baiana não está concentrada em um único lugar. Ela nasce, circula e se reinventa em diferentes cidades — e é no encontro entre essas vozes que ganha ainda mais força.
Sobre Dagmar Santana
Dagmar Santana é escritora, educadora, linguista, editora e produtora cultural, natural de Feira de Santana. Mestre em Estudos de Linguagens, atua na formação de leitores, na produção literária e em projetos voltados à circulação do livro e da literatura baiana.

É autora, entre outras obras, de Autópsia, Infinitamente Mulher e A Corrida Mágica de Belinha, e participa de associações, academias e coletivos literários, entre eles a Ajeb. À frente da Orama Editora, desenvolve ações de publicação, formação de leitores e circulação de escritores em feiras e festivais literários.
Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e do grupo no Telegram