27 de September de 2026
oficina de carros elétricos e híbridos
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

A expansão dos veículos híbridos e elétricos tem aumentado também a necessidade de profissionais especializados para realizar a manutenção desses automóveis. Em Feira de Santana, o mercado de trabalho acompanha esse crescimento e já sente os efeitos da falta de mão de obra qualificada para atender à demanda por esse tipo de serviço.

Em entrevista ao Acorda Cidade, Cliverton Abreu, proprietário de uma oficina mecânica no município feirense, explicou que, há cerca de três meses, a empresa divulgou vagas nas redes sociais e em meios de comunicação em busca de profissionais com experiência e certificação para trabalhar com veículos híbridos e elétricos, mas não conseguiu encontrar mão de obra com esse perfil na cidade.

“Infelizmente, a gente não conseguiu encontrar na cidade profissionais bons e qualificados para esse setor, com certificado e com experiência na área”, afirmou.

Cliverton Abreu, proprietário de uma oficina mecânica
Cliverton Abreu, proprietário de uma oficina mecânica | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Para Cliverton, um dos principais motivos para a escassez é a falta de escolas técnicas especializadas na Bahia. “Aqui na Bahia, em si, a gente está sem escolas técnicas para poder formar profissionais nessa área de híbridos e elétricos. Por isso essa escassez no mercado hoje de profissionais nessa área”, explicou.

Riscos e treinamento de capacitação

De acordo com o profissional, a manutenção desses veículos exige cuidados diferentes dos carros convencionais, principalmente por causa dos sistemas de alta tensão. Segundo o empresário, as baterias instaladas no assoalho podem ultrapassar 1.000 volts e representam risco para profissionais sem capacitação.

“Se você não souber dar um manuseio, uma manutenção correta num carro, de uma simples suspensão, uma simples pastilha de freio, o mecânico que não tem a qualificação, não tem o conhecimento técnico, ele põe até a vida dele em risco”, alertou.

Cliverton destaca ainda que o treinamento é necessário para garantir a segurança do profissional, do cliente e do ambiente da oficina.

“Você tem que ter um curso técnico, tanto uma capacitação para você conseguir manusear o carro como uma capacitação para poder cercar a área, ficar uma área de segurança para poder ninguém mexer no carro e tomar uma descarga elétrica”, disse.

oficina de carros elétricos e híbridos
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Remuneração

De acordo com Cliverton, profissionais qualificados podem cobrar mais pelos serviços. Uma simples desenergização de um veículo, que é o procedimento de desligar e isolar a energia elétrica do veículo antes de realizar a manutenção com segurança, por exemplo, pode custar entre R$ 800 e R$ 1.400.

“A remuneração é muito boa. A escassez hoje no mercado é muito grande. Então, consequentemente, a lei da demanda e da procura está grande”, afirmou.

Aumento na procura por carros elétricos

A expectativa é de que a procura aumente nos próximos anos. “Os carros, por exemplo, vou citar aqui o BYD, o Haval, eles devem chegar lá para o ano que vem ou, daqui a dois anos, no máximo, uma avalanche de carros elétricos. Mas a gente já tem híbridos rodando no Brasil há mais de 10, 12 anos. O Corolla Cross, por exemplo, já saiu da garantia, muitos. Então, já está chegando aqui na oficina para fazer o rodízio de célula, para fazer a manutenção na bateria. Então, já está chegando carro híbrido e elétrico aqui na oficina, independente se está na garantia ou não, já chega”, detalhou o proprietário.

Quilometragem

O empresário também falou sobre o uso dos veículos elétricos por taxistas. Segundo ele, a autonomia e o tempo de recarga ainda podem ser obstáculos para quem utiliza o carro para trabalhar.

“O carro elétrico ainda tem essa dificuldade em termos de autonomia, porque geralmente o padrão é 300 km com uma carga. E aí o taxista roda muito”, explicou.

Formação de profissionais

Diante desse cenário, Cliverton decidiu investir na formação de profissionais em Feira de Santana. Recentemente, a empresa realizou um curso sobre veículos híbridos e elétricos com 30 vagas, todas preenchidas por participantes de diferentes cidades da Bahia e também de Aracaju.

“Foi um sucesso. A gente disponibilizou 30 vagas. Veio gente da Bahia toda, veio pessoal de Aracaju para se qualificar, equipar sua oficina e trazer conhecimento para os seus funcionários”, contou.

Segundo Cliverton, o local ainda deve oferecer novos cursos nas áreas de mecânica, eletrônica e veículos híbridos e elétricos. Os valores variam entre R$ 2 mil e R$ 4 mil, dependendo da formação e da duração.

“Geralmente tem turmas de 20 a 30 estudantes. Mas vai ter cursos bem específicos, que são cursos mais avançados. Aí a gente não vai poder colocar 20 nem 30, a gente coloca 5 ou, no máximo, 10 alunos. A formação de conhecimento básico para híbridos e elétricos pode durar dois dias intensos”, detalhou.

Troca por elétricos

Apesar da resistência de algumas pessoas à adoção de carros elétricos, outros consumidores já reconhecem as vantagens oferecidas por esse tipo de veículo. É o caso de uma empresa de Maria Quitéria, distrito de Feira de Santana. A De Sá Informática, de telecomunicações e provedor de internet, substituiu gradualmente seus veículos convencionais por elétricos.

O empresário Jardeson Silva de Sá explicou que as mudanças foram acontecendo aos poucos, conforme os resultados do dia a dia foram aparecendo. Ele destacou aspectos sobre a rotina, o carregamento, a economia e a manutenção dos veículos.

Jardeson Silva de Sá
Jardeson Silva de Sá | Foto: Arquivo pessoal

“A rotina do uso dos carros elétricos é uma rotina praticamente normal, igual à de um carro de combustão. Tem um diferencial, que a gente tem que parar para abastecer o carro. Da mesma forma que você tem que parar para abastecer um carro a combustão, você tem que parar também para abastecer o carro elétrico”, explicou o empresário ao Acorda Cidade.

Carregamento

Na empresa, os veículos são carregados durante a noite, período em que não estão sendo utilizados. Segundo Jardeson, a dificuldade de encontrar pontos de carregamento também vem diminuindo.

“Com a grande aceitação dos carros elétricos, está se investindo muito em postos, em eletropostos. Então, hoje, para se fazer uma viagem, por exemplo, daqui para Aracaju, já se consegue fazer. Pode parar um pouco para tomar um café enquanto o carro está carregando ali no posto e já terminou, você segue viagem”, disse.

carregamento de um carro elétrico
Foto: Arquivo pessoal

Apesar da facilidade, Jardeson conta que é necessário planejar o trajeto antes de viajar para identificar os locais disponíveis para recarga.

“Temos várias opções de carregamento, desde que se faça um planejamento de viagem para entender, no percurso que você vai fazer, onde são os pontos estratégicos para parar e carregar.”

Economia

Outro aspecto apontado pelo empresário é a economia, que pode chegar a cerca de 70% em comparação à gasolina.

“Se você carrega esse carro em casa sem uma energia solar, você economiza em torno de 70% do valor que você gastaria com gasolina. Conta de padeiro: você está gastando R$ 100 por mês, vai gastar R$ 30; você está gastando R$ 1.000 por mês, vai gastar R$ 300”, explicou.

A economia pode ser ainda maior caso a pessoa tenha energia solar em casa.

“Eu tenho energia solar instalada na minha empresa e rodo o mês todo com os carros. Quando chega no fim do mês, eu pago a taxa mínima de energia. Então, eu rodo de graça em relação a combustível”, afirmou.

carregamento de um carro elétrico
Foto: Arquivo pessoal

Manutenção

Apesar das vantagens, Jardeson aponta a manutenção como um dos principais desafios dos veículos elétricos. “Hoje são poucas as empresas que dão manutenção nos carros elétricos”, afirmou.

Para ele, a falta de mão de obra qualificada torna os serviços mais caros. “É um sistema muito mais simples depois de resolver o problema do que um carro a combustão. São menos itens, são menos peças. Mas a mão de obra qualificada é que torna caro. Teve um curso recentemente aqui em Feira de Santana, e a gente está buscando soluções para que esse cenário mude”, disse.

Experiência

Na experiência da empresa, a mudança do carro a combustão para o elétrico também representou redução nos gastos com manutenção.

“Foi um divisor de águas. Quando a gente saiu do carro a combustão, com custo alto de manutenção, revisões, troca de óleo a cada 10 mil, peças danificando muito fácil, e mudamos para o carro elétrico… Eu tenho um carro que tem três anos rodando e nunca deu problema nenhum”, relatou o empresário.

Com informações do repórter Ney Silva e da jornalista Daniela Cardoso, ambos do Acorda Cidade.

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