
A Polícia Civil da Bahia reforçou o efetivo para garantir a segurança durante as eleições de 2026 nos municípios que integram a 1ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin). As equipes atuarão em plantões específicos para atender ocorrências relacionadas à votação, com delegados, investigadores e escrivães de serviço nas unidades.
Em entrevista ao Acorda Cidade, o delegado e diretor regional da Polícia Civil, Yves Correia, explicou que o trabalho que antecede as eleições já vem sendo realizado há meses, por meio de planejamentos prévios e operacionais.
“Diversas operações ocorreram aqui na região Leste, bem como em toda a Bahia, pela Polícia Civil. Operações qualificadas buscando autores de crimes de homicídio, tráfico e estupro, por exemplo.”

Esquema de plantões
Com a proximidade das eleições, o delegado destacou que um grande esquema foi montado para atender as ocorrências que possam acontecer nos 84 municípios que fazem parte da Coorpin.
“Teremos todas as delegacias funcionando, além dos plantões que são naturais e extraordinários na sede, que ocorrem aos finais de semana. Nada mudou em relação a isso, mas teremos plantões específicos focados diretamente nas ocorrências das eleições. Então, teremos delegados, investigadores e escrivães em cada unidade para atender a população, a fim de que exerçam a sua possibilidade de votar de forma tranquila e sem maiores intercorrências.”
Equipes escaladas
De acordo com o delegado, na 1ª Coorpin, mais de 50 servidores estão escalados para atuar na região de Feira de Santana e 1ª Coorpin de modo geral.
“Se formos calcular 84 municípios, no mínimo, vezes três, nós veremos que dará uma quantidade importante de servidores da Polícia Civil atuando. Estaremos em todas as unidades, sempre trabalhando de forma integrada com a Polícia Militar, com a Polícia Federal, com as demais forças para levar segurança à população.”
Como fazer uma denúncia?
Caso uma pessoa seja vítima de um crime eleitoral, é necessário registrar uma denúncia na delegacia ou procurar a Justiça Eleitoral. Yves Correia ressaltou que a Polícia Militar, que estará nas ruas realizando um trabalho preventivo e ostensivo, também pode ser procurada. Outro meio de denúncia é o canal da Secretaria de Segurança Pública, 181.
“Estaremos nas unidades para poder recepcionar qualquer tipo de denúncia. Ao mesmo tempo, também existe o canal da Secretaria de Segurança Pública, que é o 181, canal universal para quaisquer tipos de crimes, no qual a população pode, de forma anônima, denunciar.”
Candidatos e eleitores não podem ser presos; entenda
Yves destacou que, 15 dias antes das eleições, candidatos não podem ser presos preventivamente ou temporariamente, salvo em caso de flagrante delito, crimes inafiançáveis, condenação por sentença penal condenatória ou descumprimento de salvo-conduto.
A restrição também se aplica aos eleitores a partir desta terça-feira (29) até o domingo (4).
“Em relação aos eleitores — e não qualquer pessoa, eleitores —, a partir desse dia 29, até o dia 4, que é domingo, nenhum eleitor pode ser preso nessas situações, salvo em caso de crime inafiançável, por sentença penal condenatória por crime inafiançável, descumprimento de salvo-conduto ou então nos casos que mencionei também para os candidatos.”
Yves também destacou que, dois dias após as eleições, ou seja, 48 horas após as eleições, até o dia 6 de outubro, portanto, a mesma regra continua, que está prevista no artigo 236 do Código Eleitoral, estabelecendo que a polícia não pode também efetivar uma prisão cautelar, por exemplo, prisão preventiva, prisão temporária.
“Então, nesse sentido, as operações especificamente para esses mandados estão suspensas. Por outro lado, estamos de olho, pois, se estivermos diante de uma situação flagrancial, seja de crime eleitoral ou de quaisquer outros tipos de delitos comuns, a Polícia Civil e a Polícia Militar atuarão para retirar estes indivíduos de circulação.”
Crimes
Entre os crimes que podem ser considerados inafiançáveis estão alguns crimes hediondos, como homicídio qualificado, estupro e latrocínio, conforme explicou o delegado. Yves também citou a prática de boca de urna como uma das ocorrências que estarão no radar das equipes durante a votação.
Sala de Consciência Situacional
Na sede da 1ª Coorpin, em Feira de Santana, também funcionará a Sala de Consciência Situacional. De acordo com Yves, o espaço terá a função de reunir informações das unidades policiais e facilitar a comunicação entre as equipes durante o período eleitoral.
A sala também vai permitir uma interlocução direta com a gestão superior da Polícia Civil e outros órgãos envolvidos na operação, possibilitando respostas mais rápidas às ocorrências registradas na região.
“É como se fosse uma central em que a gente pode receber as informações de todas as unidades que estão operando e, ao mesmo tempo, sanar dúvidas relacionadas a qualquer tipo de ocorrência, fazendo uma interlocução direta com a gestão superior, com o delegado-geral, com a diretora do Dirpin e com os demais órgãos que atuam em Salvador, para que a gente consiga, de plano, dar respostas aqui no âmbito regional.”
Plantões começam no sábado
Ao Acorda Cidade, o delegado Rafael Almeida, coordenador da Polícia Civil, detalhou que, a partir deste sábado (3), haverá plantões completos em todas as unidades que integram a 1ª Coorpin. Segundo ele, serão nove municípios, além de Feira de Santana, com equipes formadas por delegados, investigadores e escrivães.

Na sede, em Feira de Santana, também haverá profissionais responsáveis pela Sala de Consciência Situacional. O Grupo de Apoio Tático (GAT) ficará em situação de pronto emprego para atuar, caso seja necessário, em qualquer um dos municípios da região.
Crimes graves
Sobre ocorrências consideradas graves durante as eleições, Rafael Almeida afirmou que qualquer crime eleitoral será tratado com atenção, já que pode interferir no processo eleitoral.
Entre as situações citadas pelo delegado está o transporte ilegal de eleitores.
“Os crimes mais graves que a gente pode encontrar, na maioria das vezes, nestes dias de eleições é o transporte ilegal de eleitores. As pessoas insistem em transportar ilegalmente, patrocinar a ida do eleitor de povoados até a sede para a votação com o intuito de ganhar o voto daquele eleitor, isso é crime, e é um crime inafiançável e passível de prisão.”
Segundo Rafael, a Polícia Civil também já trabalha com um planejamento para o período após a votação, incluindo o acompanhamento das comemorações. Ele avaliou que o período de campanha transcorreu de forma tranquila na região, sem grandes ocorrências.
Trabalho integrado
Durante as eleições, a Polícia Militar ficará responsável principalmente pelo policiamento ostensivo nas proximidades dos locais de votação, enquanto a Polícia Civil permanecerá de plantão nas delegacias para atender ocorrências que necessitem de investigação ou registro de flagrante.
O delegado também orientou os eleitores a exercerem o direito ao voto com tranquilidade e evitarem conflitos durante o período eleitoral. “Que a coisa ocorra de maneira sadia, tranquila, que todos tenham isso em mente”, disse.
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade.
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