
Um grupo de paleontólogos liderado por Tarek Yassin, da Cairo University, encontrou um antigo cemitério de tubarões no deserto Ocidental do Egito.
Divulgada na revista Cretaceous Research em 18 de agosto de 2026, a descoberta mostra que a região, hoje seca, já foi coberta por um mar raso e tropical, repleto de vida marinha.
O achado resultou de anos de trabalho de campo no Abu-Tartur Plateau, no meio do deserto. Entre 2020 e 2022, a equipe internacional viajou várias vezes ao platô e retirou das rochas escuras, ricas em fosfato, 14 estruturas fossilizadas datadas de 70 a 80 milhões de anos.

Formatos que revelam hábitos de caça
As peças recolhidas tinham formatos e funções diferentes. Algumas eram finas e afiladas, ideais para prender presas escorregadias. Outras tinham bordas largas e serrilhadas, próprias para cortar.
A análise detalhada identificou cinco espécies de tubarão entre os vestígios. Duas delas nunca tinham sido registradas no Egito antes.

Parentes de espécies raras
Entre as espécies identificadas está um parente antigo do atual tubarão-duende, criatura que vive em grandes profundidades. O achado pode ser o primeiro registro no continente africano e, possivelmente, o exemplar mais recente já encontrado dessa linhagem.
A equipe também reconheceu uma espécie extinta conhecida como tubarão-corvo. As cinco espécies identificadas se somam a outras duas já catalogadas no mesmo local em pesquisas anteriores e ampliam o quadro da fauna marinha da região.
Um processo lento, não um desastre
Segundo Yassin, o cemitério não surgiu de um evento catastrófico repentino. Ele se formou ao longo de milhões de anos, enquanto gerações de tubarões perdiam suas estruturas bucais no fundo do mar. Aos poucos, o sedimento cobriu esses vestígios.
Com o tempo, esse sedimento virou rocha e preservou os vestígios em seu interior. Assim, é possível que as diferentes espécies nem tenham existido na mesma época.
A descoberta revela um ecossistema marinho mais diverso do que se imaginava para essa parte do norte da África. A equipe pretende continuar explorando o Abu-Tartur Plateau em busca de outros vestígios.