
O filósofo Francesc Torralba, doutor em Filosofia e Teologia, afirma que “Uma criança pode ser uma fonte infinita de felicidade, mas também uma fonte infinita de sofrimento“.
A decisão de ter filhos divide opiniões e leva quem a enfrenta a refletir sobre as consequências da escolha. Torralba também reconhece que alguns pais se arrependem, embora raramente admitam isso publicamente.
A paternidade, segundo o filósofo, exige entrega enorme e representa uma forma de “ato de donação”. Nem sempre o resultado compensa o esforço dedicado, e ele rejeita críticas simplistas a quem opta por não ter filhos, considerando essa escolha legítima quando alguém busca a própria felicidade.
Um mundo incerto para trazer filhos

As mudanças climáticas, a falta de controle sobre a inteligência artificial e a presença de líderes políticos narcisistas levam a questionar a decisão de trazer uma criança inocente ao mundo. A vulnerabilidade do futuro pesa na escolha de muitos casais.
Apesar dos desafios, o filósofo define a paternidade como “uma bênção” e uma oportunidade de oferecer a outra pessoa o privilégio de viver. Para ele, criar um filho permite que essa pessoa desenvolva o próprio projeto de vida.
InstagramA recompensa aparece quando, graças ao esforço e à dedicação dos pais, o filho realiza esse projeto, algo que, segundo Torralba, traz felicidade infinita.
Pais não devem ser amigos dos filhos
Torralba também se posiciona contra a ideia de que pais e filhos devem ser amigos. Para ele, a relação parental é diferente da amizade: envolve responsabilidade, uma assimetria natural e a necessidade de estabelecer limites. Por isso, considera um erro os pais tentarem assumir o papel de amigos.
Desde o início, eles precisam corrigir, premiar, estabelecer limites e servir de exemplo.
Para o filósofo, compreender os limites do papel parental e abraçar essa função com clareza representa o verdadeiro legado que pais podem deixar. Reconhecer tanto a alegria infinita quanto o sofrimento potencial que filhos trazem é parte essencial da maturidade emocional e filosófica de quem decide se tornar pai ou mãe.
