
A araponga-de-garganta-nua e a seriema emitem os cantos mais intensos já registrados entre as aves do planeta. Com picos sonoros acima de 120 decibéis, seus gritos superam o volume de uma motosserra ou britadeira em operação.
A descoberta foi publicada na revista científica Evolution, em um estudo da Universidade de Massachusetts Amherst que mediu a amplitude vocal de 123 espécies em regiões próximas a Amherst e em diferentes áreas do Brasil.
Por que essas duas aves gritam tão alto
O corpo grande e a abertura larga do bico foram os principais fatores associados aos sons mais intensos registrados pelos equipamentos.

A seriema é a maior espécie analisada no levantamento, enquanto a araponga tem um bico desproporcionalmente largo para seu tamanho corporal.
A araponga-de-garganta-nua é uma ave florestal endêmica da Mata Atlântica que vive no topo de árvores altas. Típica de ambientes abertos, a seriema é encontrada no Parque Estadual Carlos Botelho em gramados, jardins e estradas com pouca cobertura vegetal.
Diferenças extremas no reino das aves
No extremo oposto da escala sonora, o beija-flor emite cantos em torno de 64 decibéis, volume comparável ao de uma conversa cotidiana. O contraste mostra como o tamanho corporal influencia diretamente a potência vocal, mesmo entre aves do mesmo continente.

Os pesquisadores não encontraram, contudo, uma ligação geral entre o volume do canto e características como tipo de habitat, capacidade de voo ou padrões de acasalamento.
Onde essas aves vivem
O Parque Estadual Carlos Botelho, em São Miguel Arcanjo (SP), abriga mais de 400 espécies de aves catalogadas. Entre elas, 25 estão ameaçadas de extinção, incluindo a araponga-de-garganta-nua e a seriema. As duas têm cantos comparáveis aos de máquinas pesadas, que ecoam pela mata e pelos campos abertos do parque.