3 de October de 2026
Número de jovens que não cumprem a meta de exercícios da OMS chama atenção – Imagem: Pixabay

No Brasil, mais de seis em cada dez adultos ficam aquém do mínimo de exercícios indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), colocando o país na terceira colocação entre as nações com maior índice de sedentarismo. 

O dado consta de um levantamento internacional conduzido em 31 países, com 34 mil participantes, em julho de 2026.

A faixa dos jovens entre 18 aos 24 anos apresenta o desempenho mais baixo entre todas as idades cobertas pelo estudo, batizado de Relatório de Preservação do Movimento e encomendado pela marca esportiva ASICS.

57% desses jovens ficam abaixo dos 150 minutos semanais de atividade moderada que a OMS considera o mínimo saudável.

Número de jovens que não cumprem a meta de exercícios da OMS chama atenção

Em média, os brasileiros passam 16 horas acordados, e ficam praticamente parados durante 88% desse tempo, cerca de 14 horas por dia. 

Ficar dias seguidos dentro de casa também deixou de ser exceção: 53% dos entrevistados dizem que suportariam três dias ou mais sem precisar sair.

Entre os mais jovens, essa tolerância ao confinamento doméstico é ainda maior. 

Passar longos períodos deitado diante de uma tela virou rotina para 46% dos participantes de 18 a 24 anos. 

Outros 39% relatam permanecer muito tempo na cama usando o celular, e 30% mencionam passar noites inteiras sem levantar do lugar.

Quarenta e um por cento dos brasileiros resolvem tarefas e fazem compras regularmente pelo celular, e 61% preferem uma chamada de vídeo a um encontro presencial. 

A rotina digital substituiu etapas que antes exigiam deslocamento físico, da ida ao mercado ao encontro com amigos.

Da Universidade do Sul da Califórnia, o professor David Raichlen argumenta que a sociedade moldou um estilo de vida em que se mover virou escolha, não necessidade. 

Segundo ele, trabalho, consumo, convívio social e lazer hoje cabem na palma da mão, só que corpo e mente continuam exigindo movimento para funcionar bem.

Fazer qualquer quantidade de atividade física já traz ganhos, mesmo sem atingir a meta semanal completa, segundo a OMS. 

A entidade também recomenda evitar longos períodos de sedentarismo com pausas ativas ao longo do dia. 

Caminhar, pedalar ou simplesmente levantar da cadeira com frequência já conta como progresso.

Telas e inteligência artificial no lugar do corpo

A geração mais jovem também lidera o uso de ferramentas digitais para reduzir esforço físico ou mental no cotidiano. 

Compras on-line, redes sociais e trabalho remoto estão entre os hábitos que mais mudaram a forma como as pessoas organizam o dia a dia, segundo o relatório.

Para 64% dos entrevistados, é fácil passar um dia inteiro praticamente parados, percepção que ajuda a explicar por que a inatividade deixou de ser vista como problema. 

Entre os jovens de 18 a 24 anos, 92% relatam pelo menos um impacto negativo associado à falta de movimento.

Redução da motivação e baixo humor são mencionados por 40%, e letargia, por 38%.

Reverter esse quadro não depende de reformular a rotina inteira, mas de reduzir o tempo sentado e aproveitar pequenos deslocamentos ao longo do dia. 

Trocar a chamada de vídeo por um encontro presencial ou substituir a entrega por uma caminhada até o mercado já reduz o tempo parado.