
Como já divulgado pelo Acorda Cidade, o derrame de santinhos no domingo (4) de eleições deixou as ruas de Feira de Santana cheias de papéis em calçadas, vias públicas, entradas de residências e estabelecimentos comerciais após o primeiro turno das eleições. A sujeira acumulada em pontos como o Colégio Estadual Gastão Guimarães e o Colégio Estadual Assis Chateaubriand mobilizou agentes de limpeza e gerou alerta do Ministério Público.
Em entrevista, o promotor Audo Rodrigues, que atuou pela 157ª Zona Eleitoral destacou que, em Feira de Santana, o pleito foi tranquilo, sem nenhuma prisão em flagrante, poucas urnas trocadas e cerca de três casos de natureza criminal encaminhados para a Polícia Civil. No entanto, ressaltou o derrame de santinhos como um “fato negativo”.
“Um fato negativo que eu costumo dizer e já disse em outras oportunidades, que foi verificado numa intensidade muito maior de outras eleições, foi a quantidade do derrame de santinhos nos colégios eleitorais, e com um agravante de que isso não se restringiu apenas àqueles colégios. Isso precisa ser revisto, as autoridades, os nossos legisladores precisam ficar atentos a isso.”

Audo também chamou atenção para os aparelhos celulares, que tem crescido cada vez mais e reduzem a necessidade e utilização dos santinhos. Além disso, salientou outros pontos, como cartazes que são colados em vários pontos da cidade.
“Visitei vários colégios eleitorais e não vi ninguém pegando um santinho do chão para conferir o número do seu candidato. Hoje temos uma quantidade muito grande de smartphones circulando e as pessoas têm muito fácil acesso aos números de seus candidatos. Eu utilizei a minha colinha num pedaço de papel e eu vi muita gente também tratando dessa forma. Eu queria entender o porquê ainda se faz, não só os santinhos, mas também por exemplo, cartazes em locais públicos, a cidade está horrível.”
Segundo ele, falta conscientização dos candidatos, mas é necessário ter um “empurrão legislativo”, para que assim, como carros de som e comícios, os materiais impressos seja proibidos.
“Os responsáveis por essa legislação, que outrora proibiram a existência de carros de som e comícios, precisam também pensar nesta proibição. Isso é gasto de campanha custeado por nós através do fundo eleitoral, e se nós conseguirmos retirar essa circulação de materiais impressos, eu acredito que isso seja um grande avanço eleitoral aqui no país.”

Função do Ministério Público e 2º turno
Questionado sobre a função Ministério Público durante as eleições, o promotor afirmou que o órgão é “guardião do Estado Democrático de Direito”, acompanhando a regularidade do pleito, fiscalizando irregularidades e atuando ao lado das juntas eleitorais.
“Num dia desses de eleição, nós estamos aqui a postos desde cedo, acompanhando toda a regularidade do pleito eleitoral, trabalhando ao lado dos juízes eleitorais, das juntas eleitorais, fiscalizando tudo aquilo que foi verificado de irregularidade que foi levada ao conhecimento, tratando da propaganda eleitoral também, tentando coibir e coibindo, ingressando com as ações judiciais cabíveis, dando os pareceres necessários naquela situação.”
Com o segundo turno para presidência da República, Audo destacou que, por ser apenas um voto, o pleito deve ser mais rápido, com filas menores.
“Com uma situação menor, porque é apenas um voto na urna, a eleição vai ser mais rápida. A gente acredita que não venhamos a ter várias filas como foram ocasionadas agora na eleição de unidade do primeiro turno, mas que tudo ocorrerá dentro da normalidade também aqui em Feira de Santana.”
“Todo ano é a mesma coisa”
O derrame de santinhos foi bastante vista no Colégio Estadual Gastão Guimarães. Ao Acorda Cidade, Almir Moreira, que trabalha na instituição há sete anos, disse que a situação é comum em todas as eleições. No entanto, de acordo com ele, o volume foi muito maior neste ano.
“Tem santinho demais. Todo ano é a mesma coisa. Lá na área interna também tem. Ficamos muito cansados. A gente varre, parece que volta mais. Esse ano foi o dobro do triplo, muito mais santinho.”

Além disso, ele afirmou que a equipe de limpeza da Prefeitura Municipal não havia chegado ainda para atuar na remoção dos papéis. “Não chegou não. Tudo ali sentado ali olhando para a cara da gente.”
Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade.
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