6 de October de 2026
Cobertura Eleições 2026
Foto: Kaio Vinícius/Acorda Cidade

Após participar da cobertura feita pelo grupo Acorda Cidade do 1º turno das eleições gerais de 2026, o médico e comentarista político convidado César Oliveira apresentou um balanço parcial do pleito e analisou os cenários para o segundo turno da disputa presidencial.

Durante a entrevista, que ocorreu momentos após César deixar o estúdio da Rádio Sociedade News FM, após mais de 16 horas de cobertura, o médico também avaliou a reeleição de Jerônimo Rodrigues ao governo da Bahia e a dificuldade de Feira de Santana eleger representantes com identificação direta com o município para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados.

Cenário Nacional

Como foi divulgado pelo portal Acorda Cidade, na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançaram para o segundo turno. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 45,16%.

flaviolula
Foto: Arte/Agência Brasil

“ Nós tivemos um tsunami da direita e do centrão, motivado sobretudo por esse movimento, talvez de rejeição ou de um antipetismo que está muito inserido na sociedade e, ao mesmo tempo, um recado do eleitor a esses movimentos finais que foram feitos dentro do TSE e dentro do STF, claramente motivados por interesses eleitorais, violando a norma jurídica do país, o princípio do juiz natural, a autonomia do TSE, numa interferência indevida, tentando beneficiar um candidato”, disse César Oliveira.

O comentarista avaliou ainda a distribuição dos votos dos candidatos que ficaram fora do segundo turno. Para ele, parte desses eleitores tende a se aproximar de Flávio Bolsonaro, enquanto Lula teria maior dificuldade para conquistar esses votos. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.

Doutor César Oliveira
Doutor César Oliveira

“Talvez o Renan possa dividir os votos, mas o Curi, o Caiado e o Zema são votos que se dirigem naturalmente para a direita e, portanto, mais difícil de Lula captar esses votos. Então, salvo se acontecer alguma coisa muito inusitada, algum evento, enfim, e fora do contexto normal, a tendência que favorece realmente a eleição de Flávio Bolsonaro”, explicou o médico.

Governo da Bahia

Na Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito governador no primeiro turno. O candidato recebeu 55,80% dos votos válidos, segundo o TSE. Para César Oliveira, o resultado mantém uma característica histórica do eleitorado baiano, com forte votação para o PT e para o presidente Lula.

“Esse voto é um voto consolidado, cristalizado, é um voto que não se modifica. E esse voto é direcionado ao PT e aos componentes do PT, seja o governador, seja os senadores. A Bahia sempre dá alguma coisa ao redor de 60 a 70% dos votos ao presidente Lula. E mais uma vez o percentual ficou aí ao redor dos 65%, mostrando que mais uma vez não houve modificação desse cenário político da Bahia.”

O comentarista também avaliou o desempenho de ACM Neto (União) e afirmou que o ex-prefeito de Salvador teve uma votação inferior à registrada na eleição anterior para o governo estadual.

Doutor César Oliveira
Doutor César Oliveira | Foto: Kaio Vinícius/Acorda Cidade

“Lula, evidentemente, ganhando ou perdendo, ele estará fora da eleição de 2030. E, consequentemente, também Bolsonaro, ele repetiu agora na sua entrevista pós-eleição que ele não pretende ser candidato à reeleição. Portanto, nós estamos vivendo uma transição política importante e que irá posteriormente se refletir aqui na Bahia”, disse.

O médico continuou a explicação: “Que desenho haverá na Bahia posteriormente em 2030 nós ainda não vamos saber, mas o resultado do estado é um resultado esperado dentro do contexto de voto que o PT tem mostrado desde 2010, repetindo várias vezes essa mesma votação. Então, não haveria por que suspeitar de que esse voto não tivesse sido entregue ao PT novamente.”

Feira de Santana

Por fim, o médico foi questionado a fazer uma análise mais profunda sobre a fotografia eleitoral de Feira de Santana. Ao tratar da política local, César Oliveira voltou a discutir a dificuldade de a cidade princesa eleger deputados estaduais e federais diretamente identificados com o município.

candidatos políticos
Foto: Arte / Acorda Cidade

Segundo César, existe uma contradição entre a cobrança para que os eleitores feirenses votem em candidatos da cidade e a atuação das próprias lideranças políticas locais, que apoiam candidaturas de outros municípios.

“Eu acho que a gente fica cobrando de que o eleitor feirense vote em candidatos da cidade, não em candidatos de fora, mas é muito difícil que o eleitor faça isso se as próprias lideranças políticas trazem esses candidatos de fora”, afirmou.

Para o comentarista político, os dois principais grupos políticos de Feira de Santana não teriam formado uma estrutura capaz de garantir uma bancada local na Assembleia Legislativa da Bahia e na Câmara dos Deputados.

“Evidentemente que a cidade vai sofrer, a cidade vai ficar carente e a cidade vai obter menos do que o que ela poderia obter se tivesse uma representação realmente com deputados locais, tanto estadual quanto federal. E isso é algo que os líderes políticos locais precisam repensar pra gente ter um futuro melhor em Feira de Santana”, finalizou César Oliveira.

Com informações do jornalista Jefferson Araújo, do Acorda Cidade.

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