7 de October de 2026
Remoção de barragem devolve habitat aos salmões
Foto: Corey Arnold, National Geographic

Quando quatro barragens foram removidas do Rio Klamath em 2024, cientistas buscaram entender com que velocidade o salmão Chinook recolonizaria os 640 quilômetros de habitat que lhe haviam sido negados por mais de um século. Os primeiros resultados superaram as expectativas: durante as duas primeiras estações de migração, os salmões reapareceram em 88% de sua distribuição histórica documentada.

Um estudo publicado na revista Scientific Reports estima que 7.742 salmões Chinook migraram rio acima em 2024, número que saltou para 13.310 em 2025. Os pesquisadores utilizaram sonar de alta resolução para rastrear a passagem dos peixes e levantamentos terrestres para documentar até onde os salmões se espalharam pelo sistema fluvial reaberto.

Como a reconstrução do habitat ocorreu

Foto: Wikimedia Commons

Os levantamentos terrestres registraram salmões em 345 quilômetros de habitat reconectado, com peixes alcançando Beatty Gap no Rio Sprague, a 1.250 metros de altitude e mais de 580 quilômetros do Oceano Pacífico.

Para chegar lá, tiveram de transpor os antigos locais das barragens, corredeiras de classe IV, as comportas nos diques Keno e Link River e o Lago Klamath Superior. A geografia do Rio Klamath parece ter acelerado essa recolonização de forma incomum.

A bacia superior contém áreas relativamente amplas com baixo gradiente, incluindo rios alimentados por nascentes que fornecem habitat de água fria. Essa configuração é descrita como um “rio invertido”, pois grande parte da bacia superior é mais larga e tem menor gradiente que as seções montanhosas mais a jusante.

Outros fatores e contexto histórico

As barragens foram apenas um dos vários fatores que afetaram os peixes migratórios da bacia. Sobrepesca histórica, efeitos do uso da terra e retirada de água também contribuíram para o declínio das populações, enquanto doenças afetaram repetidamente os salmões.

Em 2002, mais de 33 mil salmões Chinook adultos morreram antes de se reproduzirem durante um grande surto de doença. O evento foi descrito como a maior mortandade de peixes já registrada no oeste dos Estados Unidos.

A remoção das quatro barragens foi resultado de décadas de ativismo e negociações envolvendo nações indígenas, agências governamentais, grupos de conservação e outras partes interessadas. A pesquisa documentou particularmente a liderança da Tribo Karuk e a importância do rio e dos salmões para as comunidades Karuk nas dimensões culturais do projeto.

Interpretação correta dos números

O índice de 88% tem um significado específico importante, e não quer dizer que os salmões ocuparam 88% de todo o Rio Klamath, nem que 88% da população histórica de salmões retornou. Os pesquisadores calcularam a proporção da extensão do rio que, dentro da distribuição histórica documentada do Chinook, foi reocupada após a remoção das barragens.

Nas duas primeiras estações de migração, os peixes reocuparam 88% dessa distribuição histórica documentada. Os autores do estudo descrevem os resultados como uma avaliação quantitativa inicial da recolonização. Eles, porém, enfatizam que o monitoramento de longo prazo é necessário para determinar como os peixes que retornam afetarão a recuperação populacional.

Linha do tempo
2002
Mais de 33 mil salmões Chinook adultos morreram antes de se reproduzirem durante um grande surto de doença, descrito como a maior mortandade de peixes já registrada no oeste dos Estados Unidos.
decadas
Décadas de ativismo e negociações envolvendo nações indígenas, agências governamentais, grupos de conservação e outras partes interessadas resultaram na remoção das quatro barragens.
2024
Quatro barragens foram removidas do Rio Klamath; estudo estima que 7.742 salmões Chinook migraram rio acima em 2024; durante as duas primeiras estações de migração, os salmões reapareceram em 88% de sua distribuição hist
2025
Número de salmões Chinook migrando rio acima saltou para 13.310.