
O processo eleitoral de 2026 ainda nem foi concluído e já tem muita gente pensando na próxima eleição. Apesar de parecer estranha, a prática é extremamente comum entre políticos.
Prova disso é que, apenas três dias após o 1º turno, com muitos eleitores ainda “ressaqueados” do processo e cansados das filas, o ex-prefeito de Feira de Santana, Colbert Martins, já falava em estratégia para o pleito de 2028.
“Eu acho que o que está para vir de pior vai acontecer em 2028, porque o PT vai cair matando em Feira de Santana, organizados para poder ter sucesso. Se nós ficarmos cada vez menores, eles vêm para nos destruir. Já tentaram fazer isso por várias vezes, não conseguiram, mas agora certamente virão”, disse Colbert.
Entenda o contexto
A fala de Colbert sobre uma possível estratégia do PT para as próximas eleições municipais ocorreu na manhã desta quarta-feira (7), quando o ex-prefeito foi entrevistado pelo programa Acorda Cidade.
O tema central da conversa era o próprio desempenho do agora ex-candidato a deputado estadual. Colbert obteve apenas 6.306 votos nas urnas no município de Feira de Santana e, junto ao desempenho inexpressivo de outros medalhões da política feirense, contribuiu para o surgimento de um fato: a partir de 2027, a cidade não terá nenhum deputado federal no Congresso.

“Feira está sofrendo um apagão eleitoral enorme neste momento, portanto, eu sou parte desse tipo de problema. Neste momento, eu entendo que sou responsável exatamente pelos efeitos desta candidatura que assumi”, avaliou Colbert.
Foi na esteira deste raciocínio que Colbert disse que pretende preservar o grupo político e avaliou que a próxima disputa municipal já deve ser considerada. Segundo ele, o PT deverá atuar de forma mais organizada em Feira de Santana nas eleições de 2028.
O PT mais forte em Feira: um recado das urnas
E a afirmação de Colbert pode estar fundamentada em alguns fatos. Primeiro, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), saiu muito fortalecido das eleições de 2026. O petista ganhou no primeiro turno, obteve um crescimento de 12% dos votos na cidade em relação ao pleito anterior e viu a diferença entre seu principal opositor reduzir no município.

Outro ingrediente que deve ser considerado é a “lei do retorno”, para usar o termo “vingança”. Após um período de “muito amor, elogios e sintonia” com o prefeito José Ronaldo, o governador passou a receber, ainda na campanha eleitoral, duras críticas do gestor feirense, o que pode ser um componente que pode dar mais gás ao grupo petista.
E, por fim, o terceiro componente é que Feira de Santana é um dos motores econômicos e políticos do estado. A cidade possui o segundo maior colégio eleitoral da Bahia e sempre foi um importante ativo nas eleições em nível estadual e federal. Ou seja, ter como cabo eleitoral o prefeito do município pode ser uma forma de enfraquecer ainda mais a oposição à hegemonia petista no estado.
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