7 de October de 2026
Faixa verde de 8 mil km atravessa África
Foto: Madalin Olariu

Governos de diversos países africanos somam esforços para erguer uma faixa verde de 8.000 km, ligando o Senegal a Djibuti, com o propósito de devolver vida a solos degradados e abrir novas frentes de renda para quem vive no Sahel.

Batizada de Grande Muralha Verde e lançada pela União Africana em 2007, a iniciativa mira o combate à desertificação em uma faixa do continente castigada por secas recorrentes, pelo empobrecimento gradual do solo e pelo recuo da vegetação, fatores que ameaçam a agricultura e a pecuária das quais inúmeras famílias tiram seu sustento.

O plano traça um horizonte até 2030: recuperar 100 milhões de hectares degradados, tirar da atmosfera 250 milhões de toneladas de carbono e abrir 10 milhões de vagas em atividades ligadas à preservação do meio ambiente. Trata-se de uma estratégia que une ganhos ambientais a retorno econômico para quem enfrenta os efeitos da seca nessas regiões.

Um corredor que atravessa o continente

Foto: RSS Secretariat.

O traçado mais conhecido da Grande Muralha Verde estende-se pelo cinturão seco que separa o deserto das áreas mais úmidas da África, na região do Sahel. Nessa faixa, a escassez de água e o empobrecimento do solo colocam em risco constante as atividades agrícolas e pastoris das populações locais.

Cada país avança no próprio ritmo, de acordo com as condições do terreno e com sua capacidade de execução. O projeto não é uma obra única conduzida simultaneamente em toda a extensão.

A iniciativa reúne governos locais, comunidades e organizações internacionais em torno de um propósito comum. Em 2021, União Europeia, Banco Mundial e União Africana anunciaram investimento de 14 milhões de dólares para acelerar o projeto.

Metas que vão além de plantar árvores

A proposta evoluiu de uma simples barreira de árvores para um conjunto diversificado de paisagens restauradas, com florestas, lavouras, pastagens e sistemas de manejo da água. Mais do que cobrir o solo de vegetação, o plano busca preservar a capacidade produtiva da terra e aumentar a resiliência das comunidades diante de novas secas.

Diferentes usos da terra, como a regeneração natural e a integração de árvores à produção agrícola, tornam-se viáveis quando adaptados às particularidades locais. Segundo dados da União Africana, aproximadamente 18% do projeto já foi concluído.

Paralelamente, o Sahel enfrenta desafios crescentes, e a temperatura na região aumentou 1,5°C no último século, acima da média global, enquanto a desertificação avança entre 45. E 60 centímetros por ano na área que separa o Saara da savana africana.

Como a vegetação ajuda a frear o avanço do deserto

Quando a cobertura vegetal desaparece, o solo perde estrutura e capacidade de reter umidade, abrindo espaço para a degradação progressiva. Reverter esse quadro passa por proteger o que resta de vegetação nativa e reintroduzir espécies capazes de fixar o terreno e restaurar sua fertilidade.

O plano busca garantir que a terra continue servindo para a produção de alimentos, não apenas barrar o avanço da areia. Para isso, a estratégia combina regeneração natural com sistemas que integram árvores a cultivos agrícolas, sempre adaptados às condições específicas de cada localidade.

Empregos e renda ligados à restauração

Para que a recuperação ambiental dure, ela precisa gerar ganho concreto para quem vive nessas terras. Viveiros de mudas, manejo de pastagens e aproveitamento de produtos florestais são algumas das frentes que já movimentam economias locais no Sahel. Programas de capacitação acompanham essas ações, preparando moradores para tocar sistemas agroflorestais e cuidar da vegetação recém-plantada.

A recuperação da vegetação, a implantação de jardins produtivos, o desenvolvimento de sistemas agroflorestais e o manejo de pastagens combinam várias frentes de trabalho, entre elas a produção de sementes e mudas.

A combinação entre preservação ambiental e oportunidades econômicas sustenta a proposta de transformar 8.000 km de território seco em fonte de renda e alimento para as próximas gerações.

Pontos-chave: Grande Muralha Verde no Sahel
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Iniciativa lançada pela União Africana em 2007 para criar faixa verde de 8.000 km do Senegal a Djibuti.
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Objetivos até 2030: recuperar 100 milhões de hectares, retirar 250 milhões de toneladas de carbono e gerar 10 milhões de vagas.
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Projeto reúne governos, comunidades e organizações internacionais; cada país avança conforme sua capacidade.
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Estratégia vai além de plantar árvores, incluindo florestas, lavouras, pastagens e manejo da água.
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Aproximadamente 18% do projeto já foi concluído; UE, Banco Mundial e UA anunciaram investimento de 14 milhões de dólares em 2021.
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Recuperação visa também gerar renda local com viveiros, manejo de pastagens, agroflorestas e capacitação de moradores.