
Você já brincou com poliestireno expandido? Já utilizou uma haste flexível para higiene pessoal? Ou então já viu alguma criança com um curativo adesivo? Esses termos podem parecer fora do comum, mas descrevem objetos que fazem parte do nosso cotidiano e certamente seriam reconhecidos de forma mais fácil se fossem chamados de isopor, cotonete e Band-Aid, respectivamente.
Esse fenômeno, chamar um determinado produto pelo nome de uma marca famosa ou pioneira no segmento, é uma figura de linguagem chamada de metonímia. E a lista é extensa: miojo (macarrão instantâneo), telha de Eternit (telha de fibrocimento), gilete (lâmina de barbear) e por aí vai.
No campo do marketing, a metonímia ganha um nome ainda mais específico, a generificação. Quem nunca comprou um Danone da Nestlé ou um Bombril da Assolan? E esse fenômeno mostra o suprassumo da força que uma marca tem sobre determinado meio.
Bolsonaro: uma marca política
E foi neste contexto que o radialista Dilton Coutinho fez, durante a edição do programa Acorda Cidade de quarta-feira (6), uma reflexão sobre a força de marcas e associou o conceito ao resultado das eleições de 2026.
Para o CEO do grupo Acorda Cidade, o desempenho eleitoral de integrantes da família Bolsonaro e de candidatos que utilizaram o nome do ex-presidente nas urnas demonstra a força da marca política construída pelo ex-presidente da República.

“Jair Messias Bolsonaro criou uma marca tão forte que elegeu a família toda. Só não elegeu o filho Eduardo porque ele está lá nos Estados Unidos porque certamente, se ele estivesse aqui, seria eleito também. E isso mostra o quanto a marca Bolsonaro na política é forte”, disse Coutinho.
Na avaliação do radialista, o fenômeno de generificação pode ser facilmente compreendido com o que ocorre com a família Bolsonaro. Dilton deixou bem claro durante o comentário que estava avaliando como positivo apenas a capacidade eleitoral que o ex-presidente tem.
“Bolsonaro se tornou uma marca. Por que, mesmo ele estando preso, isolado, conseguiu transferir votos. E temos vários exemplos falsos de transferência de votos, tem políticos que dizem ‘eu vou transferir os votos’, transfere nada; quem transfere voto é Bolsonaro. Transferiu, e começou na família”, afirmou.
A família
Antes dos comentários, Dilton afirmou que a reflexão surgiu a partir de ele ver o número de integrantes do círculo familiar do ex-presidente que foram eleitos em 2026.
Michelle Bolsonaro (esposa) foi eleita senadora pelo Distrito Federal; Carlos Bolsonaro (filho), senador por Santa Catarina; Jair Renan Bolsonaro (filho), deputado federal por Santa Catarina; e Renato Bolsonaro (irmão), deputado federal por São Paulo. Já Flávio Bolsonaro (filho), avançou ao segundo turno da disputa pela Presidência da República.

Além dos eleitos, Rogéria Bolsonaro, ex-esposa de Jair Bolsonaro, ficou como suplente na disputa para a Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro. Eduardo Torres, irmão de Michelle Bolsonaro e cunhado do ex-presidente, também ficou como suplente na disputa por uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
“E eu não tenho nenhum receio de falar, não tenho compromisso nenhum com ninguém e tenho que falar o que eu penso. Eu não imaginava que Flávio Bolsonaro teria esse desempenho, e quase vence no primeiro turno. Ele foi para o segundo turno e ganhou do presidente Lula no primeiro turno em termos de votos”, disse.
Ainda na esteira do raciocínio, o radialista finalizou. “Então, pessoal, é um fato positivo dessa eleição, a marca Bolsonaro. Quando você constrói uma marca forte, só um fato muito negativo para fazer você perder o conceito. Então Jair Messias Bolsonaro, que tem uma série de problemas, mas tem suas virtudes, conseguiu convencer os eleitores”.
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