
Com mais de 435 mil eleitores, Feira de Santana, segunda maior cidade do estado da Bahia e um dos maiores entroncamentos do Norte e Nordeste, não conseguiu eleger nenhum deputado federal para ocupar uma vaga no Congresso Nacional. Na avaliação do analista político e professor Frei Jorge Rocha, ex-superintendente da Rádio Sociedade News FM, a falta de representação em Brasília, de uma voz que defenda os interesses da cidade, deixou a população feirense enfraquecida no cenário político.
“Feira de Santana saiu menor do que entrou. Ela se apequenou diante desse cenário político. Não sei se grupos políticos foram movidos por vaidades, mas quem perdeu foi a cidade inteira. E uma pergunta é necessária: o que acontece quando uma cidade do tamanho de Feira de Santana, esse maior entroncamento rodoviário do Norte e Nordeste, tão propalado aí nas nossas falas, nos nossos discursos, não elege sequer um deputado federal diretamente comprometido com as demandas da nossa cidade?”, questionou.
O frei analisa que, ainda que outros parlamentares possam adotar a Princesa do Sertão, Feira de Santana ficou órfã politicamente pelos próximos quatro anos.
“É triste mesmo ver Feira de Santana desamparada. Existe um risco quando não temos uma voz permanentemente comprometida com a cidade. Nossa capacidade de articulação fica enfraquecida. Quanto mais articulada estiver a representação de Feira, maior a possibilidade de defender as nossas prioridades. Outra consequência: menor atenção na destinação das emendas parlamentares, que ajudam muita gente e muita gente também se elege com essas emendas.”
De acordo com Frei Jorge, as emendas parlamentares serão escassas para áreas essenciais da cidade, como em infraestrutura e saúde. Ele indica que muitos políticos poderão dizer “não tive voto aqui, eu não tive voto acolá, como é que eu vou colocar emendas parlamentares?”.
Na percepção do cientista político, outra consequência direta é uma menor cobrança e acompanhamento das obras e dos investimentos federais.
“Quando o Governo Federal investe em determinada cidade, o deputado que representa aquela região cobra a efetividade e a realização daquela obra. E uma quarta situação é a nossa vulnerabilidade política e, por conseguinte, uma maior dependência de parlamentares que representam outras regiões. Não há nada de errado em outros deputados ajudarem Feira. O problema é quando a nossa cidade precisa disputar atenção com dezenas de outros municípios. E uma última, dentre tantas que nós poderíamos acenar, é a menor visibilidade política para as demandas locais. Somos, seremos invisíveis políticos”, sinalizou.
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