8 de October de 2026
Imagem: Pixabay

Ao longo de seus 125 anos de história, o prêmio Nobel recebeu indicações de pelo menos 28 brasileiros. Apesar de o país nunca ter conquistado nenhuma das distinções mais prestigiosas da ciência e da Paz.

A Fundação Nobel mantém em sigilo os nomes indicados por 50 anos, deixando os registros públicos apenas até 1975, o que impede a confirmação de possíveis candidatos posteriores.

Análise dos arquivos da Fundação Nobel desde 1901 revela 215 indicações ligadas ao Brasil, número que contempla 27 pessoas. E uma instituição, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, indicado ao Nobel da Paz em 1924.

Os nomes que quase conquistaram o Nobel

Carlos Chagas permanece como uma das figuras mais notáveis da medicina brasileira. Em 1909, descreveu sozinho uma doença do início ao fim, identificando o parasita causador, o inseto barbeiro transmissor e os sintomas clínicos.

Esse feito, inédito até os dias de hoje na história da medicina, o colocou entre os nomes mais indicados para o Nobel, mas a honra nunca veio.

A ausência de um laureado brasileiro não reflete a qualidade da pesquisa desenvolvida no país, segundo Helena Nader, presidente da Academia Brasileira de Ciências. Para ela, o Brasil possui ciência de ponta e de referência internacional, o problema reside na dificuldade dos comitês de reconhecer descobertas relevantes originadas fora do eixo desenvolvido.

A maior parte das indicações de brasileiros concentrou-se na categoria Nobel da Paz, com 13 nomeações. Além disso, pesquisas premiadas frequentemente tiveram fundações teóricas estabelecidas por cientistas brasileiros, cujas contribuições foram essenciais para o sucesso das investigações reconhecidas, porém sem que os brasileiros ganhassem qualquer parte da premiação.

Um exemplo recente é o do físico Amir Caldeira, cuja obra forneceu base para pesquisas laureadas em 2025, mas que permaneceu invisível aos olhos do comitê.

Quem mais tentou: naturalização e contribuição

Nem todos os 28 nomes indicados nasceram brasileiros. A lista inclui o físico americano David Bohm, que lecionava na Universidade de São Paulo, e o bioquímico francês René Wurmser, professor no Rio de Janeiro. O químico austríaco Fritz Feigl, que fugiu do nazismo, trabalhou no Rio e depois obteve nacionalidade brasileira, também consta entre os candidatos.

As indicações podem ser feitas múltiplas vezes por diferentes pessoas ou instituições. Considerando essas repetições, os brasileiros apareceram nos pedidos de candidatura para Estocolmo mais de 200 vezes ao longo do século passado.

Apesar dessa persistência e da relevância das contribuições científicas do país. A barreira à conquista do prêmio permanece intransponível, não pela excelência dos pesquisadores, mas pela estrutura de visibilidade que privilegia descobertas do hemisfério norte.