
O ex-candidato a deputado estadual Tom (PDT) criticou duramente a falta de unidade do próprio grupo político liderado pelo prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, após o resultado das eleições deste ano. O político também disse que alguns candidatos usaram a imagem do gestor e, no final, “fizeram o L”.
Em entrevista ao Acorda Cidade, o político afirmou que houve uma “campanha capitalista” e que, na avaliação dele, o dinheiro teve peso significativo no processo. O grupo não conseguiu eleger nenhum deputado federal e teve um desempenho quase inexpressivo para a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).
“Foi um trabalho muito árduo. Quero deixar muito bem claro que vim para uma campanha muito dura, uma campanha capitalista que, infelizmente, o dinheiro prevaleceu. Se vocês fizerem um estudo, vão ver o desempenho daquelas pessoas ligadas à prefeitura e conferir a votação que tiveram”, afirmou.
Tom foi o candidato a deputado estadual mais votado entre os nomes ligados ao grupo de José Ronaldo em Feira de Santana. Dos 33.852 votos que recebeu, 17.103 foram de eleitores da cidade nas Eleição de 2026.
Aliados “fazendo o L”
O agora ex-candidato também criticou o comportamento de integrantes do grupo durante o processo eleitoral. Segundo o político, a eleição de 2026 ficará marcada por uma campanha de dificuldades para quem não contou com uma estrutura política ligada à administração.

“Muitos estavam com o prefeito José Ronaldo, fizeram o L e votaram em Jerônimo e nós sofremos muito. Faltaram poucos votos para que a gente pudesse ser deputado estadual por Feira de Santana pelo grupo, mas ficamos tristes por causa dessa desunião”, disse.
Para Tom, a falta de unidade prejudicou o desempenho do grupo e contribuiu para que Feira de Santana não elegesse um deputado estadual e um deputado federal identificados diretamente com a base política do prefeito.
“Não teve unidade, apalavra é essa. Ficamos tristes por causa dessa desunião porque na hora da eleição de deputado a gente não vê unidade, mas quando é para prefeito aí todo mundo se une, pressão aqui, pressão ali. Mas eu não vi nada nessa eleição”, desabafou Tom.
Apoio de secretários
Questionado sobre o apoio recebido durante a campanha, Tom afirmou que contou com a ajuda de dois secretários municipais, mas ressaltou que as relações foram construídas por meio de amizades pessoais.
Na avaliação do candidato, sem uma estratégia conjunta do grupo, será difícil para Feira de Santana voltar a eleger representantes para a Assembleia Legislativa e para a Câmara dos Deputados.
“Estou firme no meu projeto, vou continuar lutando por Feira de Santana, porque eu aprendi a fazer política nessa cidade, independente de qualquer coisa. Agora eu sou de grupo e tem gente que não é”, disse tom.

O político continuou a linha de raciocínio. “Quem não é do grupo é aquele não honrou os compromissos, que não organizou o grupo para que em Feira de Santana tivesse deputado estadual e federal. Uma cidade como a nossa não fazer estadual do nosso grupo e principalmente federal. Isso é muito triste”, afirmou.
“Estou cansado dessa conversinha”
Questionado se se sentiu traído pelo grupo, Tom evitou utilizar diretamente o termo, mas afirmou que ficou decepcionado com a falta de reciprocidade que percebeu durante a campanha.
“Não sei se a palavra é essa, traição, mas é algo que eu estou sentindo me machuca muito, você doar todo o seu esforço para o grupo e na hora de o grupo doar o esforço para a gente, só dificuldade: ‘Ah, eu não posso, é fulano, é beltrano’. Então eu estou cansado dessa conversinha para boi dormir”, finalizou.
Com informação do repórter Paulo José, do Acorda Cidade.
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