9 de October de 2026
Imagem: Reprodução/ New Zealand Journal of Zoology/ C. Green

Nenhum outro inseto do mundo supera o wētāpunga em peso. Quando adulta, a fêmea da espécie chega a alcançar o peso de um rato, pode passar dos nove centímetros de corpo e tem pernas capazes de abranger até 20 centímetros. A espécie quase desapareceu da natureza.

Ao longo dos últimos 15 anos, cientistas neozelandeses mantiveram um programa de reprodução que já resultou na soltura de 11.000 wētāpunga em 10 pontos distintos do país. 

O declínio da espécie teve origem na chegada de gatos, ratos e doninhas a regiões onde antes não havia predadores, o que fez a população despencar quase por completo.

Como o inseto chegou à beira do fim

Na década de 1990, o wētāpunga foi declarado oficialmente em perigo de extinção. Hoje, presume-se que ele esteja extinto na natureza no continente neozelandês, restando apenas uma população isolada numa única ilha do Golfo de Hauraki, com poucos adultos reprodutores.

A espécie se alimenta de plantas durante a noite e é uma das várias exclusivas da Nova Zelândia dizimadas ao longo do último século. O status de conservação do wētāpunga passou de “em perigo nacional” para “em crescimento nacional”.

Depois que os ratos foram eliminados da ilha onde a espécie ainda sobrevivia, a população começou a se recuperar aos poucos. Tinha apenas 78 indivíduos em 2005 e chegou a 172 em 2009. Mesmo assim, o avanço parecia lento demais para garantir a sobrevivência do inseto.

A partir de 2008, seis exemplares em idade reprodutiva foram coletados na natureza e levados para dois centros de preservação: Butterfly Creek e o Zoológico de Auckland. Ali nasceram as primeiras gerações criadas fora do ambiente natural, dando início a um processo que depois seria ampliado para produzir dezenas de milhares de filhotes.

As ninfas, como são chamados os insetos jovens, passam por creches comunitárias até ganharem porte suficiente para seguir para gaiolas individuais próprias para adultos. Depois, são destinadas à reprodução ou devolvidas à natureza.

A alimentação combina três ingredientes: verduras frescas, folhas secas e flocos de peixe, usados como fonte de proteína. Esse manejo resultou em 45 solturas do inseto em oito ilhas livres de predadores e em duas reservas cercadas no norte de Auckland.

O que o estudo revela sobre o futuro da espécie

Chris Green documentou o programa de soltura em um estudo publicado no New Zealand Journal of Zoology. Ele é pesquisador honorário do Departamento de Conservação e afirmou que o futuro do wētāpunga parece promissor.

Segundo Green, programas semelhantes poderiam ajudar outros invertebrados que hoje enfrentam risco crítico de extinção, caso do gorgulho-nodoso-de-Canterbury e de diferentes espécies nativas de besouros-veado.

A expectativa agora é que as técnicas usadas para recuperar esse gigante entre os insetos sirvam de modelo para proteger outras espécies ameaçadas na Nova Zelândia.