
Ter um cachorro ou um gato em casa na terceira idade está associado a um maior senso de propósito e a menos solidão, segundo uma pesquisa da Universidade de Michigan sobre envelhecimento saudável que ouviu 2.698 pessoas entre 50 e 95 anos.
Cães e gatos são os animais mais escolhidos entre os 55% dos entrevistados que já têm ao menos um animal de estimação em casa. O cuidado diário com o animal parece reorganizar a rotina de quem vive sozinho e precisa de um motivo concreto para se levantar todos os dias.
Rotina e propósito renovados na terceira idade
Alimentar o animal, levá-lo para passear e cuidar da saúde dele cria obrigações fixas que estruturam o dia do tutor idoso. O compromisso diário é apontado como fonte de satisfação por 83% dos participantes, que relataram maior senso de propósito após a adoção.
Outros dados do levantamento mostram esse efeito: 71% dos donos afirmaram aproveitar mais a vida, e 64% disseram se sentir mais queridos desde a chegada do animal. A sensação de ser necessário para outro ser vivo parece pesar tanto quanto o afeto recebido.
Viver com um cão ou gato reduz o sentimento de abandono entre quem mora sozinho, mas o efeito vai além da companhia dentro de casa. Passeios, idas ao veterinário e encontros com outros tutores favorecem conversas que talvez não acontecessem sem o animal por perto.
Os dados apontam esse efeito: 70% dos entrevistados em Michigan disseram que o convívio com o animal facilita suas relações com outras pessoas. A distração proporcionada pelo animal também alivia temporariamente dores crônicas e desconfortos físicos ou emocionais dos donos.
Levantamento anterior da mesma universidade, de 2019, mostrou o lado mais difícil dessa relação. Gastos com ração e cuidados veterinários pesavam no orçamento doméstico para 31% dos tutores idosos consultados na época.
Mais da metade do grupo relatou dificuldade para viajar ou sair de casa por causa dos cuidados exigidos pelo animal. Além disso, parte considerável admitiu colocar as necessidades do animal à frente das próprias.
Acompanhar o ritmo de um cão também pode representar risco físico: 6% dos entrevistados disseram já ter caído ou se machucado durante alguma interação com o animal.
O luto que vem depois
Jeffrey Kullgren, diretor da pesquisa em 2026, disse ao blog universitário Michigan Medicine que é preciso reconhecer como a perda de um animal de estimação afeta a saúde mental de quem envelhece. Segundo ele, trata-se de uma forma de luto real, que merece ser tratada com a mesma seriedade de qualquer outra perda.
Os números de Michigan vêm mostrando desde 2019 que o vínculo com um animal traz alívio, mas também vulnerabilidade para quem chega à terceira idade.