
Moradores da Rua Nova Vida, entre os bairros Ponto Central e Estação Nova, em Feira de Santana, denunciam o abandono de um antigo campo de futebol, que, segundo eles, se transformou em ponto de descarte irregular de lixo. Além dos problemas com a sujeira e a falta de iluminação, a comunidade relata a presença de possíveis focos do mosquito da dengue, quedas frequentes de energia e animais abandonados que correm risco de atropelamento.
Animais abandonados
Uma das moradoras, Isabela Vieira, conta que acompanha a situação dos animais desde 2025. Segundo ela, uma cadela que vive na região já teve quatro ninhadas, e a moradora tenta alimentar os animais, oferecer água e encontrar pessoas dispostas a adotar os filhotes.

“Eu queria ter a condição de tirar todos eles, mas não tenho. Venho recrutando pessoas para poder levar os filhotes. Porém, eles estão indo para o lixão comer lixo, porque não tem alimento toda hora, apesar de eu fornecer três vezes ao dia”, relatou.

Isabela afirma que alguns filhotes apresentam vermes e que a situação se agrava porque os animais continuam tendo contato com o lixo descartado no local.
A moradora também contou que já presenciou as consequências do abandono. De acordo com ela, dois filhotes de uma ninhada anterior foram encontrados mortos após serem atropelados por veículos que circulavam pelo campo durante a noite.
“Os carros que ficam entrando e saindo do campo passaram por cima porque não tem como ver eles. O campo não tem muita iluminação”, explicou.
Ela afirma que já procurou órgãos de proteção animal para buscar uma solução, mas recebeu como resposta que os locais estavam com superlotação.
Campo abandonado e possíveis focos de dengue
A falta de manutenção do espaço também preocupa Elini Andrade, que mora na região desde 2020. Ela lembra que o local já foi utilizado para partidas de futebol e, posteriormente, como espaço para aulas de direção. Agora, segundo a moradora, o campo está tomado pelo lixo.

Elini afirma que moradores aguardam há anos a construção de uma praça no local, promessa que, segundo ela, ainda não foi concretizada.
“Os vereadores chegam, os prefeitos falam que vão fazer uma praça, mas até hoje não fazem. Estão invadindo e fazendo gato. A gente está tendo quedas constantes de energia e já fez abaixo-assinado. Estamos perdendo eletrodomésticos e comida”, disse.
Outro motivo de preocupação é a possível presença de focos do mosquito transmissor da dengue. Elini afirma que há moradores doentes na região e que um agente de combate às endemias esteve no local recentemente, alertando para a necessidade de providências.
“Com urgência, a nossa praça, remoção desses lixos, remoção desses focos de dengue. A gente precisa de uma solução urgente, porque não aguenta mais”, disse.

Moradores relatam problemas de saúde
Isabela também demonstrou preocupação com o risco de doenças relacionadas ao acúmulo de lixo. Ela lembrou que, há cerca de três anos, integrantes de sua família tiveram dengue ao mesmo tempo, em um período em que resíduos descartados no campo acumulavam água da chuva.
“Na minha casa somos seis pessoas, inclusive tenho um filho que é especial, e ficamos todos os seis de cama, literalmente. Todo mundo com dengue de uma vez só”, contou.
Além dos problemas sanitários, Elini afirma que a aparência de abandono faz com que pessoas de fora associem o local à insegurança. Segundo ela, motoristas de aplicativo entram na região com receio, embora considere o bairro tranquilo.
Os moradores pedem a limpeza do terreno, medidas para combater possíveis focos de dengue, melhorias na iluminação e uma solução definitiva para o espaço, incluindo a construção da praça reivindicada pela comunidade.
Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade.
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