11 de October de 2026
Imagem: Agência Brasil

No meio do Atlântico, a cerca de 1.010 quilômetros a nordeste de Natal, fica o Arquipélago de São Pedro e São Paulo, ilha onde um material que costuma ficar soterrado a quilômetros de profundidade em qualquer outro lugar do mundo aparece exposto à superfície.

Diferentemente da maioria das ilhas oceânicas, formadas por lava vulcânica, o arquipélago tem como matéria-prima o peridotito serpentinizado, uma rocha característica do manto abissal. Isso torna possível enxergar de perto um pedaço do interior do planeta.

Ilha esconde formação geológica rara

Um estudo, publicado na REM: Revista Escola de Minas, aponta que não existe no planeta outro local no oceano em que se possa encontrar o manto abissal acima do nível do mar. Essa particularidade faz do arquipélago alvo constante de pesquisas sobre a estrutura profunda da Terra.

A base do arquipélago coincide com a falha transformante de São Paulo, trecho da Dorsal Mesoatlântica em que duas placas tectônicas vivem em contínuo afastamento. É esse movimento que permitiu ao manto romper a crosta oceânica e emergir até a superfície.

O local é uma das áreas mais isoladas do território brasileiro. Não há moradores permanentes, e os cientistas trabalham ali por temporadas. 

Esse isolamento geográfico, combinado à atividade tectônica rara, criou um laboratório natural sem equivalente no planeta para compreender como funciona o interior terrestre.

O manto continua subindo e se afastando

A pesquisa publicada na REM: Revista Escola de Minas estima que o arquipélago ganha altura a uma velocidade de 1,5 milímetro por ano, enquanto o fundo oceânico ao redor se afasta 1,5 centímetro por ano em cada lado.

Os pesquisadores chegaram a esses números recorrendo a plataformas esculpidas pela ação das ondas ao longo do tempo e à datação de corais fósseis encontrados na região.

Esse ritmo lento, porém constante, mantém o pequeno conjunto de rochas cada vez mais acima da linha do mar. 

No século XIX, Charles Darwin foi um dos primeiros exploradores a notar que as rochas do arquipélago não tinham origem vulcânica. A origem dessas formações tão incomuns no oceano intrigou os cientistas.