11 de October de 2026
crianças
Foto: Magnific

A Bahia nunca teve tão poucas crianças. O número de pessoas de 0 a 11 anos vem diminuindo nas últimas décadas, segundo dados dos Censos Demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao mesmo tempo, um indicador que historicamente preocupa também apresentou uma redução expressiva: o trabalho infantil atingiu seu menor patamar no estado.

Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a infância corresponde ao período entre 0 e 11 anos de idade.

Número de crianças caiu 40,4% em 31 anos

Em 1970, a Bahia tinha 2,829 milhões de crianças, que representavam 37,8% da população do estado, aproximadamente quatro em cada dez moradores.

Nas duas décadas seguintes, o número continuou crescendo, mas em ritmo inferior ao crescimento da população baiana. Com isso, a participação das crianças no total de habitantes caiu.

Em 1980, eram 3,416 milhões de crianças, equivalentes a 36,1% da população. Em 1991, o número chegou a 3,776 milhões, mas representava 31,8% dos moradores.

A partir de 2000, porém, o número absoluto de crianças começou a diminuir. Naquele ano, eram 3,245 milhões, ou 24,8% da população baiana.

Em 2010, o número caiu para 2,793 milhões, correspondendo a 19,9% dos habitantes. Já em 2022, eram 2,251 milhões de crianças, ou 15,9% da população.

Isso significa que, entre 1991 e 2022, em um período de 31 anos, o número de crianças de 0 a 11 anos na Bahia caiu 40,4%.

Nascimentos também estão em queda

Os dados das Estatísticas do Registro Civil ajudam a mostrar essa transformação na população infantil. Entre 2003 e 2024, o número de nascimentos na Bahia caiu 31,3%, passando de 231.679 para 159.163. Em 2024, o total de nascimentos diminuiu pelo sexto ano consecutivo.

Bahia tem 10ª menor proporção de crianças entre os estados

Em 2022, as crianças representavam 15,9% da população baiana. O percentual colocou a Bahia na 10ª menor proporção de pessoas de 0 a 11 anos entre os estados brasileiros.

Ainda assim, o índice baiano estava ligeiramente acima da média nacional, de 15,7%. Dentro do próprio estado, porém, a participação das crianças varia bastante entre os municípios.

Em 2022, Rodelas tinha a maior proporção de crianças, com 22,2% da população de 0 a 11 anos. Na sequência estavam Sítio do Mato e Luís Eduardo Magalhães, ambos com 20,8%; Serra do Ramalho, com 20,6%; e Barra, com 20,5%.

Na outra ponta estavam Jussíape, com 11,3%; baíra, com 11,6%; Jacaraci e Ibiassucê, ambos com 12,1%; e Guajeru, com 12,5%.

Salvador

Salvador tinha, em 2022, 320.262 pessoas de 0 a 11 anos, que representavam 13,3% dos moradores da capital.

O percentual colocou Salvador na 11ª menor proporção de crianças entre os 417 municípios baianos. Entre as capitais brasileiras, a proporção registrada na capital baiana era a 7ª menor.

Trabalho infantil cai 86,8% na Bahia

Outro dado do Censo mostra uma mudança significativa na realidade das crianças baianas: a redução do trabalho infantil.

Nos Censos Demográficos, o IBGE capta o número de pessoas entre 10 e 13 anos que declararam estar trabalhando de forma remunerada, situação proibida por lei.

Entre 2010 e 2022, o número de crianças de 10 a 13 anos ocupadas na Bahia caiu 86,8%, passando de 79,6 mil para 10,5 mil.

A proporção de crianças trabalhando também apresentou forte redução: passou de 7,4% em 2010 para 1,3% em 2022.

Assim, enquanto o número de crianças no estado diminuiu de forma expressiva nas últimas décadas, o percentual das que estavam trabalhando também atingiu um patamar muito menor.

Salvador concentra 1 em cada 10 crianças que trabalhavam

Em 2022, das crianças e adolescentes de até 13 anos que trabalhavam na Bahia, 1 em cada 10 estava em Salvador.

A capital tinha 1.069 crianças ocupadas, o equivalente a 10,2% do total registrado no estado. Na população dessa faixa etária em Salvador, 0,9% estava ocupada.

Municípios com maior proporção de trabalho infantil

Apesar da queda estadual, o trabalho infantil ainda apresentava diferenças significativas entre os municípios baianos.

Em 2022, Gentio do Ouro tinha a maior proporção de pessoas de 10 a 13 anos trabalhando, com 14,5%. Depois apareciam Érico Cardoso (8,4%), Pau Brasil (8%), São Miguel das Matas (7,5%) e Taperoá (7,3%).

Por outro lado, 74 municípios baianos não tinham registro de trabalho infantil nessa faixa etária em 2022. O número corresponde a 17,7% dos municípios do estado.

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