
A geleira de Triglav encolheu tanto que pode desaparecer em poucos dias. Formação que representava a identidade alpina da Eslovênia durante gerações e atraía esquiadores no verão está reduzida a alguns fragmentos de gelo, segundo pesquisadores que monitoram o local. O acompanhamento científico começou em 1946, quando a geleira ocupava cerca de 14 hectares.
Desde então, o gelo vem desaparecendo em ritmo acelerado, sobretudo neste ano. Depois de um inverno com pouca neve, que derreteu excepcionalmente cedo, os últimos remanescentes ficaram expostos ao calor do verão por mais tempo do que o comum.
Três décadas observando o colapso

Miha Pavšek, do Instituto Geográfico Anton Melik, ligado ao Centro de Pesquisa da Academia Eslovena de Ciências e Artes, dedica-se há 30 anos ao monitoramento dessa formação. Em entrevista ao Aventurasnahistoria, ele disse que o monitoramento pode terminar neste ano, porque a geleira praticamente deixou de ser uma estrutura ativa: o ciclo de renovação do gelo cessou.
Sem gelo novo chegando para repor o que derrete, a formação perdeu volume até sobrar apenas resquícios expostos ao sol. Nem os locais protegidos pela sombra preservaram os últimos vestígios. O colapso acelerou porque a região alpina vem esquentando em ritmo mais rápido que o resto do planeta.
Consequências para os rios compartilhados
O desaparecimento dessa geleira traz implicações além da paisagem. As bacias dos rios Drava e Mura, essenciais para irrigação na Eslovênia, podem sofrer redução do fluxo de água conforme as geleiras na vizinha Áustria continuarem encolhendo. Essa redução afetará campos de Drava e Ptuj, além de trechos da região de Mura.
Décadas de observação direta documentaram como o clima alpino está se transformando. O possível desaparecimento da geleira de Triglav encerra uma etapa importante desse acompanhamento e deixa para trás uma paisagem que já foi bem mais extensa.