13 de October de 2026
Educação financeira infantil: como dizer “não” aos pedidos de compra dos filhos e ensinar o valor do dinheiro
Foto: Magnific

Vitrines, propagandas e conteúdos digitais estimulam o desejo de compra desde cedo, e muitos pais se veem diante de um dilema: como dizer “não” sem gerar conflito e, ao mesmo tempo, ensinar algo de valor?

A pesquisa de Intenção de Compras da CNDL e do SPC Brasil, feita com consumidores das 27 capitais brasileiras em 2025, mostra que 70% planejavam ir às compras para a data, com gasto médio previsto de R$ 297. O mesmo levantamento aponta que 27% dos entrevistados admitem que costumam gastar mais do que podem na data, e 12% pretendiam deixar de pagar alguma conta para garantir os presentes. Os números indicam que o desejo de agradar pode pesar no orçamento, o que reforça a importância de conversar com as crianças sobre limites.

Para o especialista em Educação Matemática e professor da Estácio, Elielton Gregório de Lima, a resposta está em enxergar o dinheiro como parte do desenvolvimento das crianças, e não como um assunto restrito ao mundo adulto. “A educação financeira começa muito antes de a criança ter o próprio dinheiro. Ela nasce nas situações do dia a dia, quando a criança percebe que escolher uma coisa significa abrir mão de outra”, afirma.

Matemática que se aprende brincando

Segundo o especialista, os conceitos matemáticos que sustentam as finanças, como comparar valores, somar, subtrair, estimar e planejar, podem ser trabalhados de forma lúdica. Jogos de mercadinho, brincadeiras de troco e a organização de uma “lojinha” em casa ajudam a criança a construir noções de preço, quantidade e valor sem que a conversa pareça uma aula.

“Quando a criança participa da lógica do dinheiro brincando, ela passa a entender que os recursos são limitados e que toda escolha envolve decisão. Isso é matemática, mas também é preparação para a vida”, explica o docente.

Como conversar sobre limites 

Para as famílias que querem  introduzir o tema, o especialista sugere alguns caminhos. “O primeiro é combinar tudo antes de sair de casa: definir com a criança um valor ou um número de itens para a data evita o desgaste na hora da compra. Em seguida, vale envolver a criança na escolha, pedindo que ela compare opções e explique o que mais deseja, o que estimula o raciocínio e reduz a compra por impulso”, indica.

Outra orientação de Elielton é apresentar a poupança como meta. “Um brinquedo mais caro pode virar um objetivo, com um cofrinho e uma contagem do quanto falta para alcançá-lo. Também ajuda explicar o orçamento com exemplos simples: mostrar que a família divide o dinheiro entre necessidades, como alimentação e moradia, e desejos, permite que a criança compreenda o “não” sem sentir rejeição”, complementa. Por fim, o especialista recomenda valorizar experiências, já que um passeio ou uma brincadeira em família também é presente e mostra que afeto não depende de preço.

Consumo consciente sem estresse

De acordo com o especialista, o tom da conversa faz diferença. “O limite dito com carinho e com explicação é muito mais eficaz do que a proibição sem diálogo. A criança precisa entender o porquê, e o adulto precisa dar o exemplo. Se ela vê os pais planejando compras e evitando desperdícios, aprende pela prática”, pontua.

Elielton destaca ainda que professores têm papel importante nesse processo, ao incluir situações-problema do cotidiano financeiro nas aulas de Matemática e conectar o conteúdo escolar à realidade dos estudantes. “As primeiras experiências com dinheiro tendem a moldar a relação dos adultos com o consumo, o endividamento e o planejamento. 

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