
A disputa territorial entre facções criminosas no conjunto George Américo, em Feira de Santana, tem provocado confrontos armados e preocupado moradores. Apesar dos episódios recentes, o major Reis, comandante da 65ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), afirma que os indicadores de segurança apresentam redução no bairro Campo Limpo, que abrange localidades como George Américo, José Ronaldo e Bom Viver.
Em entrevista ao Acorda Cidade, o comandante informou que a redução acumulada no bairro é de 5,6%. Considerando apenas o segundo semestre de 2026, a queda chega a 22,2%. Segundo ele, os registros de violência estão concentrados em uma situação pontual no George Américo, onde a polícia pretende intensificar as ações.
Um dos episódios citados pelo major foi a morte de Alisson Bispo da Cruz, de 20 anos, no último domingo (11), no George Américo. O jovem morreu durante uma troca de tiros e, segundo informações da Polícia Civil, era suspeito de participação no assassinato de Matheus Farias Santos, também de 20 anos, morto em uma oficina no bairro Queimadinha, em junho deste ano.

“Há, todos sabem, uma disputa territorial travada pelo tráfico, e essa disputa acaba sendo sangrenta. Posso pontuar aqui que no último homicídio que aconteceu, o Alisson, que perdeu a vida, na ocasião ele foi tentar atentar contra os seus rivais, e foi surpreendido e perdeu a sua vida”, afirmou.
De acordo com o major Reis, Alisson havia sido preso em 16 de julho com outros dois suspeitos. Na ocasião, foram apreendidas três pistolas, balaclavas e um bloqueador de sinal, durante uma ação relacionada à investigação do homicídio na Queimadinha. O comandante demonstrou preocupação com a soltura de investigados e os efeitos disso sobre o trabalho policial.
“Para nossa surpresa, ele já estava solto, e já estava tentando matar, e acabou morrendo. Então, é complicado, a gente respeita as leis, respeita a justiça, mas o que tem acontecido aí, com relação à soltura desses indivíduos, nos deixa preocupados, porque existe um retrabalho. Então, se esse indivíduo estivesse preso, que a gente prendeu, certamente ele não iria nem matar, nem tão pouco morrer.”
Tráfico, armas alugadas e cobrança de dívidas
O comandante também explicou que o envolvimento com o tráfico pode submeter integrantes de facções a dívidas e cobranças violentas. Segundo ele, armas utilizadas nos ataques podem ser alugadas, e os responsáveis pelo financiamento das atividades criminosas cobram valores dos integrantes, inclusive por meio da execução de outros crimes.

Quando eles são presos pela forças de segurança, eles precisam pagar essa arma alugada, e para pagar, ou ele paga de maneira pecuniária, com dinheiro, ou até paga com serviço, como esse de matar alguém. E quando o coroa (líder), ele libera esse faccionado, ele custeia um advogado, depois ele não cobra o valor que ele pagou para o advogado, é o que a gente tem conhecimento. Por exemplo, o advogado custou R$ 10 mil, mas ele quer do seu faccionado que pague R$ 15 mil, pague R$ 20 mil, e o cidadão, por não dispor de dinheiro, ele vai fazendo ali as coisas ilegais, e acaba perdendo a própria vida, ou perde pela própria organização criminosa da qual ele faz parte, ou pela organização de desafeto”, explicou o major ao Acorda Cidade.
Para o major, o uso de balaclavas e a forma como os ataques são executados indicam planejamento. Ele afirmou que, no caso de Alisson, a suspeita é de que o jovem pretendia repetir uma ação semelhante à ocorrida na Queimadinha.
“Ele saiu ali premeditado a fazer aquilo ali, ele foi apenas surpreendido, mas ele já tinha feito antes, como eu lhe disse, na oficina da Queimadinha, e quis repetir. Na Queimadinha deu certo, e agora no Geoge Américo deu errado.”
65ª CIPM cobre 15 bairros e três distritos
Após o redimensionamento das áreas de responsabilidade da Polícia Militar em Feira de Santana, a 65ª CIPM passou a cobrir 692 km², ante os 175 km² anteriores. A unidade é responsável por 15 bairros e três distritos: Jaguara, Bonfim de Feira e Matinha.
Segundo Reis, a presença de grupos rivais em diferentes pontos de uma mesma localidade dificulta o trabalho policial. Entre as medidas adotadas estão barreiras e ações para impedir confrontos entre os criminosos.
O comandante também defendeu maior participação das famílias na prevenção da criminalidade, com acompanhamento dos filhos e estabelecimento de limites. “A população de bem fica assustada com o que acontece, mas é muito incomum um cidadão de bem perder a vida. É desagradável? É. Mas é uma guerra que eles resolveram travar, da qual a gente não gosta, não aceita, mas, infelizmente, é uma realidade. Então, o que a gente pode fazer é investir mais em educação e chamar a atenção para os pai. Essa juventude que envereda no mundo do crime, os pais são muito negligentes nesse tocante. Não sabem com quem as crianças estão andando, não têm limites para o horário, não têm limites para ser ou nada. Hoje em dia, os filhos é que estão criando os pais, essa que é a verdade”, declarou.
Ação social do Dia das Crianças
O major ainda reforçou que a população pode continuar confiando no trabalho da Polícia Militar, apesar da repercussão dos episódios recentes, e anunciou uma ação voltada às crianças do bairro Baraúnas e localidades próximas, na sexta-feira (16), às 15h, com distribuição de brinquedos, atividades recreativas e palestras sobre higiene bucal.
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade.
Leia também:
Suspeito morto no George Américo é apontado como participante de homicídio na Queimadinha
Suspeito usando balaclava morre após ataque com mais de 20 tiros; uma mulher ficou ferida
Vítima é executada dentro de oficina no bairro Queimadinha, em Feira de Santana
Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e do grupo no Telegram.