14 de October de 2026
Imagem: Agência Brasil

Microempreendedores individuais (MEIs) com débitos tributários receberão alívio financeiro por meio de um pacote governamental anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta semana. Batizado de Prospera MEI, o programa prevê o perdão integral de dívidas inscritas na Dívida Ativa da União e outras medidas de apoio ao segmento.

A iniciativa beneficiará cerca de 3,6 milhões de MEIs com pendências junto ao governo federal e prevê o perdão de débitos que somam aproximadamente R$ 12,6 bilhões. O Brasil tem 17,56 milhões de microempreendedores ativos, muitos dos quais enfrentam dificuldades financeiras agravadas após a pandemia.

O que muda com o pacote para os MEIs

O governo estruturou o plano em cinco ações coordenadas para aliviar o endividamento e aumentar a capacidade de investimento dos MEIs. O perdão de dívidas tributárias representa o núcleo da proposta, mas depende da aprovação do Congresso Nacional por meio de um Projeto de Lei Complementar.

Outras medidas complementam a iniciativa: renegociação de débitos bancários pelo programa Desenrola 3.0, que prevê a compra das dívidas pelos bancos com descontos de pelo menos 90%. E criação do PixMEI, com apoio não reembolsável de até R$ 5 mil para investimentos em equipamentos.

O pacote também prevê a criação de ferramentas ou a ampliação da estrutura; o aumento do teto de faturamento para R$ 110 mil em 2027, e R$ 140 mil em 2028; a possibilidade de contratar um segundo funcionário; e a dispensa de nota fiscal para vendas a pessoas físicas, mantendo as obrigações em operações com pessoas jurídicas.

Nem toda dívida em atraso será automaticamente cancelada, pois o débito precisa ter passado por etapas administrativas de cobrança e estar formalmente inscrito na Dívida Ativa da União. Essa condição garante que apenas pendências de maior complexidade e menor probabilidade de recuperação entrem no programa.

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional avaliou que esses débitos têm baixa perspectiva de cobrança, e essa análise fundamentou a decisão pelo perdão. O perdão abrange dívidas inscritas na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026, incluindo valores principais, juros, multas e encargos legais.

Cerca de 4,1 milhões de microempreendedores estão inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, evidenciando a vulnerabilidade econômica do segmento.

Próximos passos e aprovações necessárias

Parte significativa das medidas ainda depende de aprovação legislativa, enquanto outras seguem em elaboração pelo governo. O perdão das dívidas tributárias exige aprovação de Projeto de Lei Complementar pela Câmara dos Deputados (257 votos) e Senado Federal (41 votos), com posterior sanção presidencial. O aumento de limite de faturamento também depende de aprovação do Congresso.

O PixMEI ainda está em elaboração e o governo não informou critérios de participação, orçamento, quantos beneficiários serão atendidos nem data de lançamento. Estima-se que R$ 6 bilhões em dívidas bancárias de MEIs possam ser alvo da operação do Desenrola 3.0.

Em discurso durante o anúncio, o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, ressaltou que o endividamento dos microempreendedores se agravou nos últimos anos, especialmente após a pandemia.