16 de October de 2026
Academia: 5 erros que podem atrapalhar os resultados dos iniciantes
Foto: CRISTIAN CAMILO ESTRADA/Pexels

Quase todo iniciante espera ver resultados nas primeiras semanas de academia. Mas o corpo fica mais forte nesse período porque o sistema nervoso aprende a comandar o movimento com mais eficiência, não porque o músculo cresceu.

Essa confusão entre força e volume muscular leva muita gente a desistir cedo demais, por achar que o treino não está funcionando. Tendões, ossos e ligamentos levam mais tempo para se adaptar à carga do que os músculos, e ignorar essa diferença aumenta o risco de lesões.

Quando o cérebro envia o comando para um músculo se contrair, outros relaxam ao mesmo tempo para permitir o movimento. Nas primeiras semanas, é esse comando que melhora: o sinal viaja mais rápido e a musculatura passa a trabalhar de forma mais coordenada.

Foto: Joel Santos/Pexels

1. Começar pesado demais

Pular a fase de adaptação inicial e partir direto para cargas altas é um erro comum entre quem está começando. Tendões, articulações e ligamentos ainda despreparados recebem um estímulo maior do que conseguem suportar. Isso aumenta o risco de dor muscular intensa e de lesões sérias, incluindo o rompimento do tendão na sua inserção óssea.

Forçar a carga não antecipa o ganho de massa, já que esse processo segue um ritmo próprio, independente do peso levantado. O que aumenta, nesse caso, é só a chance de a pessoa se machucar e interromper o treino por semanas ou meses.

Entre uma sessão e outra de um mesmo grupo muscular grande, o corpo pede de 48 a 72 horas para se recuperar, desrespeitar esse intervalo também cobra um preço.

2. Treinar sem meta e sem avaliação prévia

Entrar na academia sem saber se o objetivo é emagrecer, ganhar fôlego ou fortalecer a musculatura reduz as chances de manter a rotina. A ausência de um propósito claro costuma estar por trás do abandono precoce dos treinos, assim como criar expectativas fora da realidade, como perder vários quilos em poucos dias.

Ignorar a avaliação médica antes de começar também é um deslize frequente. Um problema cardiovascular pode não apresentar nenhum sintoma visível e se agravar justamente com certos tipos de exercício, o que torna a conversa com um médico indispensável antes do início da atividade.

Treinar por tempo demais logo nas primeiras semanas também compromete o rendimento. E aumenta a chance de desistência, porque o corpo ainda não tem a base de recuperação necessária para sustentar sessões longas. Usar relaxantes musculares por conta própria, sem orientação, atrapalha esse mesmo processo de adaptação natural do organismo ao esforço.

A alimentação entra nessa conta com o mesmo peso: sem nutrientes suficientes, o desempenho cai e a recuperação muscular fica mais lenta, mesmo quando o treino em si está correto.

Fortalecer a musculatura traz benefícios que vão além da estética: ajuda a prevenir doenças, aumenta a massa óssea e contribui para a reabilitação de lesões. Por isso, o Ministério da Saúde recomenda que adultos incluam esse tipo de atividade em pelo menos dois dias da semana.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo explicam que essa etapa inicial, chamada de fase neural, dura em torno de seis a oito semanas, período em que o ganho de massa muscular ainda não é perceptível no espelho.

O condicionamento completo de tendões, ossos e ligamentos, segundo a mesma universidade, leva de um mês. E meio a dois meses, tempo que vale respeitar antes de aumentar a carga dos treinos.

Passo a passo
Como começar a treinar do jeito certo
1
Faça avaliação médica antes de iniciar para identificar riscos que o exercício pode agravar.
2
Defina objetivo claro (emagrecer, ganhar fôlego ou fortalecer) para manter a rotina e as expectativas realistas.
3
Respeite a fase neural de aproximadamente seis a oito semanas; espere ganhar força sem aumento visível de massa.
4
Comece com cargas moderadas e evite aumentar peso ou volume antes de tendões, ossos e ligamentos estarem adaptados.
5
Dê ao corpo 48 a 72 horas de recuperação entre sessões do mesmo grupo muscular grande.
6
Aumente a carga gradualmente; evite progressões bruscas que elevem o risco de lesão.
7
Não utilize técnicas avançadas (drop set, rest-pause, bi-set) nem relaxantes musculares sem orientação quando estiver começando.
8
Consulte um nutricionista para adequar alimentação ao treino, pois falta de nutrientes prejudica desempenho e recuperação.

Por que o sinal nervoso melhora antes do músculo crescer

Quando você começa a treinar, o cérebro e os músculos precisam aprender a se comunicar melhor. No início, muitos sinais nervosos são “desperdiçados”, o comando para contrair chega com atraso ou ativa fibras musculares desnecessárias.

Nas primeiras semanas, o sistema nervoso melhora essa comunicação: o sinal viaja mais rápido, as fibras certas são acionadas no momento certo, e os músculos que precisam relaxar fazem isso de verdade. Resultado: você fica mais forte e mais coordenado, mesmo sem ter ganhado um único grama de massa muscular.

A fase neural dura em torno de seis a oito semanas. É como se o corpo estivesse “aprendendo a dirigir” antes de “turbinar o carro”. Ignorar essa diferença leva muita gente a desistir quando olha no espelho e vê que nada mudou, sem perceber que ganhou força de verdade.

Quando aumentar a carga não funciona como deveria

A regra geral é progredir aos poucos, mas há um ponto de inflexão: se o aumento for gradual demais, o corpo deixa de receber um estímulo novo e o progresso estagna. Por outro lado, aumentos bruscos na intensidade elevam muito o risco de lesão. A melhor estratégia é aumentar gradualmente o desafio com ajustes no peso, no volume.

E na intensidade dos exercícios, mas mudanças muito abruptas quebram essa lógica e prejudicam mais do que ajudam.

Há também o caso de técnicas avançadas como drop set, rest-pause e bi-set, que aumentam bastante a intensidade. Essas não funcionam (ou pioram a situação) para quem está começando, porque atrapalham a recuperação e elevam o risco de lesão. Elas só devem ser usadas por quem já domina a execução dos movimentos.

Posso treinar em jejum se quero emagrecer mais rápido?

Não, e treinar em jejum sem considerar as próprias necessidades prejudica o desempenho e a recuperação. O organismo precisa de energia para o exercício, sem ela, você não consegue realizar o treino com a qualidade necessária. Além disso, o corpo precisa de nutrientes depois do treino para reparar e desenvolver os músculos.

Um plano alimentar adequado deve considerar seus objetivos individuais, seja ganhar massa, perder gordura ou melhorar a saúde. Por isso, o acompanhamento nutricional ajuda a ajustar a alimentação à sua rotina de treinos, e não o contrário.