18 de October de 2026
Comércio de Feira de Santana
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Com a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala de trabalho 6×1, as empresas passam a ter 60 dias para se adequarem ao novo modelo, que dará dois dias de descanso ao trabalhador. Em Feira de Santana, a nova escala para os funcionários do comércio será discutida na próxima convenção coletiva com a categoria.

Para o Acorda Cidade, o presidente do Sindicato Empresarial do Comércio de Feira de Santana (Sincomércio), Marco Silva, afirmou que a adequação dos horários de funcionamento e do modelo de folgas, incluindo finais de semana e feriados, dependerá das negociações entre representantes dos empregadores e dos trabalhadores.

“Sempre trabalhamos de forma muito responsável nos acordos. E a gente torce muito que eles cheguem a um acordo, que cheguem a uma definição lá, porque o comércio de Feira de Santana precisa dessa definição. E a gente só vai ter isso quando a gente restabelecer a negociação”, disse Silva.

comércio
Foto: Jefferson Araújo / Acorda Cidade

Possíveis impactos

O presidente do Sincomércio estima que o fim da escala 6×1 pode elevar em até 100% os gastos com funcionários de pequenos estabelecimentos comerciais no município. A projeção foi feita por Marcos Silva um dia após a proposta ser aprovada no Senado. A PEC entrou em vigor na última sexta-feira, dia 16 de outubro.

“Imagine um pequeno mercadinho de bairro que trabalha o dono, a esposa dele e um funcionário. Se ele precisa de mais um trabalhador, a folha dobra de despesa, então o impacto é de 100%. E pior, ninguém falou em redução de encargos trabalhistas, compensação de impostos, ninguém tratou disso”, disse Silva.

Mercadinho_ foto Kaio Vinicius Acorda Cidade
Foto: Kaio Vinicius/Acorda Cidade

Em entrevista ao Acorda Cidade, o presidente do Sincomércio reforçou que a mudança na jornada de trabalho, que deve entrar em vigor na próxima semana, vai exigir, a partir de agora, um esforço maior em termos de planejamento por parte da chefia das empresas.

Feira de Santana

Olhando apenas para os possíveis impactos no comércio de Feira de Santana, de acordo com Marcos Silva, a folha de pagamento pode variar entre 20% e 25%, a depender da atividade e do tamanho do estabelecimento.

Marco Silva, presidente do Sindicato do Comércio de Feira de Santana
Marco Silva, presidente do Sindicato do Comércio de Feira de Santana | Foto: Paulo José / Acorda Cidade

“A nossa preocupação é como o pequeno empresário que não teve como se preparar e nem vai ter. Teremos a promulgação desta PEC a qualquer momento, até porque o presidente vai querer utilizar isso no momento eleitoral, natural, faz parte da política, mas com 60 dias de prazo ela vai começar a valer pertinho do Natal.”

Silva ressaltou que não é contrário à redução da jornada de trabalho, mas criticou a forma como a mudança estava sendo conduzida. O presidente do Sincomércio também demonstrou preocupação com os possíveis reflexos do novo modelo de escala sobre os preços.

fim da escala 6X1 aprovada no senado
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

“O trabalhador pode pensar ‘que injustiça, eu mereço descansar’, e merece realmente. Mas você também merece ganhar mais, merece menos encargos trabalhistas sobre seu salário e mais salário no seu bolso”, disse.

Marcos Silva completou o raciocínio falando sobre a tecnologia. “Da forma como foi feito, a gente fica muito preocupado. Vai ter um impacto, sim, na inflação e pode ter um impacto no emprego também, porque não tenha dúvida: as empresas vão procurar cada vez mais se automatizar.”

Dia das Crianças: lojas infantis abrem no feriado e movimentam comércio de Feira de Santana
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

Adaptação

Na avaliação do gestor, empresas maiores e mais estruturadas têm melhores condições de se preparar para a mudança, enquanto os pequenos negócios enfrentam dificuldades para reorganizar as escalas e contratar novos funcionários.

“Como é que a gente vai acomodar as vendas de Natal se, de uma hora para outra, você vai perder já duas horas do trabalhador e vai ter que dar folga dois dias na semana?”, questionou Marcos Silva.

Governo estuda crédito e capacitação para empresas se adaptarem ao fim da 6×1

O governo federal avalia oferecer linhas de crédito e programas de capacitação para ajudar empresas que enfrentarem dificuldades com o fim da escala de trabalho 6×1. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (16) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Segundo o ministro, os impactos da mudança para os empregadores ainda serão avaliados, mas a equipe econômica considera disponibilizar financiamento específico para facilitar a adaptação das empresas ao novo modelo de jornada.

Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade.

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