17 de October de 2026
Terremoto ajudou a revelar estrutura escondida da Terra
Foto: Vecteezy

Em 1909, um tremor que sacudiu a região dos Bálcãs forneceu uma pista inesperada sobre as camadas ocultas do planeta.

Quando o cientista croata Andrija Mohorovičić observou o comportamento das ondas sísmicas. Notou que elas mudavam de velocidade em uma profundidade específica do solo — o primeiro sinal de que a Terra possuía uma estrutura interna bem mais complexa do que se imaginava até então.

Essa fronteira invisível, batizada como Descontinuidade de Mohorovičić e conhecida pela sigla Moho entre os cientistas, marca o ponto onde a crosta terrestre termina e o manto começa.

A importância dessa descoberta reside no fato de que foi possível mapear o interior do planeta sem perfurá-lo, apenas analisando como as vibrações sísmicas se comportavam ao passar por diferentes camadas de rochas com densidades distintas.

Como os tremores revelaram a estrutura do planeta

Foto: shooogp/Sketchfab

A razão pela qual as ondas aceleravam prende-se à mudança de composição do solo. Enquanto a crosta consiste em rochas mais leves, o manto é formado por material mais denso, como o peridotito, rico em minerais pesados. Essa transição abrupta faz as ondas sísmicas viajarem mais rápido, um comportamento que funcionou como um mapa geológico natural para os pesquisadores.

Atingir as profundezas do planeta por escavação é uma tarefa praticamente impossível, a perfuração mais profunda realizada pela humanidade chegou a pouco mais de 12 km. Em comparação, o manto começa alguns quilômetros abaixo da superfície e se estende até profundidades onde a temperatura torna qualquer escavação inviável.

Por isso, estudar as ondas dos terremotos transformou-se na ferramenta principal para investigar o que existe sob nossos pés.

✓ Em 1909, Andrija Mohorovičić identificou mudanças na velocidade das ondas sísmicas, indicando uma fronteira interna da Terra.

✓ A Descontinuidade de Mohorovičić, conhecida como Moho, marca a transição entre a crosta terrestre e o manto.

✓ As ondas sísmicas aceleram ao atravessar essa fronteira devido às diferenças nas propriedades dos materiais que compõem a crosta e o manto.

✓ A perfuração humana alcançou pouco mais de 12 km de profundidade, o que torna inviável chegar diretamente ao manto por escavação.

✓ Sob os oceanos, o Moho costuma estar a cerca de 6 km de profundidade; sob os continentes, fica em média a aproximadamente 35 km, com variações regionais.

✓ A análise das ondas sísmicas permite estudar e mapear estruturas internas da Terra sem a necessidade de perfuração direta.

Variações conforme a localização geográfica

A profundidade dessa camada divisória não é uniforme. Sob os oceanos, ela fica a aproximadamente 6 km de distância, enquanto sob os continentes essa profundidade chega a cerca de 35 km, com variações dependendo da região específica. Quanto mais afastada da superfície, mais pressão e calor atuam sobre a estrutura, alterando as propriedades das rochas.

Desde sua identificação há mais de 100 anos, essa descontinuidade permanece central para a compreensão da dinâmica terrestre. Conforme observado por especialistas em fenômenos naturais, os tremores continuam sendo a ferramenta mais eficaz para sondar regiões localizadas a dezenas. Centenas e até milhares de quilômetros abaixo da superfície — uma capacidade de investigação que dispensa qualquer perfuração direta no solo.

Essa metodologia indireta revolucionou toda a geofísica moderna, permitindo que mapas tridimensionais do interior do planeta fossem construídos com base apenas em dados sísmicos.