18 de October de 2026
Falcão resgatado surpreende veterinária ao voltar por conta própria
Foto: Instagram/maria_angela_veterinaria2

Um quiriquiri recém-solto no ar fez questão de voltar para quem cuidou dele. A médica-veterinária e zootecnista Maria Ângela Panelli acompanhava mais um processo de devolução de um animal à natureza quando o pequeno falcão surpreendeu: depois de ganhar o céu, ele deu a volta e foi pousar no ombro dela.

A profissional, que dedica a carreira à recuperação de bichos domésticos e selvagens, se divertiu com a cena inusitada. Entre risos, ela comentou que o animal parecia não ter pressa nenhuma de ir embora, enquanto o quiriquiri permanecia tranquilo ao lado dela.

Um gesto raro de confiança entre a ave e a tutora

A veterinária reuniu esse e outros registros de soltas em um vídeo publicado em suas redes sociais. Ali também aparecem corujas, beija-flores e papagaios que, soltos por Maria Ângela, preferem rondar perto dela em vez de partir direto para a liberdade.

As imagens renderam comentários emocionados dos seguidores, que destacaram a conexão criada entre a profissional e os pacientes selvagens. Para muitos, a cena reforça o vínculo de confiança construído durante o período de reabilitação de cada animal antes da soltura.

O pequeno predador por trás da cena

Conhecido também como falcão-americano, o quiriquiri é a menor ave de rapina encontrada no Brasil e vive em praticamente todo o território nacional, fora de áreas florestais fechadas. Cricri, gavião-pirata, gavião-canário, gavião-tatu e gaviãozinho são outras formas pelas quais a espécie é conhecida popularmente, enquanto o nome quiriquiri remete ao som que a ave costuma emitir.

Mesmo pequeno, o quiriquiri caça com eficiência: cobras, lagartos, roedores, morcegos, pardais e filhotes de pombos entram no cardápio. Essa dieta variada faz dele um aliado natural no equilíbrio de populações que, sem controle, poderiam se multiplicar demais em áreas rurais e urbanas.

Décadas de trabalho com animais silvestres

Antes de se formar em medicina veterinária, Maria Ângela já se envolvia com o resgate de animais abandonados, experiência que a levou a aprofundar os estudos na área. Foi durante a graduação que ela teve contato com a ortopedia veterinária, especialidade que passou a aplicar também em pacientes silvestres.

Hoje reconhecida como uma espécie de “ortopedista dos animais”, ela já passou por mais de 10 mil atendimentos entre bichos domésticos e silvestres, incluindo tucanos, gansos, onças, corujas, gambás, tartarugas, papagaios e lagartos. Casos de traumas e deformidades de nascença, sobretudo em aves com lesões no bico, estão entre as especialidades da veterinária.

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o animal parecia não ter pressa nenhuma de ir embora
— Maria Ângela Panelli

Próteses que devolvem a função do bico

Um bico quebrado ou torto pode significar a diferença entre comer sozinho e depender de ajuda o resto da vida. Foi pensando nisso que Maria Ângela desenvolveu próteses personalizadas para aves que perderam parte dessa estrutura essencial.

Um ganso com o bico torto, que tinha dificuldade para pegar alimento, recebeu uma dessas próteses depois de passar por reconstrução. O recurso, hoje aplicado a diferentes pacientes, nasceu de uma experiência pioneira com uma maritaca que precisou reaprender a se alimentar após perder parte do bico.

Hoje, os atendimentos de ortopedia e reconstrução conduzidos por Maria Ângela têm como base a Clínica Best Vet, em São Paulo.

O gesto do pequeno falcão, ao escolher voltar antes de seguir para a liberdade, resume o tipo de vínculo que esse trabalho constrói entre profissional e paciente.