18 de October de 2026
Imagem: Pixabay

Quem viaja como passageiro em carros elétricos tem relatado crises de enjoo mais fortes do que costuma sentir em veículos a combustão. A cinetose pode causar desde náusea leve até vômitos durante o trajeto e, para alguns usuários, já levou casais e familiares a pedir a troca do automóvel.

Muitos passageiros e pais que notaram piora no mal-estar dos filhos em veículos elétricos já relatam a situação.

Especialistas investigam a relação entre carros elétricos e mal-estar

Estudos conduzidos até o momento apontam que parte das pessoas sente enjoo de movimento mais acentuado em veículos elétricos do que em carros a combustão. 

Neurologistas já relatam que pacientes mencionam especificamente o mal-estar em veículos elétricos. Contudo, a investigação ainda está em estágio inicial. O conjunto de pesquisas permanece “bastante superficial”, sem estudos sérios e abrangentes até o momento.

A cinetose ocorre quando há conflito entre os sinais que o corpo recebe. O corpo humano depende de três sistemas sensoriais: a visão, o sistema vestibular (responsável pelo equilíbrio) e sensores de movimento no corpo.

Quando um desses estímulos entra em desacordo com os outros, o cérebro interpreta essa discrepância como algo anormal, desencadeando náusea e vômito como mecanismo de proteção.

Os veículos elétricos apresentam características que podem intensificar esse desequilíbrio. Ao contrário dos carros convencionais, que emitem ruído e vibração do motor, os elétricos funcionam silenciosamente. 

A frenagem regenerativa, que é o sistema que transforma energia cinética em eletricidade ao desacelerar, produz uma desaceleração suave e contínua, diferente da frenagem tradicional.

Esse padrão de movimento, sutil e quase imperceptível, pode ampliar a desconexão entre o que os olhos percebem e o que o corpo sente, intensificando a confusão sensorial responsável pela cinetose.

A cinetose, porém, não afeta todos os passageiros de veículos elétricos da mesma forma. Muitos proprietários relataram que eles e seus familiares não sentem enjoo nesses automóveis. Alguns afirmam até sentir menos mal-estar em elétricos do que em carros com motor a combustão.

A variabilidade entre indivíduos sugere que fatores genéticos, sensibilidade vestibular pessoal e experiências prévias de cinetose influenciam a intensidade da resposta a esse tipo de veículo.

O papel da indústria e futuras investigações

A fabricante chinesa XPeng, porém, já abordou publicamente a questão e atribui o enjoo a efeitos colaterais do próprio projeto de engenharia desses carros.

A divergência entre os relatos anedóticos de passageiros e as posições oficiais da indústria reforça a necessidade de pesquisas mais sistemáticas e abrangentes sobre o tema. Com o crescimento da adoção de veículos elétricos globalmente, compreender completamente os mecanismos por trás da cinetose aumentada nesses automóveis torna-se prioritário.

Estudos futuros devem investigar em profundidade como características específicas dos elétricos, como o silêncio do motor, frenagem regenerativa e dinâmica de aceleração distinta, interagem com a fisiologia sensorial humana. Especialistas sugerem que as montadoras podem implementar softwares para suavizar a aceleração rápida.

Sistemas de som e vibrações sutis nos assentos para sinalizar o movimento, além de frenagem regenerativa adaptativa para reduzir desacelerações repentinas. Alguns veículos elétricos já permitem desativar a frenagem regenerativa.