
Uma equipe de 17 investigadores do Instituto de Legado Arqueológico e da Universidade Purdue desembarcou em Nikumaroro. Em Kiribati, no dia 12 de outubro, para iniciar a vigésima tentativa de localizar os restos do Lockheed Electra 10E. O navio atracou no lado oeste do atol em busca do “Objeto Taraia”, possíveis destroços identificados em imagens de satélite de 2020.
A aeronave pertencia à pioneira da aviação norte-americana Amelia Earhart e desapareceu com o navegador Fred Noonan em 2 de julho de 1937, enquanto sobrevoava o Oceano Pacífico a caminho da Ilha Howland. O navio Marin Mainiku levou 5 dias para percorrer as 830 milhas náuticas entre o ponto de partida e o atol remoto.
Desde 1988, o Grupo Internacional para a Recuperação de Aeronaves Históricas defende a hipótese de que fragmentos da aeronave estejam submersos na lagoa central desse território isolado no Pacífico Sul. A busca tenta resolver um dos maiores mistérios da aviação.
Por que a busca continua após quase 90 anos

O Grupo Internacional realizou uma dúzia de expedições entre 1989 e 2017 sem recuperar restos conclusivos. Imagens de satélite e transmissões de rádio captadas na época sustentam a tese de que o avião pousou no recife próximo a Nikumaroro, em vez de cair diretamente em águas abertas.
Operadores de rádio ao longo do Pacífico captaram sinais de emergência vindos de ilhas hoje conhecidas como Nikumaroro, indicando que a aeronave teria pousado com segurança.
A versão mais aceita pela Marinha dos EUA aponta outro desfecho. Após 16 dias de buscas em 1937, a instituição concluiu que o Electra ficou sem combustível e afundou no Oceano Pacífico.
Durante as buscas, o navio da Guarda Costeira USCGC Itasca esperava perto de Howland para reabastecer a aeronave. E chegou a captar mensagens de voz de Earhart sobre a falta de combustível à medida que o sinal se intensificava.
Richard Gillespie, pesquisador que liderou expedições sobre o desaparecimento, defende a teoria de que o avião ficou sem combustível e caiu, contestando interpretações alternativas.
Teorias rivais que ainda dividem investigadores
Uma hipótese alternativa sugere que a viagem escondia uma missão de reconhecimento sobre instalações militares japonesas anos antes da Segunda Guerra Mundial. Segundo essa versão, o avião teria sido localizado no espaço aéreo das ilhas Marshall, forçado a pousar ou derrubado pelos japoneses. Essa hipótese explicaria o empenho do governo americano em rastrear os destroços após o desaparecimento.
Outra hipótese sustenta que os dois sobreviveram como náufragos em terreno desértico, mas tiveram um final trágico diante de caranguejos carnívoros de grande porte que habitam atóis no Pacífico. Capazes de levantar até 28 kg, esses crustáceos, que pesam mais de 4 kg, conseguem subir em árvores e caçar presas vivas.
O Grupo Internacional demonstrou em 2018, usando carcaças de porcos, que os caranguejos conseguem arrastar corpos até às suas tocas e retirar a carne dos ossos em menos de duas semanas.
A expedição de 2026 e os desafios do terreno
Depois de 5 dias de viagem, o Marin Mainiku atracou no lado oeste do atol. A equipe concentra esforços na Península de Taraia, onde imagens de satélite de 2020 identificaram possíveis destroços chamados de “Objeto Taraia”.
A equipe recebeu autorização para retornar à ilha pela primeira vez em 7 anos e visitará a Península de Taraia especificamente pela primeira vez em mais de 15 anos.
O grupo planeja usar dragagem para remover sedimentos a 1,5 metro de profundidade, a apenas 3 metros da costa, e inspecionar possíveis fragmentos do Electra. Desafios como El Niño e a presença de caranguejos carnívoros gigantes levam a equipe a dormir todas as noites a bordo do navio, porque tornam impraticável a permanência na ilha.
Se localizarem o avião, os investigadores não entrarão nele, e eles retornarão em 2027 para uma escavação completa.
Por que os sinais de rádio indicam que o avião pousou, não caiu

A transmissão de rádio depende de baterias e de energia elétrica. Se o avião de Amelia tivesse caído diretamente na água, o sistema elétrico teria deixado de funcionar assim que entrasse em contato com o oceano.
No entanto, operadores de rádio em diferentes pontos do Pacífico captaram sinais de emergência vindos de ilhas conhecidas como Nikumaroro durante vários dias após o desaparecimento.
Isso significa que a aeronave não estava molhada e conseguiu recarregar as baterias do rádio, o que só é possível se o avião pousou com segurança em terra firme. Após a sexta noite de busca, o sinal parou, sugerindo que o avião pode ter ficado submerso num recife próximo à ilha, onde permaneceria sem poder transmitir.