19 de October de 2026
Imagem: Pixabay

O conhecido neurocientista argentino Mariano Sigman, radicado na Espanha, revelou em entrevista ao portal Infobae que, na sua visão, “as palavras têm o poder de criar realidades”.

A declaração, apresentada durante a divulgação de seu livro “O Poder das Palavras: Como Transformar Seu Cérebro e Sua Vida Através da Conversa”, despertou curiosidade sobre o verdadeiro significado dessa afirmação.

Afinal, como algo aparentemente simples, como falar ou pensar determinadas palavras, pode interferir na realidade de alguém? Segundo o pesquisador, a resposta está na maneira como o cérebro interpreta informações e transforma pensamentos em comportamentos.

Neurocientista defende que “as palavras têm o poder de criar realidades”

Mariano Sigman é um neurocientista argentino reconhecido por suas pesquisas sobre o funcionamento da mente humana, especialmente em áreas relacionadas à consciência, aprendizagem, tomada de decisões e comunicação.

Ao longo de sua trajetória acadêmica, o especialista passou a investigar como a linguagem participa da construção das percepções individuais e influencia as relações sociais.

Para Sigman, as palavras não possuem poderes sobrenaturais, mas podem provocar mudanças concretas na maneira como as pessoas agem. Isso acontece porque aquilo que alguém repete constantemente sobre si mesmo pode fortalecer determinadas crenças, influenciando suas escolhas diante de situações desafiadoras.

Uma pessoa que acredita ser incapaz de aprender determinado assunto, por exemplo, pode evitar oportunidades de estudo simplesmente por considerar que não conseguirá evoluir. Por outro lado, substituir essa convicção por uma postura aberta ao aprendizado pode favorecer a persistência e a disposição para enfrentar dificuldades.

Entretanto, o pesquisador ressalta que pensar positivamente não significa controlar todos os acontecimentos. Problemas graves, especialmente doenças, não desaparecem apenas porque alguém mantém uma atitude otimista.

Outro ensinamento apresentado pelo neurocientista envolve a importância das conversas para organizar o raciocínio. Segundo ele, explicar uma ideia a outra pessoa permite identificar contradições, reconhecer dúvidas e desenvolver uma compreensão mais aprofundada sobre determinado assunto.

Neurocientista destaca a importância de conversar e saber ouvir

No cotidiano, essas descobertas também ajudam a entender por que a maneira de conversar influencia relacionamentos familiares, profissionais e afetivos. Críticas constantes podem prejudicar a confiança, enquanto manifestações de reconhecimento e apoio podem contribuir para vínculos mais saudáveis.

Sigman também destaca que saber ouvir é tão importante quanto escolher cuidadosamente aquilo que será dito. Em discussões marcadas por opiniões divergentes, compreender os argumentos alheios pode diminuir conflitos sem exigir que os participantes abandonem suas convicções.

Assim, a principal mensagem do especialista é que transformar a comunicação, tanto interna quanto externa, pode modificar comportamentos, ampliar possibilidades e melhorar a convivência.

Isso exige prática, reflexão e disposição para questionar pensamentos automáticos, em vez de acreditar que mudanças acontecem instantaneamente.