21 de October de 2026
Após operação com 10 presos, áudios do presidente da Bamor revelam ameaças de tortura na sede da instituição
Foto: Reprodução/TV Bahia

Áudios atribuídos à presidência da Bamor, maior torcida organizada do Bahia, revelam convocações de integrantes para sessões de tortura contra dois homens na sede do grupo, em Salvador. Segundo áudios que circulam nas redes sociais, as gravações mostram ameaças de agressões graves e tentativas de intimidar quem demonstrasse receio de participar dos atos.

Como o Acorda Cidade já mostrou, ao menos dez pessoas foram presas no último dia 28 de setembro e denunciadas pelo Ministério Público da Bahia (MPBA). A operação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com participação das polícias Civil e Militar e de órgãos da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).

Em uma das mensagens, o responsável pela convocação afirma: “Amanhã é tirar a saúde dele. Vamos pegar até uns alicates para a gente arrancar as unhas dele”. Em outro trecho, o presidente ameaça: “Amanhã a gente vai pegar ele daquele jeito. Quem tiver nojo de sangue não vá, porque a gente vai pegar ele e vai ser uma cena triste para ficar de exemplo”.

Após operação com 10 presos, áudios do presidente da Bamor revelam ameaças de tortura na sede da instituição
Foto: Reprodução/TV Bahia

Segundo o MPBA, pelo menos duas vítimas sofreram agressões físicas e psicológicas durante horas, em julho deste ano. Os episódios teriam ocorrido na sala da diretoria da torcida, onde os homens foram pressionados a confessar supostas irregularidades relacionadas a planos de sócios e repasses financeiros.

As investigações apontam que as vítimas foram submetidas a espancamentos, ameaças, sufocament e simulações de afogamento. Também teriam sido utilizados taco de beisebol, martelo e alicate. Na operação que resultou nas prisões, policiais apreenderam esses tipos de objetos na sede, reconhecidos posteriormente pelas vítimas.

O Ministério apura o possível roubo do celular de uma das vítimas e transferências bancárias realizadas durante os episódios. Em 2 de outubro, os dez investigados foram denunciados por organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça. Segundo a promotora Thelma Leal, responsável pelo caso, todos os presos teriam participado das agressões, embora em diferentes graus. Segundo ela, todos os relatos das vítimas levaram a essa constatação.

A defesa de dois integrantes da direção da torcida declarou que seus clientes são inocentes e que as medidas judiciais cabíveis estão sendo adotadas. Em nota, a Bamor afirmou respeitar o trabalho das autoridades, rejeitou a colaboração com condutas ilícitas e defendeu que eventuais responsabilidades sejam apuradas individualmente.

O MPBA esclareceu que a investigação se concentra nos suspeitos de participação nos crimes, e não na associação como instituição. A sede foi fechada no dia 28 de setembro porque os episódios investigados teriam ocorrido no local.

Leia também: Sede da Bamor é fechada após operação que prende 10 integrantes por suspeita de tortura em Salvador

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