21 de October de 2026
Imagem: Pixabay

Damasco é a cidade com piores condições de vida do mundo. A capital síria ocupa a 173ª e última posição do ranking de qualidade de vida urbana. Com 31,6 pontos em uma escala de 100, divulgado pela Economist Intelligence Unit (EIU), braço de pesquisa do grupo responsável pela revista The Economist.

Guerra, destruição de moradias e colapso de serviços básicos explicam por que a cidade síria ocupa o último lugar da lista desde 2013. A metodologia da EIU classifica pontuações abaixo de 40 como condições intoleráveis, e damasco está abaixo desse patamar.

Guerra e destruição moldam o fundo da lista das 10 piores cidades para morar

Trípoli, na Líbia, vem logo atrás, com 40,9 pontos e a 172ª posição, seguida por Daca, em Bangladesh, com 41,7 pontos no 171º lugar.

Karachi, no Paquistão, Argel, na Argélia, Lagos, na Nigéria, Porto Moresby, em Papua-Nova Guiné, Kiev, na Ucrânia, Harare, no Zimbábue, e Teerã, no Irã, com 45,3 pontos na 164ª posição, completam o grupo das dez cidades com pior avaliação em 2026.

Estabilidade, saúde, cultura e meio ambiente, educação e infraestrutura formam as cinco frentes usadas para posicionar as 173 cidades analisadas. Pobreza, insegurança e falhas nos serviços essenciais aparecem junto com os conflitos armados como os fatores que mais puxam esses lugares para o fundo da tabela.

Em Damasco, o rastro da guerra civil iniciada em 2011 ainda aparece nos números do levantamento realizado em maio de 2026. O Ministério de Obras Públicas e Habitação da Síria. Junto com sindicatos de engenharia, criou o Sistema Nacional de Avaliação de Danos a Prédios, que cruza imagens de satélite para medir a extensão da destruição.

Entre 2025 e 2026, Israel intensificou bombardeios de precisão na capital contra alvos estratégicos, incluindo a sede do Ministério da Defesa.

Mais de 24 mil estruturas apenas nos distritos a leste da capital síria entraram no levantamento baseado nesse cruzamento de dados por satélite. De 40% a 50% dos imóveis analisados nessas áreas aparecem como total ou parcialmente destruídos, segundo o mapeamento.

O Ministério da Defesa também figura entre os órgãos citados no contexto dos danos avaliados na capital síria, reforçando o peso institucional por trás do diagnóstico sobre a cidade. A reconstrução, nesse cenário, esbarra tanto na escala da destruição quanto na persistência dos conflitos na região.

Oriente Médio concentra as maiores quedas e África também aparece entre as piores colocadas

Até recentemente, as maiores quedas de estabilidade no índice estavam mais ligadas à guerra na Ucrânia e a ondas de protesto e terrorismo na Europa. Em 2026, porém, o conflito envolvendo o Irã, iniciado em 28 de fevereiro por ataques dos Estados Unidos e de Israel, passou a pesar mais sobre o desempenho de cidades do Oriente Médio e do Norte da África.

Teerã carrega esse efeito mais recente somado a dificuldades estruturais como poluição atmosférica, congestionamentos e pressão sobre a infraestrutura que já existiam antes da escalada do conflito regional. 

Kiev, na Ucrânia, com 44,5 pontos na 166ª posição, segue no grupo das dez piores em razão da guerra contra a Rússia, dos ataques a instalações e redes de energia e dos deslocamentos populacionais.

Lagos, na Nigéria, Argel, na Argélia, e Harare, no Zimbábue, são as cidades africanas nessa parte final da lista. Lagos enfrenta pressões da rápida urbanização sobre os sistemas de transporte e saneamento básico.

Argel tem 42,8 pontos, e harare, por sua vez, enfrenta dificuldades na prestação de serviços públicos, no abastecimento de água e na infraestrutura urbana, além de limitações no financiamento dos serviços municipais.

Karachi, no Paquistão, e Porto Moresby, em Papua-Nova Guiné, completam o grupo das dez cidades com as piores pontuações. Ambas enfrentam desafios relacionados à elevada densidade populacional, à poluição, à gestão de resíduos, aos transportes e ao saneamento.

A distância entre a última colocada, Damasco, com 31,6 pontos, e a décima, Teerã, com 45,3 pontos, mostra como a crise síria se destaca mesmo dentro de um conjunto já marcado por conflitos e carências estruturais.