
Estudantes, familiares e amigos realizaram, nesta quinta-feira (22), uma manifestação nas imediações do Colégio Estadual Hilda Carneiro, em Feira de Santana, para cobrar medidas contra a violência escolar. O protesto ocorre três dias após uma estudante de 13 anos perder a visão de um dos olhos ao ser atingida por um bloco de madeira arremessado por um colega, na segunda-feira (19), dentro da unidade de ensino.

Como o Acorda Cidade já divulgou, o caso aconteceu em uma escola no Conjunto Feira V, no bairro Mangabeira. A mãe, que preferiu não se identificar, relatou que a filha brincava com o colega durante o intervalo, quando os dois começaram a disputar uma sandália e a brincadeira evoluiu para um desentendimento.
Após a menina bater nas costas do garoto, ele teria corrido atrás dela com um pedaço de madeira. Ao tentar fugir, a estudante foi atingida no olho. Ela recebeu os primeiros atendimentos e passou pela UPA da Queimadinha e pelo Hospital Estadual da Criança, antes de ser transferida para o Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, onde permanece internada.

Segundo a mãe, a equipe médica descartou a possibilidade de recuperação da visão, inclusive por meio de transplante. A família foi informada de que a adolescente poderá utilizar uma prótese ocular após três meses, com finalidade estética. A mãe ainda aguarda informações sobre o fornecimento do dispositivo pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“A médica já descartou a possibilidade até de um transplante, que ela perdeu totalmente a visão. Ela está totalmente transtornada, a família toda transtornada. Todo dia o psicólogo vem aqui para conversar com ela. Destruiu a vida da minha filha e a minha vida também”, disse a mãe. Não vai enxergar mais. Vai ter que botar uma prótese”, relatou.
A mãe também falou sobre o primeiro momento quando encontrou com a criança, ainda na secretaria do colégio.
“No primeiro momento que vi minha filha, ela estava dentro da secretaria toda ensanguentada. O olho todo ensanguentado. Eles botou um pedaço de gaze para estancar o sangue e botou ela no vento lá para esperar eu chegar. E quando eu cheguei, peguei ela, botei no meu carro e saí doida correndo atrás de médico.”
A mãe afirmou que a filha vinha sofrendo bullying na escola. Segundo ela, a adolescente já havia comentado sobre atitudes do colega, mas mantinha uma relação de amizade com ele.

Família pede justiça
A mãe questionou a estrutura da unidade de ensino e cobrou providências das autoridades e da direção. Segundo ela, a escola informou que o estudante havia sido afastado após ser questionada pela família. Ela também relatou que uma funcionária ajudou a retirar a adolescente do carro para levá-la ao hospital e manteve contato para saber sobre o estado de saúde da menina.
Para a mãe, porém, a assistência deveria envolver medidas preventivas dentro da escola. Ela afirmou que o colega teria autismo e defendeu que houvesse acompanhamento adequado, sem atribuir à condição qualquer justificativa para a agressão.
Eu queria a visão da minha filha de volta. Mas como não é possível, que a justiça seja feita e que todos respondam. Porque era para a escola ter um acompanhante, porque diz que ele tem autismo, ou então uma pessoa para estar acompanhando o recreio, que isso foi no horário do almoço, olhando as crianças brincar, porque esse tipo de brincadeira não existe, isso é uma agressão. E depois que ele jogou (o bloco de madeira) ainda na minha filha. minha filha está com trauma, toda hora ela repete. Ela fala: ‘Mãe, ele jogou e ainda falou bem feito, ele nem prestou socorro, mãe’. Eu falo: ‘Minha filha, vai tentando esquecer, tira isso da cabeça’. O mais duro é eu olhar para ela, olhar as fotos dela com os dois olhinhos dela e quando chega na realidade não tem os dois olhinhos dela, só tem um.”
Ela também cobrou responsabilização do estudante, dos responsáveis e da instituição de ensino.
“Eu quero que o menino responda de alguma maneira, no centro de menor infrator, alguma coisa, ele tem que responder. Os pais têm que responder, principalmente a escola, porque a escola era para ter dado todo o suporte. Ele não tem autismo? Então era para ter um acompanhamento. Por mim fecha a escola, essa escola não tem estrutura para estar com tanta gente. Minha filha relatou que até enxada, pedaço de pedra, tudo tem lá”, questionou a mãe.
Criança está inconsolável
Bastante abalada, a avó da adolescente, Crispina de Jesus Conceição, de 80 anos, também participou da manifestação e contou que costuma levar a neta à escola quando a mãe não pode. Ela contou ao Acorda Cidade que soube da agressão pouco depois de deixar a menina na unidade de ensino.

“Eu tenho que falar que eu trouxe minha neta na segunda-feira para o colégio, para vir buscar ela aqui 12h40, quando foi 1h eu soube a notícia que ela tinha sido agredida por um menino. Ela já recebia bullying desse menino, então esse menino foi, pegou um pedaço de madeira e bateu nos olhos da minha neta. Hoje a minha neta não enxerga de maneira nenhuma. Quebrou o olho dela. E eu quero justiça, porque é tudo o que eu tenho é ela.”

A avô também reforçou que a perda da visão da neta abalou toda a família.
“Eu estou como levantei da cama, nem um cafezinho eu tomei, porque a natureza não pede nada. Quando eu vejo ela com aquela sangria no olho, sem a visão, eu não sou ninguém na vida, porque eu quero é justiça pela minha neta. Ela só chora, porque ela fala que perdeu a visão dela e ela não sabe mais o que é que ela vai fazer sem a visão, porque nem o transplante pode fazer.”

Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade.
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