
Três quartos dos oceanos ainda não foram explorados por humanos, embora cubram 70% da superfície terrestre. A humanidade conhece melhor o espaço sideral do que as profundezas do próprio planeta. Essa diferença resulta de obstáculos que vão além do interesse científico.
Os oceanos têm profundidade média superior a 3,6 quilômetros, e a essa profundidade, a exploração enfrenta barreiras severas. Já aos 100 metros, a síndrome de descompressão oferece risco letal aos mergulhadores humanos, e o perigo aumenta exponencialmente à medida que eles descem.
O Challenger Deep, na Fossa das Marianas, atinge aproximadamente 11 quilômetros de profundidade, mais que a altura do Monte Everest.
Pressão e profundidade: os obstáculos iniciais para exploração dos oceanos
A pressão das profundezas é um dos principais obstáculos à exploração. Para dimensionar a dificuldade, 12 astronautas acumularam 300 horas na superfície lunar, enquanto apenas três pessoas passaram cerca de três horas no ponto mais profundo conhecido.
Especialistas da NASA dizem que a humanidade tem mapas melhores da Lua e de Marte do que do próprio oceano. A comparação mostra o desafio da exploração oceânica.
Veículos submersíveis operados remotamente (ROVs, na sigla em inglês) ampliaram as possibilidades de pesquisa nas profundezas. Ainda assim, eles alcançam apenas uma fração minúscula do volume oceânico, e a maior parte do planeta aquático continua desconhecida.
Além da pressão, o ambiente oceânico profundo reúne outros obstáculos. Temperaturas extremamente baixas, fauna completamente desconhecida e ausência total de luz tornam o fundo do mar hostil. Uma exploração abrangente exigiria submarinos especializados, profissionais treinados e tecnologia avançada, com alto custo financeiro.
Mapear a totalidade dos oceanos é tecnicamente possível, mas dependeria de uma coordenação complexa envolvendo derivadores oceânicos (boias que se movem junto às correntes enquanto coletam dados) e veículos operados por humanos ou remotamente.
Segundo estimativas de 2001 do geofísico Walter Smith da NOAA, uma única embarcação oceanográfica levaria aproximadamente 200 anos para essa tarefa.
Com 40 navios, o prazo cairia para cinco anos, a um custo estimado, em 2001, de aproximadamente US$ 3 bilhões. Desde então, a evolução tecnológica pode ter reduzido o tempo necessário.
Ainda assim, a exploração completa dos oceanos não está entre as prioridades globais de investimento e continua como um objetivo de longo prazo, com recursos financeiros limitados.
Quando a exploração dos oceanos é possível sem submersíveis tripulados
Embora as profundezas extremas exijam tecnologia cara, a exploração não depende apenas de mergulhos diretos. Derivadores oceânicos, boias que flutuam com as correntes e coletam dados de temperatura, salinidade e composição química, conseguem mapear grandes áreas a um custo menor.
Veículos operados remotamente (ROVs) também trabalham onde humanos não podem, embora cubram apenas uma fração do volume total.
Em muitos casos, o limite é financeiro e logístico, não técnico.